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Esportes radicais nas férias

      
Por Lilian Burgardt

As férias de julho estão chegando. Por mais que o friozinho seja um convite irrecusável para dar aquele abraço no travesseiro e no edredom, você pode ter momentos mais ativos e produtivos enquanto está afastado das salas de aula. Por isso, se você está de bobeira em casa, mesmo que apenas durante um final de semana, espante a preguiça e dê um pouco de aventura à sua vida praticando esportes...radicais. Ao contrário dos joguinhos de cartas ou de xadrez - muito convidativos no inverno -, os esportes radicais servem como verdadeiras "descargas de energia" ajudando você não só a relaxar, mas também, a queimar calorias. Ou seja, de quebra, você também pode ficar mais "leve" durante um final de semana de aventura.

O bom de tudo isso é que, se você curtiu a idéia, nem vai precisar se preocupar em gastar muito ou andar por aí atrás de agências que ofereçam roteiros descolados, basta dar uma olhada nos pacotes turísticos disponíveis nas agências experimentais de turismo, aquelas mantidas por algumas instituições de Ensino Superior que oferecem graduação em Turismo. (Saiba mais lendo a matéria Turismo bom e barato).

Para quem está em São Paulo, por exemplo, procurar a Universidade Metodista pode ser uma boa opção. Além de montar pacotes radicais em cidades como Brotas, Socorro e Analândia - famosas pelo turismo de aventura -, neste mês de julho, a instituição está oferecendo um final de semana no Petar - Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, em São Paulo. Nos dias 1º e 2 de julho os turistas poderão conhecer o local que abriga 215 cavernas, por meio da atividade chamada de "caving" - exploração de cavernas. Durante o circuito, os turistas passarão por trilhas e cachoeiras. As despesas com hospedagem e alimentação estão todas inclusas no pacote que, por pessoa, custa R$ 370,00. "Universitários chorões podem ter um desconto ou um parcelamento do valor", diz o coordenador da agência experimental de Turismo da Metodista, Thales Navarro Alves Monteiro.

Trekking: história e curiosidades

A palavra trek tem sua origem na língua africâner, da áfrica do Sul. Passou a ser amplamente empregada no início do século XIX, pelos vortrekkers - primeiros trabalhadores holandeses que colonizaram a áfrica do Sul.

O verbo trekken significava migrar e carregava uma conotação de sofrimento e resistência física, numa época em que a única forma de se locomover de um ponto a outro era caminhando.

Quando os britânicos invadiram a região e estabeleceram seu domínio político na áfrica, a palavra foi absorvida pela língua inglesa e passou a designar as longas e difíceis caminhadas realizadas pelos exploradores em direção ao interior do continente, especialmente na busca de novos conhecimentos, como a nascente do rio Nilo e as neves do monte Kilimanjaro.

Origem dos esportes radicais

Mas o que são e de onde surgiram os esportes radicais? Tais esportes são assim considerados pois oferecem mais riscos do que os esportes em geral, o que os torna mais emocionantes, já que exigem um maior esforço físico e maior controle emocional. Eles também são assim chamados porque estão envolvidos em situações extremas de limite físico ou psicológico dos participantes. No início, eram considerados esportes radicais a prática do paraquedismo, snow board e vôo livre. Com o tempo, atividades como o rafting, trekking, cannoying, verticália, entre outras, foram incorporadas à lista dos esportes de aventura.

Segundo especialistas, estas atividades fazem muito bem à saúde, mas exigem um certo preparo físico. Por isso, antes de investir em qualquer uma destas práticas o "atleta de plantão" deve se informar do que é preciso saber ou fazer para exercitar-se com segurança. O professor de Educação Física e Turismo da São Judas, que ministra as disciplinas de Lazer e Recreação, Luiz Aurélio Sham Lian, reforça ainda que, antes de se infiltrar em uma das modalidades, o praticante deve se informar sobre a qualidade e a idoneidade da empresa que oferece este tipo de prática. "Isso ajuda não apenas a evitar acidentes, como também, a orientar os praticantes a se sair melhor durante a prática do exercício."

Além do cuidado excessivo com a segurança - pelo perfil destas práticas esportivas -, há algumas restrições quanto ao perfil dos praticantes dos esportes de aventura. Segundo o diretor-presidente da águas Radicais, Antônio Robes Neto, graduado em Educação Física, embora a prática de atividades físicas seja bem-vinda a toda e qualquer pessoa, no caso dos esportes radicais, devem ser observados cuidados especiais com cardiopatas, hipertensos, grávidas, pessoas com distúrbios ou problemas de vertigens e desmaios freqüentes. "Há uma atenção especial a estes grupos de pessoas, mas todas as atividades são totalmente monitoradas por profissionais capacitados e responsáveis, prontos para atender as mais diversas eventualidades", diz.

Por que praticar?

Na maior parte dos casos, o principal motivo das pessoas abandonarem o conforto das grandes cidades para praticar esportes radicais é a fuga da monotonia do dia-a-dia de uma cidade grande. A prática destas atividades funciona como uma válvula de escape para o stress urbano, originado por excesso de trabalho, má alimentação, violência, trânsito. "Os benefícios do lazer proporcionado por tais práticas causam uma sensação de bem-estar momentâneo muito forte. ? mais ou menos o que acontece quando se desce por um tobogã ou por uma montanha-russa", compara Sham Lian.

Tais práticas são consideradas ainda estimulantes graças ao excesso de adrenalina liberado pelo corpo. Além disso, proporcionam um aumento da autoconfiança dos praticantes que conseguem superar obstáculos impostos por estes esportes. "Tais esportes liberam uma dose elevada de adrenalina que, após o término da atividade, causa uma sensação de relaxamento", acrescenta Robes Neto.

Não é de se espantar que, depois do susto, o atleta fique calminho, calminho. Mas a "terapia de choque" contra o estresse não é o único benefício da prática dos esportes de aventura. Atividades como o trekking, o rapel e o cannoying, por exemplo, apresentam várias qualidades. Uma delas é indiscutível: essas atividades trabalham diversos músculos do corpo e é cientificamente provado que as atividades físicas diminuem o risco de algumas doenças, além de aumentar a longevidade das pessoas. "Os esportes radicais melhoram a condição motora, a destreza de movimentos, aumentam a força muscular, melhoram a flexibilidade, o eqüilíbrio e deixam a concentração aguçada", ressalta o diretor presidente da empresa águas Radicais.

A prática dos esportes de aventura pode auxiliar ainda na perda de peso. Quem não se lembra da escalada? Uma prática pioneira entre os esportes radicais considerada inimiga do excesso de calorias. Chegando a queimar cerca de 12 calorias por minuto, ela foi incorporada aos exercícios físicos oferecidos nas academias. ? claro que nem tudo é simples assim, um final de semana não vai ser o "fator x" de um regime milagroso, esportes radicais devem ser feitos regularmente para fazer "efeito". "Com uma freqüência de pelo menos três vezes na semana, aliada à uma dieta alimentar, com certeza o praticante terá uma perda de gordura corporal considerável", afirma Robes Neto.

Saiba de que forma cada um destes esportes atua no seu corpo:

Trekking

Para fazer o trekking, o atleta vai precisar de muito fôlego, disposição, resistência e pernas fortes. Do contrário, a caminhada pode ser um martírio. Isto porque o trekking não é nada simples. Em geral, as trilhas passam por pedras e rios, subidas e descidas dentro da mata. Neste caso, além do preparo físico, vale uma ajudinha de equipamentos importantes como tênis ou papete apropriados, repelente e protetor solar. São trabalhados os músculos inferiores (pernas, glúteos e panturrilhas).

Rafting

O rafting, famosa descida de corredeiras de rios com um bote, exige agilidade, concentração e uma força extra nos braços, uma vez que o praticante vai ter que remar muito, especialmente se as águas do rio estiverem mais tranqüilas, o que deixa o bote mais pesado e difícil de manejar. Nesta atividade, são trabalhados os músculos inferiores, superiores, a musculatura dorsal e lombar (pernas, bíceps, tríceps, trapézio, deltóides, rombóides).

Cannoying

Os leigos podem achar que cannoying nada mais é que um simples estrangeirismo dado à prática da canoagem. Mas não é nada disso. A atividade consiste na exploração de uma furna escavada por um curso d'água esculpindo no relevo cachoeiras, vales e montanhas. Para explorarÿ o Canyon - daí o nome cannoying -, utiliza-se a técnica de rapel (descida feita por corda), pela qual os praticantes descem cachoeiras de várias alturas. A prática trabalha os músculos inferiores e superiores, basicamente: pernas, glúteos, panturrilhas, bíceps e tríceps.

Bóia-cross

Quem nunca desceu um rio ou conheceu alguém que já embarcou nesta aventura usando apenas uma simples câmara de pneu de caminhão? Pois é, desta brincadeira improvisada surgiu uma das atividades mais procuradas pelos turistas que visitam Brotas, ponto turísitico dos esportes radicais. Mais sofisticado do que a brincadeira do passado, hoje, o passeio é chamado de bóia-cross. As bóias são anatômicas, encapadas e com alças laterais para maior segurança aos adeptos da atividade. O bóia-cross trabalha os músculos inferiores, com enfâse nos músculos superiores (braços e peitorais).

Arvorismo

O arvorismo é um esporte recente, criado a partir das técnicas utilizadas por pesquisadores para se locomover em florestas na altura da copa das árvores. Plataformas com até 9 metros de altura, interligadas por cabos de aço, viram uma espécie de trilha nos ares para os praticantes do esporte. A dificuldade vai aumentando à medida que a pessoa avança de uma plataforma a outra. O equipamento utilizado é o mesmo do rapel: cadeirinha, mosquetões, roldana, capacete e luvas. A segurança é garantida pela chamada "solteira": uma corda que liga a cadeirinha do praticante a uma roldana presa num cabo de aço. Além de utilizar todos os músculos, a verticália exige equilíbrio e concentração do praticante.

Caso você ainda não tenha se convencido do benefício em praticar os esportes de aventura, saiba que por necessitarem de um trabalho conjunto e da confiança dos esportistas uns nos outros, trata-se de um excelente exercício para incentivar o trabalho em equipe. Por essa razão tem levado grandes empresas a promover tais práticas para seus funcionários. Além disso, por conta das belezas naturais que, neste caso, são vistas bem de perto, estes esportes despertam a consciência ambiental nos praticantes.

Onde praticar

Brotas, em São Paulo, é o mais conhecido destino para quem pretende praticar os esportes de aventura, seguido por Socorro e Analândia, também populares por oferecerem este tipo de atividade. Mas não é só em São Paulo que você encontra lugares interessantes para viver experiências radicais. No Paraná, por exemplo, Campos Gerais e Ribeirão Claro, são outros destinos muito explorados pelos turistas aventureiros. No estado de Minas Gerais, Três Rios é um dos locais mais procurados para a prática do rafting. Trekking e trilhas de moutain bike também são comuns em Petrópolis, no Rio de Janeiro. No fim das contas, são muitas as opções Brasil afora. Escolha o esporte e seu destino e divirta-se.

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