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Notícias

China tem o maior vestibular do mundo

      
Gilberto Scofield Jr. Correspondente PEQUIM

Assim como no Brasil, na China não há um só estudante que encare 100% tranqüilo os dois dias de provas do vestibular, que aqui se chama explicitamente Exame Nacional para Entrada na Faculdade ( Gaokao , em chinês). Nos dias 7 e 8 deste mês, nada menos que 9,5 milhões de chineses fizeram as provas na disputa por 2,6 milhões de vagas, o que significa que a competição é feroz e obriga a longas horas de estudo e uma rotina espartana.

A pressão é tanta que, nos últimos meses, houve uma série de escândalos envolvendo pessoas tentando (e conseguindo) comprar gabaritos das provas. Há casos de gente acusada de revelar respostas de questões difíceis para estudantes parentes de graduados funcionários do governo e outras maracutaias.

· medida que as provas se aproximam, o assunto vira notícia obrigatória em TVs e jornais. Nos locais próximos às provas, construções são interrompidas, sinais de "proibido buzinar" são espalhados e até karaokês ao ar livre são banidos para não atrapalhar os exames, que começam às 9h e duram três horas.

As provas deste ano tiveram uma novidade: o governo decidiu instalar detectores de metais nas portas das escolas e bloqueadores de sinais de celulares nos locais de exame para evitar que os estudantes colassem.

O controle sobre o comportamento dos estudantes em relação às provas é levado com rigor comunista pelas autoridades. Este ano, por exemplo, todos os candidatos foram obrigados a assinar um termo de compromisso, no ato da inscrição, prometendo a não colar ou usar qualquer esquema para se dar bem nas provas. Isso servirá como uma espécie de documento que justificará a anulação do exame ou outras medidas mais severas em estudo hoje, como impedir que o sujeito faça outra prova num prazo de 24 meses.

E mais: o governo está montando um "banco de dados da credibilidade" que incluirá, a partir deste ano, o nome de todos os alunos pegos em algum esquema ilegal com relação ao exame. Não está claro ainda o que o governo pretende fazer com essa lista negra. Só em Pequim, 1.600 colégios onde ocorrem as provas foram equipados com sistema de monitoramento de câmeras

As decisões foram tomadas devido ao aumento na quantidade de esquemas usados pelos alunos para passar, tipo falsificar documentos para mandar um estudante no lugar do outro ou receber respostas por mensagens no celular. Ano passado, 1.700 alunos foram desclassificados porque algum tipo de cola foi descoberto.

Todo esse aparato aumenta o estresse dos vestibulandos. Liu Man Yi, 17 anos, Liu Yan, 18, e Huang Han Qi, 18, por exemplo, todos moradores de Pequim, dizem que viveram "o pior ano de suas vidas" na preparação para o exame.

- Há um ano estou estudando 13 horas por dia, dentro e fora de sala de aula - diz Liu Man, que pretende fazer design industrial.

Huang Han Qi, que prestou exame para economia e comércio exterior, estudou por dez horas diárias, mas afirma que se sentiu mais pressionado pela ansiedade dos pais:

- Os pais fazem uma pressão enorme para que você passe. Eu sei que é para o nosso bem, mas o nervosismo que a gente sente em parte vem dessa pressão.

Liu Yan, a única que fala inglês e quer estudar relações internacionais, foi a mais dedicada: 14 horas de estudos todos os dias. E sem a pressão dos pais:

-Acho que estou dentro.

O resultado eles só vão saber no dia 23 de julho, quando sai o listão dos aprovados. Até lá, dizem, querem descanso.
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