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Professor da Unesp/São José do Rio Preto é líder da equipe brasileira na 12¦ Competição Internacional de Matemática para Universitários

      
Dimitar K. Dimitrov, docente do Departamento de Ciência da Computação e Estatística do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Unesp, campus de São José do Rio Preto, foi o líder da equipe brasileira na 12ª Competição Internacional de Matemática para Estudantes Universitários (IMC).

No período de 22 a 28 de julho deste ano, sob a liderança de Dimitrov e de Rodrigo Villard (vice-líder e mestrando da UFRJ), a equipe brasileira obteve seu melhor resultado em três anos de participação na IMC.

Pela primeira vez na história dessa competição, um estudante da América Latina, o brasileiro Alex Corrêa Abreu (UFRJ), conquistou um Grand First Prize, distinção que corresponde a um prêmio especial outorgado somente aos melhores colocados entre os ganhadores de medalhas de ouro.

Alex Corrêa Abreu ficou entre os sete melhores competidores, ao lado de estudantes das Universidades de Princeton (Estados Unidos), de Szeged (Hungria), de Zagreb (Croácia), da Universidade Eötvös Loránd (Hungria), do Kiev Polytechnic Institute (Ucrânia), e da Universidade Estadual de Bielorussia, que tradicionalmente prepara sua equipe durante todo o ano e que melhor se destaca nessa competição.

A 12ª IMC ocorreu em Blagoevgrad, na Bulgária, e reuniu mais de 82 universidades de 30 países diferentes, contando com algumas das principais instituições de ensino do mundo, como Princeton (Estados Unidos), Cambridge e Oxford (Inglaterra), École Polytechnique (França), Instituto Max Planck (Alemanha), Instituto Technion (Isrãl), Universidades de Szeged (Hungria), Universidade Complutense (Madri), Universidade Estadual de Bielorussia e Universidade de Moscou (Rússia).

Universia: Professor Dimitrov, o Sr. poderia falar um pouco sobre a Competição Internacional de Matemática para Estudantes Universitários e sobre o desempenho da equipe nacional na 12ª edição desse evento? É verdade que a IMC surgiu na Bulgária?

Dimitrov: Sim. A Bulgária é um dos países com maior tradição em olimpíadas e competições matemáticas. O time búlgaro está, quase sempre, entre os primeiros países classificados na Olimpíada Internacional de Matemática, sendo o único que conseguiu vencer a China no ano de 2003. Em 1994, a Bulgária deu início à Competição Internacional de Matemática, atualmente considerada uma das maiores competições de Matemática para estudantes universitários que existe. As três primeiras edições desse evento ocorreram na Bulgária e, a cada ano, mais e mais países aderem à competição; todos os anos as melhores universidades do mundo enviam representantes para a IMC. Durante dois dias de competição, os estudantes precisam resolver 12 problemas matemáticos extremamente complexos (6 em cada dia). Neste ano, mais de 20 estudantes brasileiros, provenientes de diversas instituições, como IME, ITA, PUC, UFRJ, UFC, UFCG, UFES, UNICAMP e USP, foram selecionados pelo comitê da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), para participar da IMC. Ao todo, 17 jovens, de 18 e 19 anos de idade, embarcaram para a competição. Além do Grand First Prize, a equipe brasileira conquistou mais duas medalhas de ouro, quatro de prata, seis de bronze e quatro menções honrosas; foi o melhor resultado obtido pelo Brasil, que participa da IMC desde 2003.

Universia: Como surgiu o convite para a liderança? Dimitrov: Tenho um bom relacionamento com algumas pessoas do IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), responsável pela organização da OBM juntamente com a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). No início do mês de maio deste ano, um dos responsáveis pela OBM telefonou para mim, oferecendo a liderança da equipe brasileira na 12ª IMC, o que me deixou muito contente. Na mesma época da competição (julho), eu já estaria fora do País, participando de vários congressos pela Europa e, por isso, decidi auxiliar os jovens talentos.

Universia: O Sr. ficou responsável pelo treinamento dos estudantes? Dimitrov: A preparação para a prova incluiu uma série de exercícios, elaborada por professores e por ex-participantes da competição, aulas e treinamento via internet. Três listas de problemas foram preparadas pela OBM, e eu disponibilizei, em minha página pessoal na Internet, algumas apostilas com sugestões de problemas a serem resolvidos.

Mas, na realidade, os jovens selecionados para IMC se auto-preparam. Eles têm uma longa experiência adquirida pela participação em competições matemáticas desde a Educação Básica, são competentes, talentosos e desenvolveram metodologias de estudo próprias. Universia: Quais as maiores dificuldades enfrentadas na competição? Dimitrov: Participar de uma competição desse porte é sempre um grande desafio profissional não somente para os estudantes.

Porém as dificuldades mais recorrentes foram sobre questões práticas do dia-a-dia num país de cultura extremamente diversa da brasileira, além de problemas relacionados ao embarque e ao desembarque dos estudantes.

Universia: Qual o sentimento que a sua atuação como líder e o desempenho da equipe brasileira lhe trouxeram?

Dimitrov: Uma imensa alegria e satisfação. A liderança me possibilitou o enorme prazer de conviver com jovens muito talentosos e de auxiliá-los de alguma forma. Foi uma experiência muito gratificante.

Universia: O Sr. dará continuidade a esse trabalho? Dimitrov: Em fevereiro de 2006, ministrarei um minicurso no IMPA ? Rio de Janeiro, no qual abordarei problemas com o mesmo grau de dificuldade oferecido pelos da competição, direcionando a participação do time para a próxima edição da IMC.

Universia: O Sr. já havia participado de alguma competição semelhante? Dimitrov: Foi a primeira vez que assumi a liderança de uma equipe numa competição. Quando graduando, aos 20 anos de idade, participei do time búlgaro na Competição Balcânica de Matemática.

Universia: Num texto divulgado recentemente por um jornal universitário, consta que o Sr. também integrou o júri internacional para elaboração e correção das provas da competição. Não houve o risco de uma atuação parcial?

Dimitrov: Não. A elaboração e a correção das provas seguem procedimentos muitos rígidos e passa pelo crivo de mais de um corretor, além disso, o júri internacional para a correção e para a elaboração das provas é composto por todos os líderes das equipes competidoras e os trabalhos corrigidos são anônimos.

Universia: E como as provas são corrigidas? Dimitrov: Para a correção, o júri é dividido em pequenas bancas ou comitês que ficam responsáveis não só pela correção das provas, mas também pelo estabelecimento de critérios que permitam uma avaliação justa do desempenho dos participantes. Cada jurado corrigiu, em média, 60 provas. Após essa etapa, os trabalhos são reunidos numa pilha e cada jurado seleciona mais 60 provas para corrigir autonomamente. Essa nova correção é comparada à correção anterior e quando há diferença de mais de um ponto entre as correções, o trabalho é revisto pelo comitê, que decide o resultado final.

Também há sessões de recorrência para os participantes que acreditam que não houve uma avaliação adequada de seu desempenho. Nessas sessões, o desempenho do líder é fundamental, pois, por meio da sua interseção, a avaliação do desempenho do estudante pode ser reconsiderada positivamente.

Universia: O Sr. é búlgaro e também fala inglês, russo e português, o conhecimento desses idiomas deve ter sido muito válido nas sessões de recorrência. Dimitrov: (risos)

Universia: Professor, quem financia a participação dos estudantes brasileiros na IMC? Dimitrov: A organização da OBM (IMPA e SBM), auxilia financeiramente os estudantes, efetuando o pagamento das taxas de inscrição e cobrindo os gastos locais. Geralmente, as universidades representadas pelos participantes fornecem as passagens aéreas.

Universia: Na sua opinião, qual a importância de competições como a IMC e a OBM? Dimitrov: A OBM estende e divulga a Matemática no país inteiro. Num país onde existem áreas muito carentes, as olimpíadas e as demais competições matemáticas constituem uma ferramenta para a descoberta de novos talentos. Todo jovem precisa mostrar suas habilidades, sua inteligência e para um jovem com talento em alguma ciência não há nada melhor do que participar e ganhar uma competição para convencer a si mesmo de que é bom e competente. Quando uma pessoa talentosa descobre o seu talento, para ela torna-se muito mais fácil direcionar seus esforços.

Fonte: Unesp/Ibilce/São José do Rio Preto

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