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Descaso com a educação no Brasil

      
Faltam condições de trabalho, tempo para atualização e salário digno. Segundo pesquisa recentemente divulgada pelo MEC, a média salarial dos professores é menor do que a de policiais e juízes. São cerca de 2,4 milhões de professores na educação básica, muitos dos quais sem a formação em nível superior. A análise do MEC aponta ainda para o risco de ficarmos sem professores em dez anos, caso a atual tendência de queda na procura pelos cursos de licenciatura se perpetue. Nessa triste situação, quem quer ser professor?

São dados assustadores, que confirmam o pouco-caso com a educação no Brasil. Não há como imaginar que vamos alcançar os índices de desenvolvimento humano de países mais avançados sem respeitar um princípio básico de qualquer sociedade, que é a valorização da escola e do profissional da educação. Mesmo com os avanços dos últimos anos, muito ainda precisa ser feito para que possamos reverter esse quadro.

O Fust, que alguns já passaram a chamar de frust, dado o nível de decepção com a demora de sua implantação, tem como um de seus objetivos dotar as escolas da necessária infra-estrutura tecnológica de informação e de comunicação. Mas será que não seria melhor investir esses recursos na melhoria da formação do professor e no financiamento de equipamentos para que ele possa dominar os novos conhecimentos antes de transmiti-los aos alunos?

Hoje um candidato a professor leva quatro anos para concluir uma licenciatura que o habilita a dar aulas somente em uma matéria do ensino médio. Com a confluência dos novos conhecimentos e a multidisciplinaridade, os cursos de licenciatura deveriam ser unificados e reduzidos em sua duração, dando a chance para que o formando possa ingressar rapidamente no mercado de trabalho. Poderia ser criada, por exemplo, a licenciatura única, um único currículo para formação de professores em diversas áreas, como física, química, matemática e biologia, cada vez mais integradas no mundo do conhecimento. Mais importante do que a formação inicial, que é essencialmente pedagógica, seria a formação continuada, na qual os professores acompanham a evolução do conhecimento.

Outra possibilidade para aumentar a procura pela carreira de professor seria a contratação de alunos dos últimos períodos das licenciaturas para atuar como monitores nas escolas públicas de cada região, suprindo a carência de profissionais de apoio pedagógico e preparando os futuros professores para a realidade que enfrentarão depois de formados. Tal projeto, de custo reduzido, teria impacto na motivação dos alunos de licenciatura e na própria qualidade do ensino público, ligando as universidades à solução dos problemas concretos da sua região. Isso é responsabilidade social na prática.

Eu, como muitos outros colegas, quero continuar a ser professor, com a certeza de que estamos cumprindo a mais nobre das missões: a formação das novas gerações. Mas, para isso, como qualquer profissional, precisamos de boas condições de trabalho, ferramentas modernas, tempo para atualização e salário digno. Sem isso, mesmo o mais nobre dos ideais não resiste ao mais básico dos instintos: o da sobrevivência.

Fonte: Gazeta Mercantil
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