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Docentes divergem sobre questões da Fuvest

      
Duas questões da primeira fase da Fuvest, vestibular que seleciona candidatos para a USP, foram alvo de divergência entre os professores de cursinho. A correção e a validade das perguntas 9, de português, e 76, de química -ambas na prova V-, foram questionadas por alguns especialistas e defendidas por outros.

A coordenação da prova informou que vai examinar as questões e que as reclamações devem ser encaminhadas por escrito para facilitar o processo de análise.

Segundo Nelson Dutra, do Objetivo, a questão de português apresentou um problema nas opções de resposta. A pergunta pedia ao candidato que identificasse qual recurso estilístico não aparece no seguinte trecho: há sonhos que devem permanecer nas gavetas, nos cofres, trancados até o nosso fim, explica.

O gabarito falava que a resposta correta era B, que a inversão sintática não existia, o que não é verdade. O predicativo do sujeito trancados aparece depois dos adjuntos adverbiais nas gavetas e nos cofres, que, na ordem direta da frase, deveriam aparecer no final da frase. O que não existe é redundância, que é a resposta A.

Para a professora Célia Passoni, do Etapa, a redundância existe, mas a questão dá margem a dupla leitura. Tudo depende de como se considera o verbo da frase. Se ele for entendido como intransitivo, a resposta do gabarito está correta. Se for entendido como de ligação, aí surge o problema.

Em química, o defeito apontado estava na nomenclatura de um composto. Segundo Edison de Barros Camargo, do Etapa, a questão 76 trazia o nome pentóxido de fósforo e o correto seria pentóxido de difósforo. Se o candidato usou o que a Fuvest forneceu, não havia conclusão.

Já o coordenador de química do curso Objetivo, Antonio Mario Salles, diz que a pergunta não apresentava problemas. Para o coordenador, a nomenclatura da substância estava correta e não havia necessidade de maiores especificações. Em nomenclatura química, quando não há dubiedade, alguns prefixos são omitidos. Isso não afeta a resolução.

Segundo os professores, outros dois trechos do exame foram polêmicos, mas não apresentavam problemas de formulação.

Um deles foi o texto de inglês referente ao crescimento da indústria automobilística na China. Esse texto fugiu do estilo Fuvest. Foi mais técnico. Exigiu do candidato conhecimento de termos de economia, comenta o Alahkin de Barros Filho, do Etapa.

Em geografia, o exercício que abordava a preocupação do geógrafo brasileiro Aziz Ab Saber sobre um projeto de lei que tratava da exploração das florestas nacionais também foi questionado.

Segundo o professor Omar Fadil, do Etapa, a questão não se enquadra no conteúdo passado aos alunos do ensino médio. Não existe em nenhum livro didático do ensino médio que explique o pensamento do geógrafo.

Abstenção Neste ano, o índice de abstenção foi de 7,05% dos 170.474 inscritos. O percentual é maior do que em 2004, quando 4,27% dos candidatos deixaram de prestar a prova.

O exame transcorreu sem incidentes, mas em um local de prova no Morumbi (zona oeste) a polícia foi chamada para dispersar cerca de 50 estudantes que se atrasaram e queriam fazer a prova. Ciça Mariano, 35, que prestava para psicologia, foi uma das que ficaram de fora. Vou fazer greve de fome em frente à Fuvest até as 13h [de hoje], que foi o horário em que fecharam os portões.

A lista dos convocados para a segunda fase sai no dia 16 de dezembro.

(Alexandre Nobeschi, Bruno Segadilha E Simone Harnik)

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