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Arquitetura: formação multidisciplinar

      

Se você pensa em estudar Arquitetura, prepare-se para ter uma formação multidisciplinar. Segundo o professor do curso de Arquitetura do Mackenzie e vice-presidente nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil, Gilberto Beleza, o graduando vai estudar desde disciplinas de conhecimento artístico até matérias como história da arte, história da arquitetura, passando por assuntos mais tecnológicos, como construção, sistemas construtivos e estrutura. "O arquiteto é um profissional que tem uma formação extremamente ampliada e isso é muito positivo, porque ao mesmo tempo é uma atividade de caráter tecnológico, artístico e cultural", afirma Gilberto.

O mercado de trabalho para o arquiteto merece ser discutido detalhadamente. Do ponto de vista econômico, o professor conta que o setor da construção civil, ao qual a Arquitetura é ligada, sofreu enorme recuo econômico no ano passado. Por outro lado, do ponto de vista profissional, o Brasil é um país que tem ótimas perspectivas para a atuação do arquiteto, pois ainda há muito a ser feito. "Temos um déficit habitacional muito grande, uma imensa necessidade de planejamento das nossas cidades e urgência de crescimento sustentável. E nisto, o arquiteto tem um papel fundamental. As perspectivas são bastante positivas, mas no momento não estamos atravessando um período muito otimista", declara o professor.

Confira abaixo os motivos que levaram um vestibulando, um graduando e um profissional a escolher o curso de Arquitetura:

Idade: 21 anos

Onde estuda: Cursinho da Poli
Camila Marcondes Goulart

Idade: 24 anos

Onde estuda: Instituto Presbiteriano Mackenzie
Tony Guedes Costa
Idade: 31 anos

Profissão: Arquiteta autônoma, graduada pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Maria do Carmo Ferraz Brazil Adorno
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?
Eu sempre tive vontade de cursar algo relacionado a desenho, porque sempre tive agilidade nesta área e em exatas. Desde a 8¦ série eu dizia que queria fazer Arquitetura. Era um sonho de criança, por isso comecei a correr atrás, a pesquisar sobre a profissão, e acabei gostando cada vez mais. Fiz um curso de Auto CAD 2D e gostei muito, me deu noções sobre planta baixa e planta alta e ainda pude fazer contato com vários arquitetos.
Graduando - Por que escolheu a profissão?
A escolha da profissão de arquiteto foi resultado de uma grande reflexão e uma decisão difícil, pois embora fosse minha escolha, teria de abrir mão de muitas conquistas. Sou técnico em Processamento de Dados e, durante muito tempo, dediquei-me à informática pessoal e profissionalmente. Até então, meus objetivos eram nesta área, porém sempre dizia que quando fosse mais velho faria Arquitetura. Era algo que me fascinava, embora não tivesse qualquer contato com a profissão. Há três anos, comecei a trazer aqueles planos futuros de fazer Arquitetura para o presente. Um pouco antes de ingressar no curso comecei a conhecer um pouco de Automação Residencial, que foi o elemento-chave na união de meus conhecimentos em tecnologia com o desejo de fazer Arquitetura.
Profissional - Por que escolheu a profissão?
Desde cedo eu já me interessava pelas formas, pelo uso e funcionalidade delas. Desde bem jovem eu já gostava de desenhar como seria o meu armário, por exemplo.
Vestibulando - O que espera do curso?
Eu quero aprender muito, espero que os professores sejam bons e que possam me ensinar do bom e do melhor. Quero desenvolver toda a minha criatividade nessa área. Penso em começar a trabalhar assim que entrar na faculdade, correr atrás de um escritório de arquitetura para já iniciar meu aprendizado.
Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?
Antes de iniciar o curso tinha uma visão romântica e limitada a respeito da Arquitetura. Sempre fui uma pessoa muito criativa e acreditava poder estabelecer um vínculo entre minhas habilidades e minhas escolhas profissionais através desta carreira. No começo, tive muitas dúvidas, mas elas estão se transformando em certezas. O curso vai além das expectativas. O arquiteto é um totalizador do conhecimento, um concentrador, um artista e um cientista que harmoniza a relação entre as ciências exatas e humanas.
Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?
Em alguns aspectos correspondeu bem, em outros - algumas matérias especificamente - só mesmo na experiência de trabalho que consegui aprender. Em alguns pontos a Faculdade deixa a desejar.
Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formada?
Eu já trabalhei bastante aqui em São Paulo e percebi que os arquitetos ganham em torno de R$ 2.000/3.000 por planta. Se por mês você faz uma planta, esse valor já está bom. Eu pretendo fazer muito mais.
Graduando - Quanto espera ganhar depois de formado?
Não consigo pensar em valores absolutos. As variáveis são muitas e ainda estou num período de descobertas. Algo que me preocupa é a desvalorização da figura do arquiteto na sociedade e acredito que medidas enérgicas precisam ser tomadas por parte das instituições de ensino e dos alunos de Arquitetura para mudar esse quadro em um futuro breve.
Profissional - Quanto ganha?
Varia muito. Cada área que você desenvolve na Arquitetura é diferente. Eu, por exemplo, trabalho com arquitetura comercial. Tem pessoas que trabalham com arquitetura residencial ou até outros tipos de desenvolvimento. Depende muito do caminho que você escolhe dentro da profissão. A partir do momento que você se forma, gira em torno de R$ 2.000 por projeto, daí para cima.
Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Nessa área tem que ter muita comunicação, agilidade de mostrar o seu projeto e muito conhecimento. O que há de melhor nessa área é demonstrar a sua criatividade para qualquer tipo de pessoa e, se a pessoa estiver interessada, você vai tentar convencê-la a comprar a idéia.
Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Muitas coisas, acho que o melhor da profissão será o contato com todos os tipos de pessoas e os novos desafios surgidos a cada projeto, que acrescentam tanto na vida profissional quanto pessoal.
Profissional - O que acha de melhor na profissão?
Eu acho que tem mais pontos positivos do que negativos. Sou muito feliz nessa profissão, cada trabalho para mim é um desafio. Nunca um trabalho é igual ao outro, é sempre diferente, tem sempre uma novidade. E fora o fato de que é muito legal mudar todo um ambiente, todo um comportamento. Muda a auto-estima das pessoas. E isso é o melhor da Arquitetura, poder mudar um ambiente, criar uma situação nova.
Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
O mercado de trabalho, com certeza. Ingressar é muito difícil, há muita concorrência. Por isso é importante conversar e conhecer muitas pessoas que podem ajudar de alguma forma.
Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
A desvalorização e ausência da figura do arquiteto na cultura do brasileiro. ? até estranho dizer isso, pois temos célebres arquitetos que nos representam no mundo todo, mas internamente, acho que o brasileiro não reconhece e não dá o devido valor a este profissional.
Profissional - O que você acha de pior na profissão?
Aqui no Brasil, a área ainda é um pouco restrita, existe um pouco de preconceito com relação à Arquitetura porque ainda está muito voltada para as elites. ? difícil você ver pessoas de níveis diferentes acharem que é importante o trabalho de um arquiteto. Ele não é ainda muito difundido.
Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
? uma profissão pouco reconhecida. Oscar Niemeyer é o único arquiteto mais conhecido. A meu ver deveria existir mais oportunidade para os arquitetos desenvolverem os projetos. Eu já fui na Bienal de Arquitetura e vi vários trabalhos muito legais para São Paulo, para o Brasil, mas são apenas projetos. Não existe investimento em Arquitetura hoje em dia.
Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
A profissão de arquiteto no Brasil lamentavelmente não vem recebendo o respeito que merece. O arquiteto precisa conhecer vários segmentos das ciências humanas e exatas e, principalmente, conhecer as pessoas. Em nossa sociedade do lucro, fica difícil encontrar a harmonia destes elementos e isso fica evidente na maioria dos novos empreendimentos imobiliários, que não possuem identidade, são meras produções seriadas sem qualquer valor estético. Unindo esse contexto à ausência da figura do arquiteto na cultura do brasileiro, fica difícil exercer a profissão. Mas cabe a nós, estudantes de arquitetura, começarmos a mudar esse cenário, pois a nossa é uma bela profissão, financeiramente recompensadora para os bons profissionais e acima de tudo responsável por dar forma às sociedades. Dois são os principais elementos de caracterização de uma sociedade: sua língua e sua arquitetura.
Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?
A gente tem grandes arquitetos aqui no Brasil, mas ainda é muito restrito, é só para alguns. No nosso país precisaria existir um apoio maior para a Arquitetura, para os novos profissionais aparecerem. ? raro o surgimento de novos talentos, pois há poucas chances, poucos concursos. Sempre são os mesmos que estão aparecendo.
Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Arquitetura e outras áreas?
Se a pessoa gosta de exatas, ela tem que fazer uma graduação em alguma área de exatas. Falam que a arquitetura saiu de dentro da Engenharia, mas é um curso que para quem gosta de decoração também é interessante, assim como quem aprecia desenho. Você tem um leque muito aberto de opções quando terminar a faculdade.
Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Arquitetura?
Conheçam a profissão, visitem alguns arquitetos, conversem muito, apaixonem-se e quando chegarem à decisão, escolham uma boa universidade, pois sem dúvida isto será determinante em seu sucesso profissional. Depois disso, estudem, estudem e estudem.
Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nesta profissão?
A dica é viajar muito, e se não viajar, ler muito sempre, conhecer muitas coisas é o que mais vale nessa profissão, porque a criatividade é o que conta. Não digo só viajar para o exterior, mas conhecer pessoas diferentes, culturas diferentes. Ler muito e se interessar muito por arte.
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