text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Escolas de negócios / Pesquisa - Competição é sonho distante

      
Uma das histórias de negócios latino-americanas mais apaixonantes dos últimos anos é a da empresa de refrigerantes peruana Kola Real, controlada pelo grupo A¤a¤os. Focada nos segmentos de baixa renda e quebrando uma série de paradigmas da indústria desde o fim dos anos 90, a empresa não apenas roubou parte significativa do mercado peruano a gigantes como Coca-Cola e Pepsico, mas também iniciou um interessante processo de expansão para países como México, Venezuela e Equador, dos quais vêm 70% de seu faturamento. O curioso desta saga é que ela tenha sido contada pela primeira vez não por um jornal de economia e finanças, mas por um estudo de uma escola de negócios, a Universidad de Piura, que teve acesso privilegiado à companhia.

·s vezes não é fácil ver com clareza, ao menos no curto prazo, o impacto e a importância da pesquisa realizada pelas escolas de negócios. Naturalmente, isso não acontece apenas na América Latina, mas também nos Estados Unidos e na Europa, onde além disso há um grande debate sobre a verdadeira utilidade deste esforço para o mundo corporativo. Mas o caso do refrigerante peruano Kola Real demonstra que mesmo quando se trata de cases ? no sentido estrito do termo, não considerado como pesquisa no mundo acadêmico ? este esforço pode ser um grande valor agregado para alunos de um programa de MBA, além de revelar novas tendências de negócios e práticas de grande interesse para as empresas. Nesta ocasião específica, o estudo sobre a Kola Real mostrou que é possível fazer negócios de primeira com marcas de segunda.

Por isso é fundamental que as escolas de negócio invistam em atividades de pesquisa. E não apenas teórica, mas aplicada. Esta última é uma das características que distingue o management como disciplina, e que faze dele uma ciência e uma arte. Só que não há na América Latina um mercado competitivo de criação de conhecimento nas escolas, como acontece nos EUA. O motivo principal são as restrições econômicas das escolas e a conseqüente falta de massa crítica das instituições. Ainda assim, podem ser destacadas experiências, modelos e diversos graus de esforço para dar mais importância a esta atividade.

Um dos casos mais interessantes em desenvolvimento hoje na região é o enorme esforço do TEC de Monterrey para que seu corpo docente seja mais voltado para a pesquisa. Para isso, a escola mexicana está começando uma grande transformação interna, levando para os campus de maior porte esta atividade e deixando os de menor porte focados no ensino. O primeiro passo foi dado na Escuela de Graduados en Administración y Dirección de Empresas (Egade), Campus Monterrey, cujo decano Jaime Alonso Gómez tomou a decisão estratégica de separar nada menos que US$ 18,75 milhões para pesquisa nos próximos cinco anos. Mas não é só dinheiro. A idéia também foi criar um modelo para tornar a atividade de pesquisa economicamente sustentável. Para isso, em 2002, realizou-se um concurso interno com o objetivo de selecionar cátedras nas quais seriam aplicados esses recursos. O processo de seleção contou com a participação do setor empresarial e do governo, que também estão contribuindo com recursos importantes.

O diferencial do projeto está no fato de que as cátedras não apenas serão avaliadas pelo cumprimento dos tradicionais objetivos de pesquisa, como publicação em revistas acadêmicas, inscrição de patentes ou desenvolvimentos tecnológicos. Os cerca de US$ 750 mil por cátedra terão de ser administrados pelos pesquisadores como se fossem um fundo de investimento. Ou seja, esse dinheiro funciona como um capital inicial, para que depois de cinco anos a cátedra seja autofinanciada com recursos externos como, por exemplo, projetos de empresas ou fundos governamentais.

A professora Kathia Castro, Ph.D. em ciências humanas da University of San Francisco, na Califórnia, participa da cátedra sobre aprendizagem colaborativa na área de educação educativa. "Nosso objetivo é criar um modelo de aprendizagem organizacional que possa ser aplicado em diferentes tipos de instituição", diz a doutora Castro. "A sobrevivência de empresas, instituições públicas e educativas depende da atualização diária de pessoas e organizações."
Já no Brasil, um dos mercados mais dinâmicos em relação a publicações acadêmicas, grandes instituições como a USP, a UFRJ (Coppead) e a PUC-RJ desenvolvem, há bastante tempo, um interessante esforço de pesquisa. Ainda que grande parte desse esforço esteja concentrado em trabalhos locais, a princípio isso não é um problema. Afinal, pelas dimensões da economia brasileira, os pesquisadores têm muito com o que se ocupar em seu próprio quintal. Ao mesmo tempo, o fenômeno da competitividade global desenvolvida em indústrias de origem local ? algo que se pode observar na banca brasileira, por exemplo ? presta-se a muitos estudos e análises.

No entanto, esse foco excessivamente nacional contribui para afastar as escolas brasileiras do circuito internacional de pesquisas. Em parte isso se deve às grandes diferenças culturais do Brasil: as principais revistas acadêmicas estrangeiras não se concentram em temas de desenvolvimento local e exigem publicação de artigos em inglês. E não há uma cultura de traduzir os trabalhos com esse fim. Uma dificuldade adicional é que ainda não existe uma referência brasileira de publicações, que seja consolidada o suficiente para avaliar o mérito e a qualidade desta atividade.

Agora, se falamos de produtividade, o Chile deve ser um dos únicos países da região que, em relação ao tamanho de sua economia e de suas universidades, está gerando a maior quantidade de conhecimento, tanto sobre a realidade local, como em publicações de qualidade internacional. Uma das instituições mais destacadas nesse sentido é o Departamento de Engenharia Industrial da Universidad de Chile.

A escola possui sólidos centros de pesquisas em áreas como management e gestão operacional. Isso enriquece fortemente a oferta de pós-graduação e cursos disponíveis para alunos e empresas. Como explica o diretor do programa de MBA da Universidad de Chile, Gastón Held, não há dúvida sobre o compromisso da escola com a criação de conhecimento: "Aqui, quem não pesquisa vai embora... Sério", diz.

O segredo, no entanto, não está apenas no forte compromisso com a pesquisa e nos recursos para desenvolvê-la, mas também na criação de um modelo e uma estrutura que incentivem a investigação acadêmica. Nos EUA, as universidades são donas das patentes geradas por pesquisas financiadas pelo governo, que tem uma licença de uso não exclusiva. Por causa disso, os benefícios são divididos entre o pesquisador e a universidade, que logo reinvestem em mais pesquisa. O resultado foi um competitivo mercado de pesquisa e inovação, no qual docentes e escritórios de patentes das instituições cumprem um papel estratégico na vida acadêmica. Se a América Latina fizer algo semelhante, possivelmente no futuro a pesquisa deixe de ser um hobby, como ainda é em algumas instituições da região. Infelizmente, falta muito para chegarmos a esse nível.

Fonte: Américãconomia
  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.