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Notícias

Nota vermelha

      
Carlos Alexandre

As universidades públicas estão próximas de completar 80 dias de paralisação. E ninguém parece se incomodar com isso. A negociação entre governo e professores limitou-se ao debate superficial: o sindicato reivindica o reajuste, o ministro diz que só pode pagar um determinado percentual e as universidades ? ao menos a de Brasília ? garantem que o semestre será mantido. O ponto central da discussão ? o que fazer com o ensino superior gratuito no Brasil ? continuou intocado. Entra ano e sai ano, as instituições de ensino superior permanecem com nota vermelha. O governo Lula caminha para o quarto ano e pouco ou nada fez de substancial para mudar a realidade da academia.

A penúria das universidades, sabe-se, não é responsabilidade exclusiva do atual dirigente do Planalto. Há décadas o ensino superior é prioridade última para o poder público. Consideradas focos de ideologia subversiva, as instituições foram desarticuladas, vigiadas e punidas nos tempos da repressão. Ao contrário do que se poderia esperar, a redemocratização mostrou que a agonia ainda duraria muito tempo. Vinte anos de democracia não foram suficientes para dar um novo fôlego às combalidas instituições de ensino.

A permanecer a inércia generalizada, o boletim das universidades públicas se consolida com os seguintes resultados: a) as universidades são uma escola para a elite, só estão acessíveis para estudantes de classe média alta; b) a pesquisa científica é um atividade cada vez mais restrita; c) as universidades são basicamente bancos de mão-de-obra supostamente qualificada com diploma para o mercado de trabalho; d) as universidades influem pouco na vida dos brasileiros.

Se os bancos suspendessem o atendimento por 80 dias, teríamos um pânico generalizado. Se os hospitais públicos fechassem as portas, viveríamos uma tragédia de guerra. Caso uma greve de rodoviários deixasse o transporte público parado, veríamos motins e vandalismo nas ruas. As universidades vão completar três meses de paralisia. E a opinião pública, a mídia, o governo dão pouca importância para o escândalo. Talvez porque elas não façam falta no cotidiano brasileiro.

Talvez um dia as universidades públicas amanheçam com as portas fechadas. E ninguém perceba.

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