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Curso de MBA brasileiro atrai cada vez mais estrangeiros

      
A portuguesa Raquel Ortas Rodrigues teve uma surpresa quando seus professores do curso de Desenho Industrial do Iade (Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing) de Lisboa recomendaram o Brasil para uma pós-graduação na área de comunicação. "Quando expliquei minhas pretensões, os professores disseram que os maiores comunicadores do mundo são os brasileiros." Com inglês e espanhol fluentes, a designer de 23 anos cogitava continuar seus estudos em Madri ou Londres. Mas gostou da idéia de voltar ao país onde havia passado férias inesquecíveis, na região Nordeste, em 2002.

Aluna da pós-graduação em Comunicação com o Mercado da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) do Rio, Raquel faz parte de uma inesperada leva de estudantes estrangeiros que desembarcam no Brasil atrás de mestrados. Não só na área de marketing mas também em administração, negócios e recursos humanos. Acostumadas com a demanda inversa, onde alunos brasileiros sonham fazer MBA no exterior, as escolas começam agora a se adaptar à nova situação. "Estamos vivendo os reflexos da globalização", observa Paulo Lemos, superintendente de educação continuada da Fundação Getúlio Vargas (FVG-Rio), que vem atraindo espontaneamente um amplo leque de estudantes sul-americanos, de países como Colômbia, Peru, Uruguai, Bolívia e Argentina.

No Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec), do Rio, são os europeus que predominam, vindos por meio dos convênios firmados pela instituição com cinco universidades da França, Espanha e Portugal, e também por contato direto dos estudantes. "Os europeus têm muito interesse em possuir uma experiência de economia em mercado emergente", explica Teresa Cristina Faria Fernandes, coordenadora de assuntos acadêmicos do Ibmec. "A admiração pela democracia brasileira e pelo presidente Lula, e a importância do país nas negociações comerciais estão chamando a atenção dos europeus, que já falam inglês e querem sair desse viés americano dos MBAs", afirma Alexandre Mathias, diretor geral da ESPM. "Na área de marketing, o Brasil já é reconhecido internacionalmente", diz.

Foi o potencial de negócios entre França e Brasil que atraiu o francês Didier Guigon a iniciar em abril um MBA em Comércio e Finanças Internacionais na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Engenheiro em telecomunicações, Guigon trabalha em uma multinacional que vende produtos para o mercado latino-americano, tem uma esposa brasileira e acredita que os novos conhecimentos sobre aspectos comerciais brasileiros, como legislação e impostos, serão importantes quando voltar para a França, no próximo ano. "Estou interessado em fazer contatos no Brasil para, no futuro, desenvolver negócios conjuntos", diz o engenheiro. "Há grandes oportunidades no comércio entre os dois países."

Para os europeus, a relação custo-benefício do curso é vantajosa. Tanto Guigon quanto a portuguesa Raquel destacam que, em euros, a pós-graduação no Brasil é barata, para a qualidade do ensino oferecida e a vivência proporcionada pela experiência. "As matérias são muito parecidas com as lá de fora e o nível é comparável ao das grandes universidades", diz o dinamarquês Anders Brix Serup, que estuda Recursos Humanos e Negócios Internacionais no Ibmec, depois de passar pela Copenhagen Business School. Serup diz que os professores de sua universidade não conheciam o ensino brasileiro a ponto de recomendá-lo, mas acredita que a boa performance dos executivos daqui em cargos no exterior está ajudando a propagar a fama do país.

O francês Guigon não duvida do bom nível do ensino, mas acredita que o mestrado brasileiro não será tão valorizado no seu currículo quanto um equivalente europeu. "Não me importo, porque sei que o benefício é o mesmo, com a vantagem de me proporcionar contatos importantes", diz o engenheiro. "Além disso, eu não teria como pagar do meu bolso, em euros, esse mesmo curso na França."

Apesar de alguns estudantes apontarem o idioma local como um benefício a mais, pela oportunidade de aprendizado, os diretores reconhecem nas aulas em português uma barreira para a globalização das instituições de ensino brasileiras. "Estamos fazendo estudos para oferecer algumas disciplinas em inglês", diz Mathias, diretor da ESPM, que firmou um intercâmbio com uma universidade portuguesa e, neste semestre, recebe os primeiros dois alunos espanhóis frutos de nova parceria em Madri. "Os estrangeiros trazem conhecimento e diversidade para dentro da sala de aula. ? uma oportunidade para outros alunos e para a escola."

No mesmo caminho, a FGV do Rio estuda a criação de um mestrado internacional em administração, com matérias em inglês ou espanhol. "? impressionante o aumento desse tipo de demanda", conta Lemos, da FGV. "Na nossa primeira turma de MBA à distância tivemos as inscrições de um suíço e um americano, sem ter feito qualquer divulgação fora do país."

Mathias, da ESPM, destaca o interesse nos estrangeiros em aprender o português durante a estadia no Brasil. "Mas é uma tarefa é árdua demais para quem nunca teve contato com a língua", conta a colombiana Maria Mercedes Galindo, que faz pós-graduação em Logística Empresarial na FGV. Ela diz que tinha dores de cabeça terríveis nas primeiras aulas, porque precisava prestar a atenção na matéria e no idioma. "Já errei uma questão de uma prova de matemática porque não entendi direito o texto." Com um professor particular de gramática, Maria Mercedes ressalta que o esforço vale a pena, já que um de seus objetivos é aprender o português.

Os estrangeiros não escondem que por trás da opção também há um interesse cultural e principalmente turístico. Um dos sinais mais evidentes é a procura pelo Rio de Janeiro e não por São Paulo, onde todas as escolas têm estruturas semelhantes. "Eles querem juntar o útil com o agradável", diz o diretor da ESPM. "Chegam aqui com o bolso cheio de euros, querem morar na Zona Sul e viajar no fim de semana." A ESPM vai promover um intercâmbio entre a unidade carioca e a paulista para que os alunos estrangeiros conheçam, também, a capital dos negócios no país.

Fonte: Valor Econômico
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