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Emocional prejudica universitários

      
PESQUISA - Trabalho, feito por amostragem, constatou que média de estudantes nordestinos atingidos por crises é maior que a nacional Uma antiga preocupação dos psicólogos foi confirmada e vem sendo debatida no meio acadêmico: alunos que passam por crises emocionais têm rendimento escolar prejudicado e, em alguns casos, até acabam abandonando a faculdade.

A constatação foi feita pela Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e pelo Fundo Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários (Fonaprace), através de uma pesquisa, divulgada no mês passado, que traçou o perfil dos estudantes universitários. De acordo com o estudo, no Nordeste, dos 9.797 alunos que participaram do trabalho, 3.664 (37,4%) apresentaram dificuldades emocionais em algum momento do curso. Como a pesquisa foi feita por amostragem, estima-se que, dos 148.970 estudantes de universidades federais nordestinas, 55.714 deles apresentem algum tipo de dificuldade emocional. O percentual da região é maior até que a média nacional, que é 36,9%, dos 33.958 alunos que fizeram parte do estudo.

Ou seja, comparativamente, os dados mostram que, de todos os 469.378 estudantes de universidades federais, 173.200 apresentam instabilidade emocional. A pesquisa apontou, ainda, quais são os tipos do problema.

Em todo o Brasil, as questões de ordem financeira seguem em primeiro lugar, seguidas, no Nordeste, por depressão e timidez; relacionamento familiar; interação social; dificuldade de aprendizagem e conflito de valores ou religiosos. Segundo o Programa de Saúde Integral do Universitário, da Universidade de Brasília (UNB), essas são as principais causas de evasão escolar. De acordo com a instituição, dos 788 mil indivíduos que ingressaram em universidades em 1999, apenas 528 mil concluíram seus cursos.Uma diferença de 260 mil estudantes, número maior do que a quantidade de formandos em 1993. Em Pernambuco, participaram da pesquisa 982 estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e 930 da Rural (UFRPE).

Aluno de engenharia civil da UFPE, Wanderson Carlos das Neves é um dos milhares de estudantes que, por causa de problemas emocionais, tiveram baixo rendimento escolar. Vindo de São Luiz, no Maranhão, o estudante sofreu, principalmente nos primeiros três períodos do curso, com a saudade da família e com a falta de dinheiro. Me mudei para a casa do estudante da universidade, tive que aprender a me virar sozinho, a me tornar independente. No início foi muito difícil. Não tinha amigos, a quem pedir ajuda, nem lazer, conta. Durante a crise, Wanderson chegou a ser reprovado em duas disciplinas, mas, mesmo sem ajuda de psicólogos, ele se recuperou e hoje, no sétimo período, tem notas acima da média da turma.

Assim como o aluno de engenharia, no Nordeste, 95,9% dos estudantes (mais de 142 mil) nunca procuraram acompanhamento psicológico. Só 4,1% (cerca de seis mil pessoas) o fazem. Catarina Andrade (nome fictício), 28 anos, é um deles. No ano passado, após passar por uma forte crise emocional, ela procurou ajuda no Centro de Ensino, Pesquisa e Atenção à Saúde Mental (Cepasm). Entrei em depressão, mas fui acolhida pelo Cepasm. Hoje, eu continuo em tratamento, mas, se eu não tivesse conseguido ajuda, a situação seria muito pior, afirma.

De acordo com pesquisa da UNB, instabilidades emocionais são fatores que podem, em alguns casos, levar à depressão, ansiedade, tentativa de suicídio, comportamentos violentos, conflitos interpessoais graves, entre outros. Pesquisa de mestrado da psicóloga, da UFRPE, Reginete Cavalcanti, em 2002, diz que o problema também pode levar o indivíduo ao uso de drogas.

A questão é tão séria que a Andifes pretende realizar seminários anuais que envolvam todas as instituições federais do país. Queremos elaborar, junto com os centros de assistência psicológica de cada universidade, políticas públicas para ajudar os estudantes. A mais urgente é criar, em todas as universidades, centros de assistência psicológica aos estudantes. Depois, é preciso capacitar os funcionários a lidar com essas questões, afirma o membro da diretoria executiva da Andifes, José Ivanildo do Rêgo.

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