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A mágica de Harry Potter

      

Mais de R$ 12.500.000,00 (é tudo isso de zero sim!) foi o que arrecadaram juntos os três primeiros filmes baseados nos livros de J. K. Rowling que contam a saga do menino bruxo Harry Potter. E essas são as cifras brasileiras. O quarto filme da série, Harry Potter e o Cálice de Fogo, que estréia dia 25 de novembro no Brasil, já alcançou números exorbitantes em seu primeiro fim de semana de exibição nos Estados Unidos: US$ 102.335.066,00. Além disso, o novo filme de Potter quebrou um recorde antigo do Homem Aranha: a maior arrecadação numa sexta-feira nos EUA com US$ 39.767.468,00.

O sexto livro de Rowling, lançado em junho nos EUA e Europa, chegará finalmente ao Brasil pela editora Rocco no dia 26 de novembro e já sai com uma tiragem de 350 mil exemplares. Desde o início da série Harry Potter no mundo foram vendidos 270 milhões de livros e só Brasil esse número chega a 2 milhões. Cifras espantosas, não é mesmo?

Apesar de ser considerada literatura infanto-juvenil, a saga do bruxo mais famoso do mundo é acompanhada por milhares de fãs em todo o mundo, desde crianças até marmanjos de barba que se imaginam voando de vassoura nas aventuras de Potter cada vez que lêem o livro ou assistem ao filme. Acrescente-se a isso que não se trata de um livro simples e com poucas páginas, o obra completa (seis livros) tem mais de 2.000 páginas sem quaisquer ilustrações e possui relações e referências de um volume para o outro.

Além de estimular a leitura, como a escritora é inglesa e as obras são sempre lançadas primeiro na Inglaterra e EUA e demoram cerca de seis meses para serem traduzidas para o português, a série instiga a leitura em inglês, tamanha a curiosidade dos fãs em conhecer o novo enredo. "Estamos passando por um processo de globalização da literatura infanto-juvenil no Brasil. Autores estrangeiros estão chegando a nós e a J. K. Rowling é a primeira ou a mais marcantes delas, dentro de uma leva que está se aproximando cada vez mais. Basta você ir à uma livraria que vai encontrar uma série de escritores norte-americanos e europeus que estão sendo traduzidos para jovens, o que em décadas passadas ocorria com muito menor frequência, já que havia um esforço editorial, no Brasil, de valorização de nossos autores, em uma espécie de ïtarefa patriótica`", explica o professor do curso de Letras da UPF (Universidade de Passo Fundo) e organizador do livro Além da plataforma nove e meia: pensando o fenômeno Harry Potter, Miguel Rettenmaier.

Fãs grandinhos

O estudante do 2º ano de Medicina Veterinária da UFV (Universidade Federal de Viçosa), 21 anos, Caio Carbonaro Guerreiro, gosta de Harry Potter desde 2000. "Minha mãe leu e me indicou, daí que eu começei a ler Harry. Já li todos os livros, exceto o sexto - e complementos também - e vi todos os filmes, exceto o quarto", conta.

Guerreiro conta que prefere os livros aos filmes porque são muito mais emocionantes e além disso, a nossa própriaÿ imaginação é que forma as imagens descritas. Seu filme preferido é o terceiro, já quando questionado sobre a preferência do livro, fica na dúvida. "Difícil dizer porque a cada lançamento fico mais empolgado com o desenrolar dos fatos e um é melhor que o outro. Mas se é para escolher, o quarto (Cálice de Fogo) foi o que mais me surpreendeu no final", diz o estudante.

O aluno do 2º ano de Ciências da Computação da Unib (Universidade Ibirapuera), 25 anos, Ricardo Francisco dos Santos começou a curtir Potter na mesma época que Guerreiro e também prefere os livros aos filmes. "Sempre prefiro os livros, você tem mais detalhes que fazem com que sua imaginação se liberte e voe sem fronteiras. Infelizmente, em um filme adaptado, o tempo é curto para passar todas as informações colocadas nos livros. As emoções são muito mais fortes na leitura, mas o bom do cinema é a magia do telão", destaca Santos.

O estudante de Ciências da Computação conta que o mais fascinante nas aventuras do bruxo é a luta interna que ele sofre sobre romance, bem e mal, vingança. "Tudo para o Harry é sofrido, nada é fácil. ·s vezes eu penso que parece uma parábola com as nossas vidas, mas que tudo sempre acaba bem. Fora o ambiente criado pela J. K. Rowling que te transporta para outras dimensões, esqueço do tempo quando estou lendo", conta, animado, Santos. "A história toda dele se transformando de um garoto ridicularizado pelos tios a um grande bruxo metido em muitas aventuras faz com que eu fique empolgado a cada lançamento dessa saga", considera Guerreiro.

Fenômeno mundial

Por que será que Harry Potter tornou-se um fenômeno de crítica e público? Existe um leque de respostas infinito. Há aqueles que amam e aqueles que odeiam. Diversas igrejas consideram o bruxinho uma má influência para as crianças e aconselham os pais a proibi-las de ler. Educadores veneram J. K. Rowling por ter conseguido despertar o prazer pela leitura em crianças, adolescentes e adultos. Sociólogos, psicólogos e antropólogos acreditam que a falta de referências religiosas fortes faz com que os brasileiros, em especial, se apeguem à misticismos, dentre eles Harry Potter.

O professor Rettenmaier diz que é muito difícil dar uma razão para tamanho sucesso, em sua concepção é porque a J. K. Rowling trabalha com um elemento essencial que estamos perdendo: o elemento mágico, maravilhoso, encantado da vida. "Ela foi muito inteligente em colocar o protagonista como um bruxo em formação, porque em primeiro lugar cria um protagonista em crescimento, o que o identifica muito com seus leitores e mais, esse crescimento está envolvido em magia, ou seja, crescer é algo mágico. Não sei se essa é a causa, mas me parece um elemento importante, uma identificação com os leitores e digamos assim uma abertura para o mundo mágico, aventureiro, cheio de riscos e perigos mas também cheio de vitórias e conquistas", observa.

Nesse contexto, todo esse mundo mágico torna-se um universo paralelo em relação ao mundo em que vivemos, cada vez mais voltado ao material, às rotinas, às angústias da sobrevivência dentro de uma natureza cada vez mais competitiva, desleal e sem graça. Guerreiro mesmo conta que já se imaginou sendo Harry Potter enquanto lia o livro ou via o filme.ÿ

"Todo adulto tem um pouco de criança em si e é muito bom, de uma maneira ou outra, se identificar com uma criança, significa que a gente está aprendendo. Eu sempre digo isso, quando a gente se identifica com um personagem da literatura infanto-juvenil significa que a gente ainda está em fase de crescimento e isso é muito bom", acredita Rettenmaier.

Se os dois fãs estão ansiosos? Vocês não imaginam o quanto. "Não vejo a hora de assistir ao filme e ler o livro", conta Guerreiro. As expectativas são as melhores possíveis. "Já li uma tradução adaptada feita por fãs do sexto livro. Está excelente. Só falta agora ler a tradução oficial. Vou pegar a sessão das 00:02 de quinta para sexta (de 24 para 25 de novembro) e o livro chega em casa no sábado, junto com uma camiseta. Comprei no primeiro dia da pré-venda!", diz, ansioso, Santos.

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