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Pesquisadores produzem dados inéditos sobre caranguejo-uçá

      
Por Eduardo Geraque

A cruzada para o entendimento da ecologia do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) acaba de completar mais uma parte. Com o encerramento da segunda fase do Projeto Caranguejo-uçá, que tem apoio da FAPESP e da Fundação Biodiversitas, por meio do Programa Espécies Ameaçadas de Extinção, a comunidade científica ganha um conjunto bastante rico, e inédito, de informações sobre a espécie.

"A junção da primeira e da segunda fase possibilitará a otimização do manejo da espécie em ambiente natural. Isso está sendo feito em parceria com o Centro de Pesquisa e Extensão Pesqueira das Regiões Sudeste e Sul (Cepsul) do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis]", explica o pesquisador Marcelo Pinheiro, coordenador executivo do Campus Experimental do Litoral Paulista da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

? com base nas informações obtidas por esse estudo, e por outros realizados por grupos que também se dedicam ao tema em outros pontos do país, que até o fim do ano terá início um inédito mapeamento das populações de caranguejos-uçá no Estado de São Paulo. Esse tipo de crustáceo, que somente poderia ser retirado da natureza após os nove anos de idade - uma tabela com tamanhos de exemplares é usada para estimar a idade -, é um dos poucos que está sempre associado aos manguezais, outro ecossistema ameaçado de extinção.

"Com base nas informações que conseguimos agora, e também em imagens de satélite georreferenciadas, será possível detectar a densidade das populações no local em que vivem", afirma Pinheiro, que há mais de 15 anos estuda os crustáceos brasileiros. O pesquisador teve um papel importante na reformulação das leis que regulamentam a exploração do animal, bastante procurado principalmente por causa de sua carne.

Segundo Pinheiro, no novo projeto, que terá financiamento do Global Environment Facility (GEF), duas áreas do litoral paulista serão particularmente vasculhadas. "Em termos de presença de indivíduos, Bertioga e Cananéia são as principais em São Paulo hoje. Não sabemos ao certo a qualidade dessa carne. Isso por causa da poluição da região, da presença, por exemplo, de metais pesados", disse.

Se a espécie está ameaçada na natureza, mas ao mesmo tempo existem algumas áreas onde a extração sustentável é possível, projetos como o desenvolvido na Unesp são importantes para a preservação da espécie. A criação em cativeiro desses animais é bastante difícil. Até hoje, apenas uma iniciativa, no Paraná, tem tentado criar o caranguejo-uçá para fins de repovoamento de áreas degradadas.

Além da questão científica, como lembra Pinheiro, a extração de caranguejo envolve aspectos sociais, econômicos e políticos. "Todas as discussões feitas no âmbito do Cepsul são baseadas na gestão participativa. Desde donos dos restaurantes até catadores de caranguejos participam dos encontros", conta.

Agora que os pesquisadores sabem, inclusive, os constituintes químicos da carne do caranguejo - esse estudo nunca antes feito também é fruto do trabalho realizado na Unesp de São Vicente -, além de detalhes do ciclo reprodutivo da espécie, poderá ser mais fácil enfrentar os problemas práticos que continuam se multiplicando.

O caranguejo servido em Sergipe aos turistas, por exemplo, por não crescer mais tanto quanto antes, já tem que ser trazido do Piauí. Em outros estados nordestinos uma doença misteriosa também tem causado grande mortalidade na espécie. Essas respostas, também, estão sendo perseguidas pelos cientistas.
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