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Educação a distância, hoje

      
Fredric M. Litto

As mais importantes universidades do mundo, conhecidas pela qualidade do ensino e da pesquisa, fazem amplo uso de Educação a Distância (EAD). Dentre elas, podemos destacar a Universidade da California, M.I.T., Cornell, Harvard, Michigan, Indiana, Stanford, Oxford, Cambridge e muitos outras.

O M.I.T., por exemplo, há dois anos disponibilizou gratuitamente na web, em forma digital, todo o material de seus cursos, numa tentativa de apoiar alunos em outras instituições, públicas e privadas, bem como pessoas não-matriculadas mas com interesse em aprender.

O setor educacional que mais cresce mundialmente hoje é o de aprendizagem a distância. Abordagem bastante antiga, está recebendo nova vida com a chegada das novas tecnologias de comunicação, com seu poder desestabilizador, paralelamente com as novas exigências de capacitação humana numa sociedade de conhecimento.

Quando comparado a outros países, o Brasil está seriamente atrasado no uso de estratégias pedagógicas que envolvem uma forma ou outra de EAD.

Embora existam exemplos de sucessos de EAD, como o TeleCurso 2000 (atendendo 500 mil alunos por ano através da televisão em circuito aberto e material impresso), e os cursos via web nas universidades corporativas (para aproximadamente 200 mil executivos e funcionários), o potencial não realizado e a demanda reprimida ainda são enormes nos ensinos médio e superior. Grande parte do atraso está em ignorar esse fato. Há um certo preconceito contra a educação a distância por parte da população em geral ("não vi e não gostei!"). Esse preconceito é fruto da desconfiança e da ignorância, que reduz o conceito de EAD ao elementarismo dos cursos técnicos por correspondência.

Mas a EAD progride, a despeito das decisões e medidas burocratizadas encetadas por muitos conselhos estaduais de Educação, e ainda mais pelo Ministério da Educação durante a administração passada, que conseguiu durante oito anos desencorajar muitas instituições brasileiras que queriam iniciar atividades de aprendizagem a distância.

Felizmente, as perspectivas em 2004 são outras. O novo ministro de Educação já se manifestou favorável ao amplo uso de EAD em situações apropriadas porque sabe dos bons resultados em outros países e porque quer estender progressivamente o acesso à educação a um número cada vez maior de brasileiros.

O Brasil atualmente tem apenas 9% dos seus jovens de 18 a 24 anos matriculados em instituições de ensino superior, enquanto Argentina e Chile têm 30%, cada; Reino Unido, 40%; EUA, 55%; e Coréia do Sul, 85%. Considere-se ainda que a demanda social para lugares no ensino médio crescerá nos próximos anos de 8 milhões para 16 milhões de alunos.

Ficar "fisicamente longe" do conhecimento agora é "relativisado" porque a EAD consegue diminuir as barreiras de tempo e espaço. Por exemplo: muitos universitários norte-americanos, para acelerar a sua formatura, fazem cursos via web nas mesmas instituições e nas mesmas cidades onde estudam presencialmente; e muitas universidades de primeira linha no exterior não fazem distinção se o curso foi feito a distância ou não. O histórico escolar do aluno é o mesmo.

O Brasil está atrasado na área de EAD. Não temos um consenso de opinião sobre que modelo de estrutura seria melhor para a nossa realidade - centralizada ou descentralizada - nem sobre outras questões básicas, como: propriedade intelectual (se os direitos do conteúdo de cursos pertenceriam à instituição ou ao professor), que tecnologia ou tecnologias usar e para que público prioritário a EAD deve ser dirigida (alunos atuais presenciais ou um novo público, à distância).

Estas questões estão sendo debatidas esta semana, em Salvador, no XI Congresso Internacional da ABED - Associação Brasileira de Educação a Distância -, entidade fundada em 1995 e atualmente com 2,2 mil sócios no país, que ocorre no Hotel Othon Palace, até sexta-feira.

Informação: www.abed.org.br.

Fredric M. Litto - Professor da ECA-USP, coordenador da Escola do Futuro da USP e presidente da ABED.

Fonte: A Tarde
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