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Os mil caminhos para as universidades corporativas

      

Por Renata Aquino, de Salvador

As Universidades Corporativas foram o foco dos debates mais agitados hoje à tarde no Congresso ABED 2004. Uma mesa-redonda com representantes de instituições acadêmicas, consultores empresariais e dirigentes de corporações sumarizou várias visões diferentes e polêmicas sobre a educação em empresas.ÿ

Fátima Bayma, da FGV e UFRJ, iniciou como "representante da academia com muito orgulho". "? importante ressaltar a parceria necessária das universidades com as empresas, ter esse vínculo é fundamental", expôs a professora. A sinergia entre as competências da academia e das empresas é essencial para uma boa educação, de acordo com a professora. A empresa teria ainda a responsabilidade de fazer a "educação inclusiva", favorecendo a comunidade como um todo com seus programas de formação profissional.

André Pinto, da Universidade Corporativa da Petrobrás, levou ainda mais longe a idéia dos benefícios gerados pela empresa. Utilizando o modelo filosófico de Donald Kirkpatrick, o especialista da Petrobrás traçou vários níveis de resultado que podem ser obtidos com educação corporativa. No primeiro nível, há a reação, a experiência da educação que já beneficia o funcionário. O segundo nível é a aprendizagem, obrigatória para fases de implantação de novos projetos. O terceiro, a aplicação, é a união do conhecimento adquirido com a execução do projeto. O quarto e último nível para Kirkpatrick é o do resultado em si. Os resultados de uma avaliação, de acordo com André Pinto, não são muito levados em conta em Universidades Corporativas mas deveriam ser uma preocupação presente.ÿ

Homem biônico de US$ 6 milhões na Petrobrás

A grande novidade foi a definição de um quinto nível, a relação custo-benefício, extremamente interessante para Universidades Corporativas, de acordo com o especialista. Difícil de medir, essa relação se vê no desempenho competitivo da empresa. "Posso dizer que nos primeiros anos de implantação do e-learning, a Petrobrás economizou US$ 6 milhões de dólares, mas isso seria ainda falso porque isso é medido considerando-se o que não gastamos em educação presencial ou contratação porque implantamos o e-learning", conta André Pinto. "Para operar um máquina que custa US$ 4 milhões ao dia quando inativa, também precisamos do e-learning pois cada dia que não tinha um profissional capacitado, era um dia de máquina parada", complementou.

Herbert Gomes Martins, da UFRJ, revelou achados de suas pesquisas acadêmicas sobre educação corporativa. "A educação é feita com uma literatura marxista que diz que o trabalhador deve se libertar da empresa e do capitalismo", disse o pesquisador. "Afirmar aos acadêmicos que a empresa também educa é algo que ainda passa por muita resistência". Martins lembrou ainda que a empresa educa não por filantropia mas para competitividade no mercado.

Lucro de US$ 50 mil imediatos como possibilidade

Bertrand Carneiro da Silva Filho, da Millenium Inorganic Chemicals, foi direto ao ponto central de preocupação de muitas empresas. "Quando falo em educação corporativa, sou cobrado por resultados e tenho que dizer: esse curso vai trazer um lucro de US$ 50 mil, para que possam aprovar os projetos", disse ele. O ROI (Return of Investment - Retorno do Investimento) é uma preocupação que se estendeu para EAD com as Universidades Corporativas.ÿ

Eduardo Bastos, da FTC, mostrou uma pesquisa que confirmou as opiniões expostas. Apenas 5% das empresas fazem avaliações métricas de sua educação corporativa, 55% gostariam de fazer. Já 20% das organizações realizam estudos de ROI, 55% gostariam de realizá-lo. Mais preocupante ainda, 35% dos diretores acompanham e cobram resultados da educação corporativa e 60% não acompanham e não se informam sobre o processo. A pesquisa foi realizada com 80 empresas em todo Brasil.

Misãl França, da Deten Química, relatou uma experiência de educação corporativa exemplar. A empresa precisou mudar o sistema de concessão de privilégios dos Recursos Humanos para um sistema de medição de competência independente e, a partir daí, oferecer cursos de formação. O EducaDeten também apresenta resultados concretos e é cada vez mais popular entre os funcionários.

Agarrar novas oportunidades sem gastar mais tempo e dinheiro

Marcos Dalmau Batista, da UFSC, mostrou a visão única de um profissional da academia que também tem a perspectiva de consultor empresarial em educação. "Para a academia, as empresas formam profissionais práticos demais, já as empresas acham que os universitários são teóricos demais", contou Marcos. O professor explicou que as universidades corporativas nas empresas têm como objetivo motivar os profissionais, dar resultados vantajosos às empresas e reduzir os custos de oportunidade. Esses custos seriam seriam os de velocidade, adaptação e identificação de novas necessidades que as empresas precisam fazer.

No debate que se seguiu a apresentação, o público se mostrou preocupado com a inclusão das pequenas e médias empresas nos projetos de Universidades Corporativas. Soluções como a intermediação de associações comerciais e a união de grupos foram apontadas pelos participantes da mesa, que também tinham experiência na área.

Confira a cobertura completa do Congresso ABED 2004 https://www.universiabrasil.net/abed2004.jsp.

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