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UnB dá título a Abdias Nascimento

      
No auditório da reitoria da Universidade de Brasília (UnB), ouviu-se uma salva de palmas efusivas para homenagear o criador do Teatro Experimental do Negro (TEN), do Museu de Arte Negra e pioneiro na formulação de políticas de igualdade racial no Brasil, Abdias Nascimento. Na quarta-feira, a UnB, por meio do Decanato de Extensão, concedeu o título de doutor honoris causa ao defensor das populações afrodescendentes. "Oferecemos o prêmio a Abdias para nos engrandecer, pois ele esteve ao nosso lado no momento em que a universidade decidiu aprovar a política de cotas", disse a professora Dioni Oliveira, coordenadora do Decanato de Extensão da universidade.

Estavam presentes na cerimônia, entre outros, o presidente da Fundação Cultural Palmares, Ubiratan Castro de Araújo, o reitor e o vice-reitor da universidade, Timothy Mulholland e Edgar Nobuo, a secretária de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Maria Carmen, além do próprio Abdias, que chorou no momento de entrega do título. "Eu tenho recebido muitos prêmios ao longo de minha vida, mas nenhum é tão bonito como este", afirmou. Ele ofereceu o título a todos os companheiros de luta. "Recebo este prêmio em nome de todos os guerreiros negros esquecidos pela história nacional."

Ativista político, professor, dramaturgo, escritor, artista plástico, ex-deputado federal, senador e secretário de estado do Governo do Rio de Janeiro, ele foi e continua a ser um político ativo e um pensador cheio de idéias de liberdade. "Sonho com o dia em que os valores africanos serão respeitados e farão parte da consciência nacional. Depois de tantos séculos de espera, não temos mais tempo a perder", discursou.

Muito antes dos debates referentes a cotas para negros nas universidades estarem em voga, Abdias Nascimento, na qualidade de primeiro deputado federal afro-brasileiro a dedicar seu mandato à luta contra o racismo (de 1983 a 1987), já criava propostas de ações de igualdade para os negros na sociedade brasileira e apresentava projetos de lei definindo o racismo como crime. Foi nomeado Secretário de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Estado do Rio de Janeiro (1991 a 1994), pelo então governador Leonel Brizola. Mais tarde, em 1999, assumiu como titular-fundador a cadeira de Secretário de Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Memória viva

A representação de um exu, entidade mensageira dos orixás a quem todos devem pedir licença antes de iniciar um ritual, logo na entrada da Galeria Athos Bulcão (anexo do Teatro Nacional), dá início ao percurso da exposição Abdias Nascimento: Memória Viva. ? só depois de ter a entrada autorizada por esse ícone das religiões afras que o visitante tem acesso à mostra, promovida pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), com patrocínio da Petrobras e parceria com o Decanato de Extensão da Universidade de Brasília (UnB). Orixás, príncipes, artistas, políticos e intelectuais negros, todo esse conjunto de representantes e defensores da cultura africana pode ser conhecido até o dia 29 de junho.

A exposição é inteiramente baseada na escrita ideográfica adinkra, da áfrica Ocidental, uma referência constante na obra de Abdias. A mostra é composta de painéis fotográficos com imagens biográficas e fotos dos primeiros atores negros da história do teatro no Brasil, pinturas e desenhos do próprio Abdias, objetos, registros da atuação política deste grande líder e um documentário sobre o ativista político, feito pela cineasta Lúcia Murat.
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