text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Escolas de negócios / Ranking global - O chamado da China

      
No final de maio, o mexicano José Milke, gerente-geral da empresa de ovos desidratados Ovoplus del Centro, e aluno da Egade TEC Monterrey, passou uma semana no The Chinese University of Hong Kong (TCUHK). Era um dos 78 alunos do programa OneMBA que, desde setembro de 2002, é organizado nessa escola em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas, a University of North Carolina at Chapel Hill, e a holandesa Erasmus University Rotterdam. "Além do componente asiático, foi o enfoque global do MBA o que me pareceu mais atrãnte", diz Milke. "Mas foi a possibilidade de fazer negócios na China a médio e longo prazo que me abriu os olhos."

Outras escolas também já abriram os olhos para essa oportunidade. A Business School São Paulo acaba de incluir uma passagem pela China em seu Omnium Global Executive MBA, em associação com a University of St. Gallen, Universidade de Toronto e City University of Hong Kong. Dos 16 meses de curso, são 12 semanas no exterior, com estadas também na Suíça e no Canadá.

Poucos podem dizer o mesmo. Os programas mexicano e brasileiro são os únicos mestrados em que os alunos podem conhecer a China por meio de escolas de negócios latino-americanas. Para um programa chegar a Hong Kong é fundamental a influência das escolas dos Estados Unidos e Europa, que têm mais intercâmbios com a ásia que as escolas da América Latina. Com duração de 21 meses, o OneMBA tem cursos locais para os alunos analisarem pontos fortes e oportunidades de sua região; e cursos globais, em que realizam projetos com estudantes de outras escolas e fazem quatro visitas de uma semana cada uma delas, como ocorreu em Hong Kong.

Mas o OneMBA é uma gota no oceano. A tendência histórica entre as escolas de negócios latino-americanas foi criar alianças com escolas norte-americanas e européias, sem observar a possibilidade chinesa. As razões? "Em geral, as empresas têm pouca conexão com a ásia, com exceção do Japão", diz Iván Vera, sócio da consultoria IGT-Invertec, em Santiago. "E quem paga por um MBA é um profissional que quer se preparar em função do que percebe como demanda das empresas."

Como as corporações latino-americanas só começaram a se preocupar agora com a ásia, as escolas de negócios deveriam seguir na mesma direção no médio prazo. Mas talvez seja conveniente acelerar o passo. Os MBA tradicionais já são quase commodities e isso não vai demorar a acontecer com a oferta na ásia. Europa e EUA mais uma vez chegaram primeiro, pois compreenderam que o novo mercado é valioso e é uma possibilidade de inovação, além de evitar que os diferenciais entre as escolas se aproximem a zero.

Por enquanto, só algumas escolas, como a peruana Esan, têm projetos no Extremo Oriente. Todos os anos, a Esan realizava uma viagem de estudos aos EUA, mas este ano decidiu comprar passagens para a China. Em setembro, seus estudantes visitarão Xangai e Pequim por dez dias. A escola peruana acrescentou a seu programa intercâmbios com professores japoneses e a organização de um congresso internacional chamado China, Janela de Oportunidades, no finjal de setembro.

A Faculdade de Economia e Administração da USP, faz algo parecido. Há três anos a escola organiza o seminário Os Fins de Semana da China, no qual convida empresas e organizações comerciais chinesas para palestras. A partir de 2005, o MBA Executivo Internacional da USP aumentará os vínculos com a China por meio de uma aliança com a Sun Yat-San University, que permitirá visitas por dez dias a universidades e empresas. "Nosso foco é conhecer a cultura das instituições e experiências de empresas que se estabeleceram nesse país", diz James Wright, coordenador do MBA Executivo Internacional da Fundação Instituto de Administração da USP.
No passado era ainda mais difícil. Na USP, por exemplo, alunos de MBA, como o nissei Wilson Arikita, hoje diretor para a área Asiática da Sadia, conheciam o continente apenas quando suas empresas abriam operações na ásia. Ele lembra que quando fez seu MBA na USP, em 2000, havia a "vontade" de tratar com mais profundidade o tema asiático. "Mas não a realização dessa vontade", lembra Arikita.

E por que tanta demora? Segundo Rebecca Arkarder, coordenadora de Relações Internacionais do Coppead-RJ, as distâncias e os custos ainda dificultam os programas de intercâmbio de estudantes e professores, a forma clássica de iniciar colaborações interescolares. De fato, só em 2005 o Coppead terá um módulo em Xangai por meio do programa Global Partners MBA e em colaboração com a Robinson School, da Georgia State University, de Atlanta; e do Iã, da Sorbonne, de Paris.

Oportunidade
Mas não é só uma questão de distância e dinheiro. O problema mais crítico é que ainda falta interesse dos executivos pela ásia. Antes de iniciar programas na China, a Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, pesquisou o interesse de 3 mil ex-alunos. No entanto, depois dos recentes acordos entre a China e o Brasil, apenas 300 deles reconheceram a importância da região. E só 15 responderam querer estudar na China. Assim, a Dom Cabral adiou para fevereiro próximo seu programa de três dias em Xangai em sociedade com a francesa Insead. "Hoje existe a consciência de que a ásia é um mercado, mas não de que é um concorrente", diz Carlos Arruda, diretor de Desenvolvimento e Finanças da Fundação Dom Cabral. "Mesmo assim, devemos estar atentos ao crescimento de suas empresas, futuras aliadas e forte concorrência para as companhias latino-americanas."

Por essas e outras, os projetos não sãm do papel. No Chile, o MBA da Pontifícia Universidad Católica tem acordos com escolas de negócios asiáticas como o TCUHK e a China-Europe International Business School. ? que a escola chilena finalmente encontrou alunos com vontade de estudar na ásia. O interesse surgiu com a atividade da cúpula de Cooperação Econômica ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês). "Recentemente, realizamos reuniões com os adidos culturais de Japão, Coréia e China para fomentar estes acordos e buscar financiamento recíproco, para que os intercâmbios estabelecidos funcionem com sucesso", diz Ana María Bravo, subdiretora do MBA da PUC-Chile.

Mas sempre há um porém: até o momento, nenhum aluno da PUC-Chile pôs os pés na ásia. Conclusão? A história se repete: se a América Latina não reagir estará pagando caro mais uma vez para viajar no último vagão.

Fonte: Américãconomia
  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.