text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Dedicação de médicos foi decisiva

      
Adriana Gomes

Das muitas histórias sobre os primórdios da Faculdade de Medicina do ABC, um ponto em comum entre os entrevistados é a surpresa manifestada por aquilo que se tornou a instituição, provavelmente além do sonho daqueles que a planejaram. Por esse sonho, um grupo de médicos abriu mão ? ao menos durante um tempo de suas vidas ? da vida pessoal, do atendimento mais lucrativo em consultórios e de outros projetos.

Idealizada por políticos da região no final da década de 1960, o projeto ganhou vida principalmente pelas mãos e mentes de cinco doutores da Escola Paulista de Medicina, na capital, entre eles o patologista João Paulo Aché de Freitas, hoje com 77 anos, o único do grupo ainda vivo. O professor Aché, como é conhecido, é titular da disciplina de Patologia na faculdade.

A primeira turma, de 1969, com cerca de 65 universitários, estudou em um galpão na área do prédio da Fundação Santo André. Mas certas disciplinas tinham de ser cursadas fora, pois não havia espaço nem estrutura. Anatomia, por exemplo, era ministrada na Escola Paulista de Medicina, em São Paulo, conta Aché, neto do fundador do grande laboratório farmacêutico que carrega seu sobrenome. Já no segundo vestibular, a faculdade já selecionava 100 alunos, e assim foi crescendo a cada ano.

No começo, o professor Aché teve de manter outros empregos para continuar atuando na Faculdade de Medicina, mas, em pouco tempo, largou boa parte das demais ocupações para se dedicar ao ensino na Fundação. Há cerca de cinco anos, fechou o próprio laboratório para atuar apenas na Medicina ABC.

Famosos ? A dedicação dos professores parece ter levado à revelação de talentos da Medicina, hoje famosos pelos seus feitos nas áreas onde atuam. Nomes como Jorge Roberto Pagura, médico neurocirurgião do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e também professor da faculdade; Fábio Jatene e David Uip, médicos do Incor (Instituto do Coração), sendo Uip também professor da faculdade e vice-presidente do recém-inaugurado Cepes (Centro de Estudo, Pesquisa, Prevenção e Tratamento e Saúde da Fundação do ABC), foram alunos e/ou hoje são mestres da Medicina ABC.

Não tenho dúvida que a qualidade da formação da Medicina ABC contribuiu para o bom desenvolvimento do meu trabalho, afirma o neurologista Pagura. Ele cursou os dois primeiros anos do curso de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas de Santos, no litoral paulista, e veio para a região na seqüência, completar o curso na faculdade do Grande ABC. Senti que a instituição tinha potência para ser uma grande escola, de referência, e queria ficar mais próximo da capital para fazer cursos e estágios. Na época, não existia a integração hospitais e faculdades, mas o ensino básico foi muito bom, avalia. Naquele tempo, os alunos recorriam ao Hospital do Servidor Público, em São Paulo, para as atividades práticas de residência médica.

A Medicina ABC que se conhece hoje, com atendimento em várias especialidades voltado para a comunidade, veio com o trabalho feito na gestão do cirurgião urologista Milton Borrelli, 74 anos, hoje atuando em um dos hospitais-escola da Fundação do ABC, o Mário Covas, de Santo André. Ele é citado pela maioria dos entrevistados como o homem que impulsionou o crescimento da Medicina ABC e equacionou problemas técnicos e políticos que emperravam o bom andamento dos serviços até meados da década de 1990. Atuou na época com outro médico, Geraldo Reple Sobrinho, ainda hoje seu parceiro no Hospital Mário Covas. Reple é superintendente e Borrelli diretor-técnico do hospital estadual cuja gestão está a cargo da Fundação do ABC. No começo, tive de pedir ajuda a bancos e empresas para equacionar as finanças, além de colocar uma bandeira no campus, para chamar espírito de cidadania, conta.

Remanescentes ? Entre os funcionários administrativos que entraram no ano de fundação da Medicina ABC e lá permanecem até hoje estão o administrador de empresas Sidney Stanziani, 71 anos, coordenador de Recursos Humanos, e Neusa Salena, 58 anos, encarregada da Secretaria Acadêmica. Torci muito para que a faculdade crescesse, conta Neusa.

  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.