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Vestibular UnB: mais disputado que Copa do Mundo

      
Priscilla Borges

Está chegando a hora decisiva para milhares de estudantes. Uma multidão de gente jovem que se preparou ao longo do semestre para enfrentar as provas do vestibular da Universidade de Brasília (UnB) vai encarar o desafio no próximo fim de semana. No sábado, serão aplicadas três avaliações: de linguagens e códigos e ciências sociais (que abrangem os conteúdos de língua portuguesa, geografia e história), de língua estrangeira e a redação. Domingo é dia de ciências da natureza e matemática, que englobam os conhecimentos nas áreas de física, química, biologia e matemática.

Para o campus do Plano Piloto serão oferecidas 2.014 vagas em 61 cursos. Em Planaltina, há 80 vagas disponíveis em duas graduações. Há cotas para estudantes negros e pardos nos dois processos. As provas serão aplicadas em Brasília, Brazlândia, Ceilândia, Gama, Planaltina, Sobradinho, Taguatinga, Anápolis (GO), Goiânia (GO), Valparaíso (GO) e Uberlândia (MG). Em Formosa, também haverá aplicação de testes para o campus de Planaltina.

Neste vestibular, o Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe), responsável pela elaboração dos testes, deu aos candidatos uma oportunidade inédita. Os mais indecisos puderam trocar a opção de curso entre os dias 8 e 9 de junho. O gerente de acesso à educação superior do Cespe, Paulo Portela, conta que essa era uma reivindicação antiga dos estudantes.

Lúcio Gomes Nascimento, 17, e Olga Maria Sinimbuh, 16, não precisaram do benefício. Desde cedo, os dois sabiam qual carreira queriam seguir. Os colegas e concorrentes na disputa pelas vagas de engenharia mecânica acreditam que estão maduros para escolher uma profissão e se sentem prontos para entrar na universidade. Por isso, os dois alunos do 3º ano do ensino médio do Centro de Ensino Médio Setor Leste decidiram prestar vestibular ainda no meio ano.

Olga destaca que, no meio do ano, as chances são maiores. As vagas não são divididas com o Programa de Avaliação Seriada (PAS) e, em conseqüência, a concorrência diminui. Ela estuda constantemente e se sente preparada para as avaliações. Lúcio fez cursinhos para o PAS desde o 1º ano e também está animado com os resultados. "Acho que posso ser aprovado. Sou dedicado aos estudos e não espero a escola para me preparar", diz.

Sem sustos

Os candidatos não terão grandes surpresas no vestibular. O Cespe não fará mudanças neste processo seletivo. Os procedimentos de segurança, reforçados desde os últimos vestibulares, serão mantidos. Os candidatos poderão ser submetidos a detectores de metais, não poderão fazer provas usando relógios, bonés ou com telefones celulares. Além disso, só utilizarão caneta esferográfica de tinta preta fabricada em material transparente. Lápis e borracha também estão proibidos. Vale lembrar que todas as regras do vestibular para o campus do Plano Piloto valem para Planaltina.

O número de candidatos inscritos (21.691) caiu. No mesmo período de 2004, a quantidade de participantes chegou a 27.389. Em julho do ano passado, 24.567 se candidataram a uma das 2.004 vagas oferecidas. Mesmo somando os candidatos de Planaltina (415), não há grandes diferenças. O total sobe para 22.106. Para Portela, a explicação vem da separação feita há três semestres entre o vestibular e as seleções para o Corpo de Bombeiros e Polícia Militar.

Mas o professor não descarta a possibilidade de que as bolsas concedidas pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) tenham feito estudantes desistirem das vagas em universidades públicas. "Pode até ser possível, mas não temos dados que comprovem a hipótese. Ainda acho que a UnB é um sonho para muitos jovens, não só por ser gratuita, mas pela qualidade do ensino", comenta.


Ansiedade e alívio

Lúcio e Olga ainda não terminaram o ensino médio e, por isso, a cobrança da aprovação no vestibular, feita pela sociedade, ainda não existe. Porém, para os candidatos que já estão em cursinhos há um certo tempo, a realidade é um tanto diferente. Verônica Miranda, 20, Marina Ferreira, 17, Olane Marquez, 20, Victor de Amorim, 18, e Bruno Cruz, 18, carregam certo peso nas costas por já terem passado dessa fase e continuarem fora dos bancos universitários.

Olane, que escolheu a carreira mais concorrida da UnB - medicina -, já sabia que entrar na universidade não seria fácil. Estava preparada para enfrentar anos de cursinho. Em seu terceiro ano de pré-vestibular, a jovem conta que se esforça para não desanimar e controlar a ansiedade. "Nervosismo só atrapalha. Mas não adianta, a gente carrega muitas expectativas. As nossas e as das pessoas que estão torcendo ao nosso lado", analisa.

Os cinco estudantes tentam manter o ritmo de estudos diariamente. Mas admitem que o cansaço, no fim de semestre, já fala mais alto. Bruno comenta que já sente dor nas costas de tanto ficar sentado. Verônica se mantém firme no propósito de estudar bastante todos os dias, mas lamenta as olheiras que ganhou. Marina confessa: já não dá nem para prestar atenção às aulas da mesma maneira. "Minha mãe me avisou que esconderia meus livros esta semana", conta a candidata.

Marina também escolheu um dos cursos mais disputados da UnB: direito. Sabe que vencer a concorrência e tirar notas muito altas não é fácil. "Fico muito nervosa antes das provas, porque tenho medo de decepcionar minha família. ? um resultado que não depende só da gente", desabafa. Victor, que quer medicina, comenta que sua aflição começa quando olha para as provas. "Aí, respiro fundo, espero cinco minutos e depois começo a responder as questões", conta.

As expectativas agora se misturam com o alívio. Depois do fim de semana, os estudantes poderão descansar merecidamente. Até lá, porém, eles terão de fazer as últimas revisões. Verônica garante que os estudos ganharam mais qualidade agora. "Está melhor do que no começo do cursinho. Estou com o foco nas provas agora", diz.

Determinada, Verônica afirma que não teme a concorrência do curso que escolheu, relações internacionais. ? seu primeiro vestibular. A jovem fez intercâmbio e demorou mais a terminar o ensino, mas não se arrepende. "Me sinto segura com a minha escolha", sentencia. Mesmo que não consiga superar os outros candidatos dessa vez, Marina também assegura que não desistirá do sonho de se tornar advogada. "Não me vejo fazendo outra coisa", garante.

Os estudantes destacam que, a partir dessa semana, ficarão mais ligados às notícias de jornais e revistas. Eles aprenderam que os acontecimentos do Brasil e do mundo aparecem nos itens das avaliações com freqüência. Além disso, a banca examinadora se utiliza dos fatos para contextualizar problemas de qualquer disciplina.

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