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Mais do que uma simples máquina de traduzir

      
Moacir Bravi Júnior sempre gostou de estudar idiomas e conhecer a cultura de outros povos. Chegou a pensar em fazer vestibular para Administração de Empresas, mas, em cima da hora, resolveu assumir o hobby como possibilidade de carreira. Ele descobriu o curso de Tradução e Interpretação no manual da Universidade São Judas Tadeu e se apaixonou. Em 2002, aos 25 anos, se formou tradutor de português/inglês e foi contratado pela empresa onde era estagiário.

Nos quatro anos da graduação, Moacir aprendeu não apenas lingüística, gramática e compreensão de textos nas duas línguas, mas também teorias e técnicas de tradução. Adorei o curso desde o primeiro dia de aula, conta, lembrando que no currículo também há disciplinas práticas e exercícios de tradução para diversas áreas.

Os professores dão dicas de campos técnicos, como Direito e Medicina, e também ensinam expressões coloquiais e outros costumes da língua. O inglês ainda é o idioma preferencial dos estudantes, assim como a principal demanda do mercado. Nas 18 faculdades existentes no Brasil, é a opção geralmente escolhida e,muitas vezes, a única disponível. No Estado de São Paulo, dez instituições oferecem a graduação, sendo três delas na capital.

O curso que Moacir fez é um dos poucos oferecidos já no vestibular. Na São Judas Tadeu, a cada ano se formam entre 30 e 40 profissionais habilitados às duas funções. Entretanto, na maioria dos casos, Tradução e Interpretação são habilitações separadas do curso de Letras que o aluno pode escolher no fim do 1.º ano. Segundo a professora e coordenadora Dione Notrispe, muitos alunos da São Judas conseguem estágio e são depois efetivados. A fama deles acaba chegando ao mercado, afirma, orgulhosa da preparação que a instituição oferece. A maioria dos profissionais do mercado não tem uma formação específica na área. Para alunos e professores, no entanto, a graduação é essencial.

O curso propicia bagagem teórica e técnica específicas da atividade, com preparação prática e estágio supervisionado, defende a professora Angelita Quevedo, coordenadora de Português/ Inglês da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Dione, sua colega da São Judas, concorda: O fato de alguém ter vivido no exterior não significa que ela domine a língua.

Para a professora, a predominância desses profissionais é a explicação para muitas traduções ruins, especialmente em filmes e programas de televisão. Aliás, o mercado de cinema, TV por assinatura e internet está em expansão. Nos últimos anos, com o aumento na compra de programas importados, as empresas estão buscando mais mão-de-obra nas faculdades. Pelo menos é o que afirmam Dione e Angelita. Ainda segundo elas, outra opção freqüente dos alunos é a licenciatura, que requer mais um ano e meio de curso. Normalmente, eles querem juntar as duas habilitações. E nós também incentivamos a formação contínua e sugerimos cursos de especialização em diversas áreas, diz a professora da PUC.

Além de salas de aula e legendas de vídeo, o tradutor pode trabalhar na versão de livros e documentos comerciais, técnicos ou científicos. Já como intérprete, o profissional pode atuar em entrevistas, congressos ou acompanhando empresários e autoridades. Nesses casos, ele faz oralmente a tradução simultânea (ao mesmo tempo em que a pessoa fala) ou consecutiva (por blocos de frases).

O salário médio inicial varia de R$ 20 a R$ 30 por página de 30 linhas para traduções escritas e de R$ 800 a R$ 900 por seis horas de trabalho para interpretações. Como muitos dos trabalhos são temporários, uma alternativa de renda fixa é abrir a própria empresa e batalhar por clientes certos. Isabel Saragoza, de 23 anos, criou a sua em maio de 2002.

Ela está se formando pela PUC-SP, mas já trabalha na área há quatro anos. Quando começou, havia feito um curso de tradução que achou insuficiente. Na faculdade, aprendemos toda a teoria e vemos a importância das consultas a dicionários e outros tradutores, justifica. Quem não tem formação na área não possuiu essa visão e acaba cobrando menos. Mas não apresenta a mesma qualidade.

Fonte: O Estado de S.Paulo
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