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Harry Potter e o Cristianismo

      

Desde o primeiro livro da série, Harry Potter tem causado sérias polêmicas entre as igrejas cristãs. Cercado por seus feitiços e poções, o bruxinho pareceu representar uma desvirtuação das crenças, principalmente para as crianças. Para os leitores mais atentos, no entanto, não é difícil identificar "referências" da narrativa cristã em meio aos livros de J.K Rowling. Antes que se crie uma nova polêmica, no entanto, deve-se ressaltar que, no caso desta matéria, o que está em debate é apenas o formato literário - em momento algum se pretende comparar a importância histórica de cada um dos relatos.

Bruxos, bruxas, feiticeiros, magia e elementos afins sempre foram ingredientes explosivos. Basta juntá-los, em qualquer tipo de relato, para que surjam polêmicas em série. Nunca é demais lembrar a "caça às bruxas" promovida na Idade Média, em que a suspeita de que alguém poderia estar envolvido com rituais mágicos era o suficiente para levar o indivíduo à fogueira. Com Harry Potter, portanto, não poderia ser diferente. Umas das primeiras vozes a se levantar contra as aventuras escritas por J.K Rowling foi a das igrejas cristãs.

Como tem se tornado comum nas últimas décadas, no entanto, o personagem Harry Potter tem um perfil "messiânico" que chama a atenção dos leitores. "Criar um herói e colocá-lo à semelhança de Cristo é a característica de todo e qualquer mito. Isso não é algo novo na literatura", explica a professora da FTSA (Faculdade de Teologia Sul-americana), Gabriele Greggersen. Mais do que o fato de ser uma espécie de "enviado" para combater o mal, é alguém que se dedica a garantir a segurança de seus amigos e, também, é incompreendido pelos demais.

Essa utilização da referência cristã pode também ser encontrada em outros ícones da cultura contemporânea, como os livros da trilogia "O Senhor dos Anéis" (veja especial sobre o tema) e em Matrix. Para os especialistas consultados, no entanto, essas referências são bastante superficiais em Harry Potter. Na opinião do professor do curso de Teologia da PUC Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), Abimar Oliveira de Morãs, as diferenças começam pela própria origem dos personagens.

"Já nesse ponto se encontram as diferenças. Os personagens podem se tocar na questão da vitória sobre o mal, mas se distanciam, justamente, no fato da origem", acrescenta Morãs. "Um é imaginário, enquanto o outro é histórico. O relato cristão nasce da experiência histórica. Do convívio de pessoas, em um lugar específico, com esse personagem real, Jesus de Nazaré. Anos depois, essa comunidade, vai fazer sua profissão de fé e espalhar a história. Um é apenas um menino, humano, o outro é divino, não só homem."

Outra questão interessante nos livros de Harry Potter é que sua redenção vem, justamente, pela administração do sofrimento. Potter não entende seus poderes, não consegue lidar com sua importância e sofre com o descaso de seus parentes. Através destas dificuldades, o bruxinho encontra forças para combater o mal. Nos livros, no entanto, sua motivação não é nobre. Seu sacrifício não visa o benefício coletivo, mas sua própria exaltação.

"As histórias de Harry Potter também tem sofrimento. Até porque existem os poderes que ele mesmo não entende e os parentes não aceitam. Ele mesmo não sabe que é especial", relata Morãs. "Existem, sim, dimensões de sofrimento, mas ele nunca chega ao esvaziamento total, como aconteceu com Jesus Cristo. O relato cristão, bem como a própria fé cristã se solidifica sobre o sacrifício e passa pelo caminho da entrega, da renúncia, da cruz."

"Harry Potter é mais um herói, como tantos outros que já apareceram. Cabe a nós discernir em que medida ele é educativo, onde a criança possa projetar algo que ela não pode lidar. E em que medida é besteira e que não vale incentivar a leitura", finaliza a professora Gabriele. "Qualquer lenda, qualquer estereótipo de herói quer imitar a Cristo. E o que fazer com eles? Entrar na brincadeira e se divertir um pouco também."

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