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Notícias

Hebiatria: o novo campo da medicina

      
LéCIA PIRES

Entrar no consultório de um pediatra pode ser ultrajante para um jovem de 13 anos. Ele está grande demais para se divertir com bichinhos na parede. Aos 18 anos, a consulta com o clínico geral também pode ficar bem longe das expectativas. Cuidar do adolescente é papel do hebiatra - um especialista no período de maior desenvolvimento físico, emocional e psicológico do indivíduo.

Lidar com a juventude é o foco da médica Lilian Day Hagel há mais de 20 anos. Formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em 1981, ela cursou a residência médica em medicina interna. Mas descobriu, quase por acaso, o interesse por adolescentes e pelo campo de atuação ainda hoje pouco conhecido.

- Eu estava em um Congresso de Pediatria em Gramado, em 1985, quando encontrei um curso de medicina do adolescente. Decidi participar e vi que era isso que eu queria fazer porque reunia um pouco do que eu mais gostava na faculdade: ginecologia, psiquiatria e pediatria - lembra.

Como única clínica entre os pediatras, Lilian trouxe uma nova visão e integrou o comitê gaúcho de adolescentes. Hoje, atende 80 jovens por semana em dois hospitais da Capital e no Espaço de Saúde e Bem-Estar do Hospital Moinhos de Vento, no Shopping Iguatemi. O cotidiano da médica inclui ainda o trabalho como coordenadora do ambulatório e preceptora da área de adolescência na residência médica em Pediatria do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e o mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

- A pesquisa e o estudo são importantes ao médico. Estamos sempre aprendendo - avisa.

Metade dos pacientes de Lilian são encaminhados de postos de saúde para o atendimento no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e Hospital Conceição. Nas consultas, ela avalia o crescimento e as modificações físicas, psicológicas e sociais dos pacientes. Por meio destes três eixos, ela consegue identificar e tratar boa parte dos problemas que, geralmente, os adolescentes não gostam de falar.

- Não somos psiquiatras, nem psicólogos. Também não somos amiguinhos ou pai e mãe. No atendimento, não está em jogo o que pensamos, mas o respeito, o sigilo e o esclarecimento das dúvidas dos jovens. ·s vezes, precisamos conversar e medicar os pais também - conta.

No consultório, a hebiatra de 48 anos é sensível aos questionamentos. Por que o pé está grande e a voz grossa? Como enfrentar a menstruação e as acnes? Qual é o tamanho certo do pênis? A conversa franca abre espaço também para a dieta, a prevenção de gravidez precoce, a sexualidade e as doenças crônicas.

- Além do consultório, trabalhamos muito nas escolas, em palestras sobre drogas, comportamentos de risco e saúde. ? muito bom, porque, às vezes, com uma orientação médica você pode mudar a vida de alguém - diz Lilian.

Medicina

O que faz

- Trabalha na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de doenças e na promoção da saúde. O médico pode atuar em clínica e cirurgia, nas diversas especialidades, e em medicina esportiva, legal, comunitária e do trabalho nos setores público e privado.

Mercado

- Mais de 800 médicos são formados a cada ano no Estado. As áreas mais remuneradas são as que ainda têm o menor número de especialistas, como otorrinolaringologia, oftalmologia, geriatria e radioterapia.

Remuneração

- O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul indica que 38% dos médicos do Estado ganham até R$ 5 mil e 63% acima deste valor. A maioria (70%) dos profissionais tem entre duas e três fontes de renda. Carga horária, especialidade e tipo de empresa (pública ou privada) interferem nos ganhos.

Onde estudar

- FFFCMPA, Furg, PUCRS, UCPel, UCS, UFPel, UFRGS, UFSM, Ulbra, Unisc, UPF

Saiba mais

- Hebiatria é uma referência à Hebe, deusa da juventude na mitologia grega

- Segundo a Organização Mundial de Saúde, a adolescência é o período entre 10 e 20 anos

- A especialidade foi regulamentada em 1998 pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

- Para obter o título de especialista, o médico deve ser pediatra, ter experiência comprovada na área, residência ou curso de especialização em adolescência em serviços reconhecidos pela SBP. Além disso, deve ser aprovado na prova de título realizada no Congresso Brasileiro de Adolescência - o próximo será em 2007, em Curitiba
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