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Cresce 14% índice de abstenção na Unicamp

      
O índice de abstenção na prova da primeira fase do vestibular 2004 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi 14% maior do que o registrado no ano passado.

Ontem, o índice ficou em 3,08%, ante 2,71% no anterior. Dos 50.549 inscritos no vestibular, aplicado ontem em 19 cidades, 48.991 fizeram as provas. A maior abstenção, de 20,56%, foi verificada em Brasília, onde 22 dos 107 candidatos inscritos não compareceram.

Segundo o coordenador executivo da Comissão de Vestibular da Unicamp, Leandro Tessler, houve coincidência de datas com a Universidade de Brasília UnB), o que provocou faltas. A prova teve a cidade como tema geral. A redação e as 12 questões do teste utilizaram o assunto como base. Por conta de sua amplitude, o tema acabou considerado fácil pelos alunos entrevistados pelo Estado. Tessler disse que o vestibular ocorreu sem problemas em Campinas. As provas tiveram início às 14 horas em 18 cidades que adotaram o horário de verão e uma hora depois em Salvador. O coordenador contou que um acompanhante acabou ficando preso dentro de um dos locais de prova em Campinas e só pôde sair depois que os portões foram reabertos, às 15h30.

Este ano, duas novas capitais foram incluídas na lista de locais de exame. Em orto Alegre, 63 candidatos se inscreveram e 58 fizeram o teste. Em Goiânia, dos 736 inscritos, 33 não compareceram, superando as expectativas. Sabíamos que havia uma boa demanda na cidade, mas ficamos surpresos, comentou Tessler. Ele explicou que, em 2005, o vestibular da Unicamp será divulgado no interior do Rio Grande do Sul para atrair mais candidatos. Ranking Medicina continua liderar o ranking de cursos mais concorridos, com 78 candidatos por vaga. Uma surpresa foi a inclusão de dois cursos que começam em 2004, na lista dos mais procurados: comunicação social/midialogia ficou em segundo lugar, com 49 candidatos por vaga, e farmácia em terceiro, com 46 por vaga. Os candidatos disputam 2.934 vagas, 120 a mais do que no exame anterior, por causa dos três cursos novos: além de midialogia e farmácia, há o de tecnólogo em telecomunicações.

Na média, este ano, cada vaga acabou disputada na primeira fase por 17,2 candidatos. curso menos concorrido, tecnólogo em informática, registrou 3,7 por vaga. Alista de aprovados da primeira fase será divulgada em 17 de dezembro e as notas, em 6 de janeiro. A expectativa de que cerca de 13 mil alunos passem para a segunda fase, marcada para 11 a 14 de janeiro. A regra determina 50% de acerto na primeira prova, respeitando 8 candidatos por vaga nos cursos mais concorridos e 3, nos menos disputados.

Médias Tessler lembrou que a Unicamp mantém médias de um terço de alunos e escolas públicas inscritos no vestibular e um terço de aprovados, além de cerca de 10% de afro-brasileiros inscritos e aprovados. A redação da prova deste ano exigiu posicionamento crítico, disse Tessler. Segundo ele, a solução das questões, como é tradição na Unicamp, pede leitura e interpretação. Um bom leitor consegue responder pelo menos parte das questões, disse.

Kelly Cristina Fernandes Félix, de 18 anos, contou que o tema a cidade facilitou na redação, por ser amplo. Estudante de escola pública, ela prestou vestibular para pedagogia pela segunda vez. Vou tentar até passar. Também de escola pública, Juliana Zambelli, de 17 anos, lamentou não ter aprendido em sala de aula o assunto tratado nas questões de química. Não cheguei a ter a matéria, afirmou. Juliana busca uma vaga para fonoaudiologia. Para o treineiro Mauro José Guirelli Júnior, de 16 anos, aluno de escola particular, que pretende vaga emsaneamento ambiental, o tema da redação foi fácil e matemática, difícil. História e geografia estavam muito específicos, disse Danielle Ferreira Carvalho, que faz engenharia agrícola na Unicamp, mas quer mudar para biologia.

Análise
A prova da primeira fase do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) manteve omesmo nível do ano passado, na opinião de professores do Objetivo e do Etapa ouvidos pelo Estado. A redação e as 12 questões de seis disciplinas, que tiveram comotema a cidade, não ofereceram grande dificuldade aos candidatos bem preparados para o exame. Foi uma prova belíssima sobre um assunto muito importante, disse a professora de geografia do Objetivo Vera Lúcia da Costa Antunes. A redação, que representa metade da nota, apresentou uma inovação: a coletânea de textos serviu para as três propostas: dissertação, narrativa e carta. Nos anos anteriores, tanto a narração como a carta tinham coletâneas complementares.

Segundo o professor de português Fernando Teixeira de Andrade, do Objetivo, a mudança pode ter causado algumas dificuldades aos candidatos, uma vez que faltaram referências que os ajudassem a escrever os textos. Já a proposta da dissertação ficou excessivamente aberta, analisou. Nas outras matérias, um problema de enunciado pode ter levado os vestibulandos a duas interpretações diferentes. O texto do item b da questão 6, de física, podia ser lido de duas maneiras. Se o candidato interpretar de acordo com o contexto da pergunta, a resposta é uma, disse o professor Marcelo Monte Forte da Fonseca, do Etapa. Se não, o resultado é outro. O professor Ronaldo Fogo, do Objetivo, concorda. Para ele, há duas respostas possíveis: 28 graus ou 10 graus. Acredito que a banca examinadora considere as duas. Apesar do problema, Fogo achou as questões mais fáceis do que as do ano passado. As duas perguntas de matemática exigiram raciocínio simples, de acordo com o professor Gregório Krikorian, do Objetivo. Alunos com boa formação de ensino fundamental tiveram a obrigação de acertá-las, acredita.

Para o professor de matemática Edmílson Motta, do Etapa, a prova foi muito acessível. O único cuidado que os estudantes tiveram de tomar foi com a leitura das questões. Em geografia, o professor Omar Fadil, do Etapa, acha que os candidatos tiveram pela frente um grau baixo de complexidade.

As questões foram bem claras, bem diretas. A criatividade e a facilidade marcaram as duas perguntas de biologia. Caíram assuntos muito batidos tanto nos cursinhos quanto no ensino médio, destacou o professor Luiz Carlos Bolinello, do Objetivo. Também não apareceram grandes dificuldades em história, que teve como foco o Renascimento e as reformas urbanas no Rio no fim do século 19 e início do século 20. Isso já era esperado, disse o professor Francico Alves da Silva, do Objetivo.

Fonte: O Estado de S.Paulo
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