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Unidos contra reforma universitária

      
Há alguns anos, seria um cenário típico de manifestação petista contra um governo qualquer de direita. As camisas vermelhas, as inúmeras faixas com mensagens de protesto, o tom ácido das críticas e os livros comunistas e socialistas à venda ontem na entrada do Minas Tênis Clube, no entanto, marcaram o encontro de professores, servidores e alunos de universidades públicas, além de militantes do PSOL e do PSTU, contra a reforma universitária proposta pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Indignados com a "falta de diálogo" com o Ministério da Educação, os servidores do ensino público superior prometeram intensificar a luta contra o que chamam de privatização das universidades federais.

Cerca de 1,2 mil pessoas de todos os estados brasileiros atenderam o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), e compareceram à Plenária Nacional. Foi o pontapé inicial para uma série de protestos em todo o País que culminarão com uma grande marcha nacional no dia 25 de novembro, em Brasília. A intenção é unirem-se ao movimento sindical e trabalhista, que amanhã fará um encontro para discutir a reforma para a categoria.

O Andes elaborou uma cartilha com as principais críticas à reforma. Uma das mais contundentes é o incentivo do governo federal às atividades externas para captação de recursos. Rodrigo Dantas, presidente da Associação de Docentes da Universidade de Brasília (AUnB), ressalta que a UnB já realiza este tipo de atividade, ainda que em pequena escala (com o Cespe e o funcionamento de cursos de extensão, por exemplo), por conta da pouca verba federal e dos arrochos salariais. No entanto, para ele, institucionalizar a medida traria impactos negativos na produção de conhecimento.

- Cursos que não têm apelo mercadológico, como filosofia ou sociologia, terão dificuldades de se sustentar. Daqui uns dez anos, veremos realidades distintas: faculdades completamente sucateadas em meio a verdadeiras ilhas - prevê Dantas, afirmando que experiências semelhantes implantadas em outros países, como o Chile, trouxeram resultados devastadores.

Representando a Frente Parlamentar em Defesa da Universidade Pública Gratuita, participaram do encontro os deputados federais Babá (PSOL/PA) e Luciana Genro (PSOL/RS), expulsos do PT em dezembro do ano passado. Sem poupar críticas à política desenvolvida pelo pai, o ministro da Educação Tarso Genro, Luciana afirma que a compra de vagas nas universidades públicas - o Programa Universidade Para Todos (Prouni) - seria a legalização da "pilantropia".

- ? aprofundar o repasse de recursos à rede privada de ensino - disse Luciana, reclamando que boa parte das medidas já estão sendo implementadas.

Universitários Estudantes de diversas universidades do País também participaram da plenária. Representando a diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE) que "não se omite das discussões sobre a reforma", como faz questão de frisar, o vice-presidente da entidade, Rafãl Pops, e cerca de 20 diretores foram defender a posição de que só com o Estado provendo a educação superior há condições de realizar grandes pesquisas.

Desde sexta-feira em Brasília, os estudantes de Engenharia Florestal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Kelysson de Freitas, 25 anos, Ana Beatriz Dornellas, 18 e Marcus Vinícius Muniz, 28, fizeram questão de participar do encontro. Na semana que vem, a caravana de 40 cariocas seguirá para Cuiabá (MT), para participar de um congresso sobre o tema.

- Espero que não aconteça aqui o mesmo que no Rio. Com o encontro de militantes do PT e do PSTU, o discurso acaba desviando do tema principal, que é a reforma, e vira político - diz Kelysson.

Fonte: Jornal do Brasil
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