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Notícias

Imersão no VER-SUS Brasil - Sábado, 11 de setembro

      

Pela manhã, fomos para unidades de saúde que ainda não tinham sido visitadas. Desta vez nos dividimos em um grupo composto pelas universitárias que estão no mesmo quarto que eu e fomos visitar a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no centro da cidade. A afinidade entre nós tem sido muito grande e mesmo sendo de cursos distintos, todos temos diferentes impressões, o que enriquece a experiência e a vivência.

Essas experiências têm sido bem difíceis para mim. Encarar a realidade, a dificuldade, o descaso e o abandono pelos quais passam as pessoas que se utilizam do SUS é muito sofrido. Vejo as pessoas na fila esperando por atendimento, sofrendo e, muitas vezes, precisando de atenção e carinho de um profissional e isso não acontece. São renegados a uma condição de marginalidade.

· tarde, nosso grupo fez uma visita ao Cobom (Corpo de Bombeiros) local. Acho que além de instrutiva, a visita serviu como válvula de escape diante de tanto sofrimento que vimos na parte da manhã. A sensação mais presente que tenho tido é de impotência frente a esta realidade. Uma sensação de que este descaso sempre acontece e sempre vai acontecer porque é histórico e cultural e as pessoas acostumadas com este tipo de acontecimento não se mobilizam para mudar a realidade.

Ao mesmo tempo me pergunto: qual o nosso papel aqui? ? realmente levantar a discussão? O que o Ver-SUS nos proporciona além dessa constatação e observação da fragilidade da Saúde Pública? Qual o papel do universitário? Vivenciar? Observar? Discutir? O que fazer?

Estas indagações estão muito presentes no meu dia-a-dia aqui. A angústia é muito grande em não poder fazer nada frente a tantas problemáticas. Existe uma sensação de mediocridade e hipocrisia porque isso sempre esteve lá. Temos notícias disso nos jornais, revistas, mas mesmo assim acabamos endurecendo. Tem sido muito difícil. Há momentos em que dá vontade de ir embora e fazer de conta que você não sabe de nada. Talvez eu não tenha me preparado para essa realidade. O sofrimento é muito constante, talvez eu não tenha preparo necessário para trabalhar com saúde e talvez ninguém tenha, não sei. Tenho muitas incertezas, não sei até que ponto estamos ou estou preparada para enfrentar estes questionamentos.

* Lilian Burgardt é aluna do quarto ano de Jornalismo da Uni SantïAnna, de São Paulo

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