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Menos jovens querem ser economistas

      
Thiago Copetti

A carreira de economista motiva cada vez menos os jovens brasileiros. Ao mesmo tempo em que o Ensino Superior em geral se expandiu no país, as salas de aula das faculdades de Ciências Econômicas foram ficando vazias. Enquanto cursos como Direito e Administração tiveram o número de matrículas ampliadas em mais de 100% no Brasil entre 1995 e 2003, os de Economia registram queda média de 10,3 % nas turmas.

? rara nas escolas do Ensino Médio a presença de jovens como Guilherme Fagundes Silveira, 16 anos. O estudante é o único entre os 217 alunos do Colégio Anchieta que concluem o Ensino Médio em 2005 a revelar vocação para o curso. Na lista de interessados em saber mais sobre a atividade de economista, em um projeto interno para aproximar os jovens da profissão, apenas o nome de Guilherme foi escrito.

- Me decidi pelo curso há uns dois anos, quando estava dividido entre Sociologia, Comércio Exterior e Economia. Os colegas, em geral, acham que, como é mais fácil passar no vestibular, os salários depois também serão baixos. Mas eu acho que tem muitas oportunidades - afirma o jovem, que planeja atuar como corretor de ações de bolsa de valores.

Inscrito para o próximo vestibular de verão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Guilherme vai enfrentar a menor concorrência para ingressar no curso dos últimos quatro anos. Mesmo sendo uma das mais tradicionais do país na área e tendo conceito A no Provão, a Faculdade de Economia da UFRGS registra o desinteresse pela atividade. Entre os vestibulares de 2003 e de 2006, as inscrições para a disputa tiveram 142 estudantes a menos, o que representa queda de 17,3%.

Estudantes preferem formação mais prática A baixa procura pela faculdade se deve à atração exercida por outros cursos na área - como Administração, Comércio Exterior e Contabilidade - considerados mais práticos e menos teóricos do que a ciência econômica, segundo professores e economistas do mercado. Também a complexidade dos assuntos estudados, que englobam conhecimentos teóricos, conceituais, históricos e matemáticos, é apontada como uma das causas do distanciamento dos jovens destas faculdades.

- Brinco com meus alunos que, antigamente, as faculdades de economia preparavam os jovens para ser ministros, mesmo que a probabilidade de que isso acontecesse fosse pequena e apenas um de cada vez pudesse sê-lo - conta o coordenador da Faculdade de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), Leandro de Lemos.

Voltar a atrair os jovens sem perder o foco analítico que caracteriza a faculdade de Ciências Econômicas é um dos maiores desafios. Dar às aulas uma feição moderna sem prejuízo à teoria e ao pensamento econômico generalista criou um dilema para o setor, avalia o diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, Gentil Corazza. A modernização é mais acentuada nas faculdades particulares, que precisaram reagir rapidamente contra a perda de alunos, diz Corazza:

- Precisamos discutir novos rumos para os cursos de Economia também nas faculdades privadas.

( thiago.copetti@zerohora.com.br )

O que afastou os estudantes > Em épocas distintas entre os anos 60 e 80, o Brasil viveu períodos que levavam economistas aos noticiários com freqüência, avaliando do crescimento do país até a hiperinflação. Menos presente nos noticiários após a estabilidade da moeda, a partir de 1994, a profissão de economista perdeu status no imaginário dos jovens e passou a ter menos procura.

> O curso é mais denso, teórico e complexo do que faculdades como Administração, Comércio Exterior e Contabilidade, por exemplo, que rivalizam com as Ciências Econômicas na conquista por alunos.

> Excessivamente voltados às demandas do setor público, os cursos de Economia passaram a ser menos atrãntes quando se iniciou a visão de enxugamento da máquina estatal e a conseqüente absorção de menos servidores.

> A contratação de economistas por empresas é escassa, falta valorização do profissional no setor privado.

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