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O alerta das universidades

      
Embora devam comunicar oficialmente sua decisão só na próxima semana, as três universidades estaduais paulistas estão cogitando seriamente da possibilidade de ficar fora do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinãs), que foi concebido pelo governo do PT para substituir o Provão e os demais mecanismos de supervisão do ensino universitário criados pelo governo anterior.

Segundo os pró-reitores de graduação da USP, Unicamp e Unesp, por serem financiadas pelo Estado de São Paulo, suas instituições deveriam ser fiscalizadas apenas pelo Conselho Estadual de Educação. Além disso, a USP e a Unicamp ainda também não decidiram se participarão do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que será aplicado em novembro aos alunos de primeiro e último anos de 2.137 cursos de graduação de 13 áreas do conhecimento.

Ao contrário do Provão, que era obrigatório para os formandos, o novo teste prevê uma avaliação por amostragem, através de sorteio de alunos inscritos pelas universidades. As duas maiores universidades paulistas questionam essa metodologia. Surpreendido por essas duas ameaças, o governo do PT apressou-se em desqualificálas com argumentos políticos, alegando que o governo paulista está sob controle do PSDB e as relações entre o Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria Estadual de Educação andam tensas, por discordâncias com relação à distribuição de recursos no ensino fundamental. Mas essa reação foi atropelada pela decisão da Fundação Carlos Chagas de se recusar a elaborar e corrigir as provas do Enade, tarefas para as quais o MEC pretendia contratá-la. Comquatro décadas de existência e respeitada internacionalmente, a Fundação também pôs em dúvida a avaliação por amostragem.

Mesmo que a USP, a Unicamp e a Unesp voltem atrás em sua decisão de ficar fora do Sinãs e inscrevam seus alunos no Enade (o que esta última instituição acaba de anunciar que fará), a possibilidade de umboicote liderado por três prestigiosas universidades confirma o que se temia quando o primeiro ministro da Educação do governo Lula, Cristóvão Buarque, a pretexto de aperfeiçoar o Provão, promoveu o desmanche do sistema de avaliação criado por seu antecessor.

Com todas as imperfeições que pudesse ter, o Provão era objetivo, possibilitava a elaboração de um ranking de instituições por critérios de qualidade e, até por constrangimento, obrigava as universidades com conceito baixo a investir na melhoria de seus cursos.

Ao substituir o exame compulsório por uma prova por amostragem e ao introduzir questões sobre "ética" e "globalização", a pretexto de medir o grau de conscientização dos estudantes, o Enade abre caminho para politização da avaliação do ensino superior. E, ao relativizar a importância da nota geral dos alunos para as pontuações dos cursos, impondo critérios como "responsabilidade social" para a conceituação das instituições avaliadas, o Enade inviabiliza o ranking nacional.

Quem sai favorecido são as universidades fracas ? as que se opunham ao Provão. Por isso, quaisquer que sejam as decisões que a USP, a Unicamp e a Unesp vierem a tomar com relação ao Sinãs e as medidas a serem adotadas pelas duas primeiras com relação ao Enade, uma coisa é certa. Com a ameaça de boicote, elas advertiram a sociedade brasileira e o próprio governo de que o ensino superior é uma atividade importante demais para ser convertida em instrumento de proselitismo ideológico.

Fonte: O Estado de S.Paulo
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