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Movimento estudantil e reforma universitária

      
José Janguiê Bezerra Diniz - Presidente do Siespe e diretor-geral da Faculdade Maurício de Nassau

Lá vão eles, caminhando contra o vento. Sempre contra. ? o que tem demostrado o movimento estudantil durante os debates sobre a Reforma Universitária. Eles querem fazer barulho, mas não acrescentam nada à proposta. Quando muito chegam com panfletos cheios de bordões do tipo: por uma universidade pública e de qualidade. Termos vagos que não contribuem em nada com a formulação de um projeto consistente.

No último mês de agosto, no Rio de Janeiro, estudantes de universidades públicas depredaram o prédio da Delegacia do Ministério da Educação, tudo para mostrar que eram contra a proposta de Reforma do Governo federal. A mesma falta de civilidade foi demonstrada por representantes da UNE durante palestra do ministro da Educação, Tarso Genro, no Dia do Estudante, em São Paulo. O ministro fazia explanações na Assembléia Legislativa, quando foi calado por um apitaço.

?, no mínimo, contraditório. Logo quem costuma levantar bandeiras para defender a liberdade de opinião vem agora interromper o ministro de se expressar. E não se pode alegar que esses levantes sejam gerados pela falta de representação dos estudantes nas discussões. A tribuna está aberta para todos os setores da sociedade, incluindo instituições públicas, privadas, corpo docente e discente.

Os estudantes não devem ser passivos a qualquer proposta que se apresente. Eles têm o direito e o dever de opinar nos assuntos referentes à educação, mas devem lembrar que vivemos em uma democracia, onde existem formas mais legitimas de expressar opinião do que essas manifestações barulhentas e violentas.

Um dos instrumentos de exercício de cidadania está assegurado pela Constituição e refere-se ao ajuizamento de uma ação popular. Qualquer grupo de cidadãos pode interferir na administração pública, buscando fazer valer os interesses da coletividade através de abaixo-assinados. O documento deve contar assinaturas de, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuídos em cinco estados.

Outra forma do movimento estudantil defender suas posições seria a participação nas audiências públicas sobre a Reforma Universitária, realizadas por região. Espaços onde representantes de diversos setores poderiam apresentar suas propostas. Porém, a primeira tentativa, no último mês de junho, em Manaus, fracassou diante de mais uma manifestação de um grupo exaltado.

As reivindicações são sempre as mesmas: querem cota, querem creche, querem restaurantes universitários, enfim, querem ser abraçados por um Estado paternalista. São iguais também na visão dualista que têm do mundo: público x privado, socialismo x capitalismo. Citam o Manifesto Comunista, vestem a camisa com a imagem de Che Guevara (mais pop só a imagem de Marylin Monroe retratada pelo serigrafista Andy Warhol), levantam faixas contra o FMI e não se cansam de cantar Geraldo Vandré.

Mas não se pretende aqui fazer juízo de valor sobre as propostas que defendem, muito menos questionar o estereótipo do grupo. Se realmente acreditam naquilo que pregam, devem sim ir às ruas, mas não para interromper o trânsito ou qualquer outro tipo de levante contra a ordem pública. Vão para as praças, convoquem a população, apresentem suas propostas, tentem conquistar seguidores, sem fazer baderna nem depredar o que é de todos. Isto sim é o que é democracia.

Fonte: Diário de Pernambuco
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