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Estudo da USP revela raízes da violência do PCC

      
Por Carlos Haag

Revista Pesquisa FAPESP - "Senhores, São Paulo tem 140 mil presos. São 140 mil homens do PCC (Primeiro Comando da Capital) dentro da cadeia e 500 mil ou mais familiares fora. Eles estão hoje programando inclusive para fazer eleições de políticos, está certo? O PCC é forte na capital, mas ele é apoiado em todo o Brasil aonde vai. Virou realmente uma febre. Ser do PCC é um bom negócio. Muitas pessoas vão cometer o crime sem saber o que têm de fazer. Se não vai, morre." Quem afirmou isso é o diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), de São Paulo, Godofredo Bittencourt Filho, numa reunião reservada da CPI do Tráfico de Armas, no dia 10 de maio.

No dia seguinte ao encontro fechado vários presídios estaduais iniciaram rebeliões quase simultâneas e uma onda de violência paralisou São Paulo por vários dias.

"Essa crise foi de uma grande amplitude, envolvendo mais de 70 unidades penitenciárias rebeladas, o que equivale à metade do número de prisões sob a responsabilidade da Secretaria de Administração Penitenciária. E, mais importante, as ações do grupo ultrapassaram as muralhas do sistema prisional. Chegaram às bases policiais, às delegacias, aos ônibus, às agências bancárias. Espalharam terror não só entre policiais e outros agentes públicos, mas na população em geral. Isso é inédito", observa o sociólogo Fernando Salla, do Centro de Estudos da Violência da USP - um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP - e coordenador (ao lado de Marcos César Alvarez) do projeto Construção das políticas de segurança pública e sentido de punição em São Paulo.

Um amplo painel, ainda em desenvolvimento, a pesquisa revela que a passagem do tempo não mudou tanto quanto deveria a política do Estado brasileiro no trato da segurança pública. Segundo o Cepid, as elites, desde o século 19, quiseram transformar o Brasil num país materialmente moderno, sem demonstrar grande entusiasmo pelas formas de vida democrática dos países que tomavam como modelo.
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