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Em Teófilo Otoni, biblioteca improvisada e banheiro destruído

      
Eduardo Kattah

Vidros quebrados, janelas e portas velhas, trancas arrancadas, salas e banheiros deteriorados, sujeira, falta de iluminação e segurança. O cenário não é nenhuma novidade quando se refere às escolas municipais de muitas cidades. Mas, em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri mineiro, a triste realidade do ensino fundamental público tornou-se instrumento para a expansão do lucrativo ramo das faculdades particulares.

O exemplo que mais chama a atenção é a unidade da Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), que funciona na escola municipal Irmã Maria Amália. Durante o dia, em dois turnos, o espaço serve a cerca de 2,6 mil alunos da 1ª à 8ª série. · noite, as precárias salas de aula são tomadas por estudantes de pelo menos cinco cursos superiores.

A parceria foi assinada na administração anterior do município e é contestada pela atual gestão. Em 2002, a prefeitura cedeu, por um período de cinco anos, o espaço para a instalação dos cursos. O mesmo ocorreu com outro imóvel público. Atualmente, a Unipac tem quase 2 mil alunos na cidade, todos matriculados em quatro endereços provisórios.

Aluna do 5º período do curso de Normal Superior - que forma professores para as primeiras séries do ensino fundamental -, Michele Priscila do Nascimento, de 21 anos, está desanimada e reclama da péssima estrutura oferecida. O prédio é velho, era um antigo convento. Em dias de chuva, pinga aqui fora (no pátio) e chove lá dentro (das salas de aula). Michele é uma das alunas pioneiras da Unipac em Teófilo Otoni. Iniciou o curso no segundo semestre de 2002, no espaço cedido. Diz que optou pela faculdade pelo preço. Paga mensalidade de R$ 200, a mais barata cobrada. Ela, contudo, não poupa críticas às condições de ensino. Você só tem o dever de pagar e não reclamar. Não há como defender isso aqui.

Na noite do dia 9, quando o Estado visitou a faculdade-escola, o que mais incomodava a estudante de Serviço Social Sara Souza Ferraz, de 19 anos, era a sujeira. ? uma porqueira esse lugar, disse, apontando para o lixo no pátio. Não havia serviço de limpeza no turno da noite. A iluminação na área externa era bastante precária e não havia estrutura de informação sobre a faculdade.

De acordo com a diretora pedagógica da Unipac em Teófilo Otoni, Eutália Souza Ramos, a instituição tem 16 cursos em funcionamento na cidade e cinco que começarão no próximo semestre. A instituição ainda anuncia um curso de Direito. As mensalidades variam de R$ 200 a, pelo menos, R$ 590, segundo verificou o Estado. Estamos aguardando o decreto do governo estadual, diz Eutália.

Nosso curso foi aprovado pelo MEC, acredita Leila de Fátima, repetindo a versão difundida pela Unipac. Isso (falta de reconhecimento pelo MEC) não invalida o diploma em nível nacional, insiste a diretora pedagógica. A justificativa, porém, admite, é vista com desconfiança pelos alunos. Nós padecemos com isso. Sempre impera a dúvida sobre o que falamos, reconhece Eutália.

Os cursos de Letras, Normal Superior e Pedagogia foram aprovados pelo Conselho Estadual em 4 de outubro, apesar de todas as deficiências estruturais. O coordenador de Letras, Flávio Leal, de 27 anos, foi contratado em junho para reformular o curso e criar a biblioteca na unidade da Irmã Maria Amália. A antiga capela da escola deu lugar a estantes e alguns computadores. A biblioteca não chega a ser um avanço, geralmente tem um exemplar para a turma inteira, reclama Michele.

Para a diretora da escola municipal, Natália Galvão Pereira, o prejuízo foi a perda de um local utilizado para reuniões.

DESCONTENTAMENTO O secretário de Governo da prefeitura de Teófilo Otoni, Carlos Roberto de Castro, afirma que a atual gestão é radicalmente contrária a ocupação dos prédios públicos pelas entidades particulares. Segundo ele, o acordo da gestão anterior é legal, mas imoral. Castro afirma que um novo contrato foi firmado para que a Unipac passasse a pagar pelo aluguel do imóvel, além das contas de água e luz, o que teve início há cerca de um ano. Antes, os custos não eram cobrados.

O secretário conta que foi dado um prazo até março do próximo ano para que os alunos de graduação sejam transferidos. Nenhum juiz, prefeito ou Ministério Público vai colocar 2 mil estudantes na rua de uma hora para outra.

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