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Notícias

Juventude em ação

      

Muito se fala sobre a falta de atuação dos jovens hoje, especialmente no Brasil. Mas por mais que o Movimento Estudantil tenha mudado bastante nas últimas décadas, existe uma galera determinada a lutar por seus direitos e fazer valer sua vontade. Fervilham nos CA's (Centros Acadêmicos) e DCE's (Diretórios Centrais dos Estudantes) discussões sobre a educação e o universo estudantil. No exterior, não é diferente. Eles vão as ruas, protestam, reclamam e esperam dos governantes respostas para suas exigências.

Nem sempre, porém, os protestos são pacíficos. ·s vezes, partem para a violência e apelam para o desrespeito. Quem não se lembra dos estudantes que jogaram uma galinha preta em cima da ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, quando ela ainda estava no comando da cidade? E dos alunos da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquista Filho) que foram expulsos da instituição após um protesto, no mínimo, inconseqüente. Quando se discutia a questão orçamentária da instituição, estudantes do curso de História vomitaram, defecaram e urinaram na presença do reitor da Unesp, Marco Macari. Na seqüência, ainda atiraram as fezes sobre a mesa onde estava o reitor.

Tais atitudes provocam o repúdio das vítimas e chocam a sociedade. Até que ponto protestar desta forma vale a pena? Para especialistas, em nenhum momento protestos extremados, especialmente os vindos de estudantes, vão surtir algum efeito. Pelo contrário, as ações serão consideradas simples formas de chamar a atenção. "Há que se promover debates, discussões, sugerir propostas e dar idéias para que se resolvam as causas dos conflitos", afirma o sociológo da UnB (Universidade de Brasília), Antônio Flávio Testa.

Embora o sociólogo defenda que este é o melhor caminho para resolver as "pendengas", ele admite que o comportamento do Movimento Estudantil reflete nada mais nada menos do que uma expressiva queda na qualidade de seus integrantes. Por isso, está cada vez mais difícil ver estudantes batalhando por novos projetos e sugerindo alternativas para a solução dos problemas. Além disso, ele ressalta: "entre os que reinvidicam, sempre há os baderneiros, que não têm compromisso com a causa e só estão ali, literalmente, para fazer barulho." 

No Brasil, estudantes até já nadaram pelados nos espelhos d'água do Palácio do Planato, em Brasília. Tais comportamentos, apesar de serem lembrados pela população, são citados pelos especialistas como atos impensados que, se não contribuem, pior, ajudam a denegrir a figura do jovem de hoje. "No passado, o Movimento Estudantil era composto por líderes. Pessoas que levaram adiante sua vida de militância e se engajaram na política para construir algo novo", lembra Testa. Tanto é que, da década de 60, muitos dos jovens manifestantes, hoje, estão no poder. "Das últimas gerações, o nome de maior importância que saiu do Movimento Estudantil é Lindberg Faria, atual prefeito de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Ainda assim, com uma atuação pouco expressiva", diz.

? claro que, em regimes pouco ou nada democráticos, as manifestações costumam ser mais extremadas por conta da pouca abertura que o governo dá para o diálogo. "Em regimes muito fechados, não há dúvida que, muitas vezes, é necessário gritar mais alto para fazer valer seus direitos. Há casos porém, em que as manifestações começam equilibradas, mas por conta dos tais baderneiros infiltrados no movimento, tomam uma outra dimensão e beiram o descontrole", lembra o sociólogo da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Emio Sobottka.

No Chile, por exemplo, no final do mês de maio, estudantes secundaristas começaram a realizar protestos em várias cidades do país. O movimento reivindicava transporte escolar gratuito, modificações no critério de seleção universitária, e revisão da lei do setor, promulgada ainda durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). O movimento se tornou a primeira crise do governo Michelle Bachelet, que assumiu a presidência do país em março deste ano. Os estudantes chegaram a enfrentar a polícia e uma bomba explodiu no Ministério da Educação. Com o crescimento das manifestações e o apoio de professores e universitários, a presidente aceitou parte das reivindicações dos estudantes. ? claro que somaram-se à causa aqueles que não perdem a oportunidade de entrar em uma confusão, esquentando os ânimos. A praça de guerra que tomou conta de diversos pontos do país virou manchete nos principais jornais da mídia internacional. O movimento ganhou até um nome próprio "A revolta dos pingüins" - uma alusão ao uniforme utilizados pelos estudantes chilenos.

Na França, a criação do CPE (Contrato do Primeiro emprego), lei aprovada pelo parlamento francês que reduzia os direitos trabalhistas para facilitar a contratação de jovens entre 18 e 26 anos, foi o estopim de uma manifestação que garantiu dor de cabeça ao primeiro-ministro Dominique Villepin e ao presidente da França, Jacques Chirac. Os estudantes defendiam que a medida proposta pelo governo para reduzir a taxa de desemprego no país era superficial, uma vez que jovens de até 26 anos poderiam ser demitidos sem justa causa num período de experiência de dois anos, facilitando ao empregador contratar estas pessoas. Vale lembrar que a França é um dos países com maior índice de desemprego entre os jovens, mais de 20%, sendo que a média nacional é de 9,6%.

A resposta da população contra a decisão do governo foi uma revolta que durou cerca de dez semanas. Sindicatos de trabalhadores e entidades estudantis francesas organizaram manifestações que reuniram mais de 1 milhão de jovens estudantes em 150 cidades do país. Em Paris, 60 pessoas ficaram feridas e 141 foram presas. Reitores de 57 universidades francesas pediram que o presidente intervisse na questão para que a crise fosse superada. Após tanta mobilização e protesto, a massa conseguiu o que queria e a CPE foi finalmente derrubada.

Para os especialistas, estes exemplos mostram que a solução para atender as necessidades do governo e população é estar em contato com as pessoas para entender quais as necessidades de um povo. Embora nem sempre a conversa garanta acordos interessantes para ambas as partes, é a forma mais democrática e que menos gera conflitos. "Um governo não pode ignorar seu povo. Deve estar aberto para discutir e ouvir suas reivindicações. Do contrário, a população se torna cada vez mais insatisfeita. Em contrapartida, é preciso controlar os extremistas. Para isso,deve-se fazer valer a autoridade da polícia e punir os culpados quando houver violência e depredação do patrimônio público", conclui o sociólogo.

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