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MEC defende universidade pública

      
O ministro da Educação, Cristovam Buarque, considera um equívoco a parte do relatório Gasto Social do Governo Central: 20012002 do Ministério da Fazenda que questiona investimentos nas universidades públicas. Universidade tem de ser pública. O que tem de mudar é a forma de ser da universidade para que ela tenha mais compromisso com a população, disse o ministro, após abrir o Seminário Internacional Universidade XXI.

O relatório é correto, analisa Cristovam, quando constata que o dinheiro público no Brasil beneficia brasileiros que estão no grupo dos 10% com renda mais alta, ou seja, mais de R$ 2 mil. Como só vai para os ricos, vamos privatizar a universidade? ? um equívoco, uma mentira. Se a universidade pública fosse privatizada, afirma, os alunos receberiam bolsa de estudo do governo.

O caminho para fazer com que o dinheiro público chegue ao pobre, na avaliação do ministro, é fazer com que a universidade forme pessoal que trabalhe para os pobres. Na hora em que se fizer médicos e dentistas na quantidade e no tipo que o povo precisa, não importará se o universitário é filho de rico ou de pobre, insiste o ministro. Já para convencer o médico, ou outro profissional, a trabalhar no interior do País, Cristovam receita garantia de emprego e salário. Não se pode querer que eles saiam daqui como soldados. E ainda ressalta que o conteúdo do curso precisa se pautar pelo interesse da população. Cristovam lamenta, por exemplo, que odontologia esteja mais voltada para corrigir dente troncho do que evitar que se perca os dentes.

RICOS E POBRES A presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Wrana Panizzi, também criticou indiretamente o relatório da Fazenda e desmentiu o mito de que os ricos ocupam o lugar dos pobres nas universidades públicas. Sabemos que os estudantes das universidades públicas não são mais ricos do que os das instituições privadas. Sabemos que as parcelas mais pobres da população brasileira não têm acesso à universidade como não têm acesso a tantos outros bens e serviços. Ela classifica de visão estreita a crença de que o único beneficiário do ensino superior é o aluno diplomado. Ensino superior, argumenta, é estratégico para o desenvolvimento e a soberania das nações. E lamentou que no Brasil a proporção seja de 0,25 pesquisadores para cada mil habitantes, enquanto nos Estados Unidos é de 3,5.

O representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, compara a universidade a uma antena sensível capaz de captar tendências e alternativas do mundo atual. ? fundamental para o desenvolvimento do País.

ARGENTINA Durante o seminário internacional, Cristovam e o ministro de Educação, Ciência e Tecnologia da Argentina, Daniel Filmus, assinaram acordo de cooperação para intensificar o intercâmbio em áreas de excelência da pesquisa e adotar o ensino de espanhol e português nos dois países. Os dois países também assinaram manifesto contra a mercantilização da educação. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) se comprometeu a ajudar a Argentina a implantar programas que funcionam no Brasil, como o Bolsãscola e Abrindo Espaço.

Fonte: A Tarde
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