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Conhecendo o mestrado profissional

      


Mestrado para profissionais

Por Carlos Brazil

Mestrado profissional. Esta é uma modalidade de curso ainda pouco presente no mundo acadêmico brasileiro, mas que possui uma importância significativa e responde a um perfil de formação de pessoal que era apenas atendido até pouco tempo pelo conhecidos cursos de especialização ou MBAs.

Atualmente, existem 110 mestrados profissionais no país reconhecidos pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - órgão responsável pelo reconhecimento e avaliação de cursos de pós-graduação stricto sensu), a maioria deles em instituições públicas.

De acordo com a CAPES, o "mestrado profissional" é a designação do mestrado que enfatiza estudos e técnicas diretamente voltadas ao desempenho de um alto nível de qualificação profissional. Essa ênfase é a única diferença em relação ao mestrado acadêmico. Confere, pois, indênticos grau (de mestre) e prerrogativas, inclusive para o exercício da docência e, como todo programa de pós-graduação stricto sensu, tem a validade nacional do diploma condicionada ao reconhecimento prévio do curso. Desta forma, o principal objetivo deste tipo de curso é responder a uma necessidade socialmente definida de capacitação profissional com um enfoque diferenciado daquela possibilitada pelo mestrado acadêmico

"Nós temos um curso de mestrado que historicamente formou professores, mas que com o andar da carruagem se via ofuscado na formação de professores pelo doutorado. O que nós vimos acontecer? Profissionais - não que o professor não seja um profissional - das áreas de Marketing, Finanças, de Produção procuraram a universidade para uma formação a mais, além daquela do seu curso superior de origem, formação essa que os cursos de especialização não davam, até porque têm um papel de agregar alguns conhecimentos, e não de gerar um profissional mais complexo. A especialização gera um profissional mais completo, mas não mais complexo. As organizações, de um modo geral, empresas, instituições, etc., começaram a exigir profissionais mais complexos. Esses profissionais, se enxergados como clientes, estavam procurando um produto que não era o que nós estávamos oferecento. Então, foram desenvolvidos produtos para atender aos profissionais daquelas áreas, e não os professores que já estavam sendo atendidos pelos mestrados e principalmente pelos doutorados", explica o professor Paulo Antônio Zawislak, coordenador do Programa de Pós-graduação em Administração da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Apesar de o mestrado profissional, como estabelecido pela própria CAPES, ter o mesmo efeito legal do mestrado acadêmico, abrindo, assim, inclusive, a possibilidade dos portadores desse título poderem atuar como docentes em instituições de ensino superior, o foco não é esse. "Não é essa a proposta do curso. Apesar de algumas pessoas fazerem o mestrado profissional tendo em vista a possibilidade de dar aulas, não é essa a proposta", alerta o professor Ronaldo de Breyne Salvagni, coordenador do curso de mestrado profissional em Engenharia Automotiva da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo).

"O mestrado profissional é uma modalidade de mestrado criada em 1998 pela CAPES, do MEC (Ministério da Educação), e tem essa finalidade de ser um curso para o profissional, para alguém que está atuando profissionalmente. O mestrado acadêmico e o doutorado são mais para formar pesquisadores, professores, um pessoal mais acadêmico... Essas duas modalidades não são invensão nossa. Já existem, principalmente nos Estados Unidos. Lá você tem o MSc, Master of Sciences, que corresponde ao acadêmico, e os mestrados profissionais, como o MA, Master of Arts, o MBA, Master in Business Administration, o ME, Master in Engeneering, etc. Quando foram criados os mestrados no Brasil, a proposta inicial era realmente ter as duas modalidades (acadêmica e profissional), mas uma só que se desenvolveu mais, que é a acadêmica. Por isso a CAPES, agora em 1998, resgatou a proposta inicial e criou essa modalidade", lembra Salvagni.

Cursos avaliados

Com a oferta dos mestrados profissionais, as instituições de ensino superior oferecem um tipo de curso que não era oferecido de forma sistemática. Além disso, como trata-se de uma modalidade de curso stricto sensu, o mestrado profissional, para existir, tem de ser credenciado pela CAPES. Este órgão é responsável também pela avaliação desses cursos.

? justamente aí que o mestrado profissional leva vantagem sobre os cursos de especialização e os MBAs: "O mestrado profissional é avaliado pela CAPES. Então, eu tenho um selo de qualidade que o mestrado lato sensu - também conhecido como especialização e que inclui os MBAs - não tem. O mestrado lato sensu não é avaliado, você não tem uma garantia da qualidade dele. Esse é o grande problema do MBA no Brasil: ele não é avaliado pela CAPES e você não tem condições de saber se ele é bom ou ruim", afirma o professor Renato Janine, diretor de Avaliação da CAPES.

Adequação

Para atender de forma personalizada as necessidades dos profissionais que buscam formação nos mestrados profissionais, foi necessário adequar o formato, a dinâmica e os programas a estas necessidades.

"O mestrado chamado acadêmico é hoje a porta de entrada para a formação acadêmica de alto nível. Esses cursos têm aulas pela manhã, à tarde, eles não estão muito preocupados com a profissão do aluno. O mestrado profissional não: nós estamos preocupados com a pessoa que já está integrada no mercado de trabalho, ela exerce a profissão que lida com Administração e vem até a universidade buscar uma complexidade que não tinha até então. Nós alteramos inclusive nosso horário de trabalho, porque queremos que esse profissional continue trabalhando. Enquanto no mestrado acadêmico queremos que o aluno fique estudando o tempo todo, no mestrado profissional eu quero que ele continue trabalhando para trazer as suas preocupações, descobertas, o seu aprendizado prático para dentro da sala de aula. Então, é uma dinâmica completamente diferente, mas eu gero mestres ao final do processo", explica Paulo Antônio Zawislak.

Isso tudo reflete-se em um formato de interação em sala de aula muito diverso e interessante, porque mistura pessoas de um patamar profissional muito semelhante mas de setores diferentes, lembra Zawislak. Segundo ele, no mestrado acadêmico você tem jovens com grande disposição para ler, escrever e aprender muito nos livros, artigos, o que representa uma dinâmica mais dura, mais científica. No mestrado profissional, a dinâmica é mais articulada, prática, ligada ao dia a dia daquelas organizações que estão representadas por diferentes executivos que naquele instante são alunos. "Eu tenho uma brincadeira em que digo assim: no mestrado acadêmico você tem pessoas cuja profissão é ser aluno; e no mestrado profissional você tem profissionais que estão alunos naquele momento", lembra o professor da UFRGS.

Perfil diverso

Também o perfil do aluno de cursos de mestrado profissional é bastante diverso daquele registrado nos mestrados acadêmicos. Enquanto nestes últimos a presença de jovens formados há pouco tempo é maior, no mestrado profissional enquadram-se pessoas que já possuem uma certa experiência.

"Tem um perfil de 25, 30 anos no mestrado acadêmico e de 35, 45 anos no mestrado profissional", lembra Zawislak, referindo-se ao curso na área de Administração que coordena.

E a demanda pelo mestrado profissional?

"Está crescendo, mas ainda abaixo do que desejamos. Nós pretendemos na CAPES fazer um incentivo muito grande aos mestrados profissionais promovendo uma boa discussão, porque há várias áreas que têm preconceito. O Direito, por exemplo, é uma área que tem um perfil muito profissionalizante, mas até o momento não tem nenhum mestrado profissional. Poderia ter mestrados profissionais formando árbitros, gestão de juízes. Tudo isso seria muito factível em Direito e muito positivo, mas ainda não há", diz Renato Janine.

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