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Você protesta pelo que?

      
Protesto contra o aumento de impostos, novas lei de emprego, contra a corrupção na política, matança dos animais ou a devastação ambiental. Escolha a sua causa e...manifeste-se! ? assim que muitas pessoas fazem, diariamente e ao redor do mundo, quando discordam de uma condição que julgam opressora. Você já parou para se perguntar porque o ser humano reclama tanto, e mais, decide fazer de sua insatisfação um movimento que, muitas vezes, conquista vários adeptos, dependendo do grau e do motivo do desagrado de cada um? A resposta é que, por natureza, somos reclamões e insatisfeitos. Por outro lado, sedentos por liberdade para fazermos o que bem entendermos na hora em que bem quisermos. ? aí que o "bicho pega". ? deste princípio, a liberdade, que tem início a história dos movimentos de contestação.

Ainda nas primeiras civilizações, muito antes de se falar em cristianismo, os imperadores e seus povos já viviam conflitos de interesses, ideais e, por conseqüência, se deparavam com manifestações, revoltas e protestos. Segundo especialistas, este era o caminho natural para tais civilizações que passavam a se organizar e, portanto, se relacionavam de alguma forma, mostrarem suas opiniões, idéias, desejos e insatisfações. Resumindo: basta termos, no mínimo, dois cidadãos ocupando lugares em comum no espaço para você encontrar a divergência. "Embora não haja registros sobre o tema, é possível que antes mesmo do Império Romano os protestos já acontecessem", afirma o sociólogo da UnB (Universidade de Brasília), Antônio Flávio Testa.

Para entender tal raciocínio, basta tomar como exemplo relatos da história: o que acontecia com os camponeses do período feudal obrigados a trabalhar cada vez mais para suprir as necessidades da corte? Revolta. No Brasil, bastou que os portugueses desembarcassem aqui para que os conflitos do índio com o branco tivessem início. Mais para frente, com a escravidão, não foi diferente. Logo surgiram os quilombos, formados por escravos revoltados com a condição de opressão imposta pelos senhores brancos. "Se olharmos para a história, veremos que muitas das vezes em que um estranho mexeu na estrutura de poder pré-estabelecida em determinado local, privando os cidadãos de sua liberdade, fosse ela parcial ou não, apareceram os primeiros conflitos", pontua o sociólogo.

Mas o descontentamento que gera o protesto nem sempre parte de uma mudança ruim, pode ser fruto de uma situação de opressão que perdura por muito tempo até se tornar insuportável. Como exemplo, vale citar um dos movimentos de contestação mais importantes da história e, na opinião de especialistas, consagrado pelo caráter pacifista de seu líder contra uma potência mundial: a batalha desarmada de Gandhi para libertar a Þndia da Inglaterra. "Este é, sem dúvida, um dos movimentos mais importantes da história. O objetivo foi alcançado sem que fosse preciso usar da violência. Além disso, seu líder foi eternizado na história pela mensagem de paz que passava não só ao seu povo, mas para todas as civilizações", revela o sociólogo da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Emio Sobottka.

Neste caso, vale citar também a questão do Apartheid na áfrica do Sul e a história do líder Nelson Mandela que apesar de sua condenação - 27 anos em regime fechado - ao ser libertado, com apoio de seu povo, tornou-se presidente do país. "Estes são alguns exemplos de que a luta centrada em um objetivo, tendo à frente um verdadeiro líder, faz a diferença", acredita o professor da UnB.

Embora os movimentos de protesto e contestação sejam separados por uma linha tênue entre violência e paz, aqueles que se valem do pacifismo, ou que, em casos mais extremos, apenas se defendem da condição de opressão, por meio de uma resistência assegurada pela figura de um líder imponente, são os que acabam sendo vistos com méritos por estudiosos e, por conta disso, ganham a admiração da sociedade. Tanto é que a luta armada, a depredação e o vandalismo são atacados tanto pela imprensa, como também, pela sociedade e pelas autoridades. O exemplo mais recente foi o ataque do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) ao Congresso Nacional, ato rejeitado com veemência pela opinião pública. Saiba mais lendo a matéria "Nos bastidores do MST e MLST".

Vale enfatizar que a violência e o vandalismo são, para especialistas, uma espécie de mancha na história de um movimento pois, das duas uma: ou parte do princípio que a liderança de tal movimento simpatiza com tais atitudes que pouco ou nada colaboram na conquista dos objetivos do movimento. Ou, em segundo lugar, pode significar uma liderança incapaz de controlar seus manifestantes, pondo em xeque a credibilidade do movimento.

Além disso, eles defendem que, no mundo globalizado de hoje, é cada vez maior o número de movimentos reinvindicatórios de minorias como homossexuais, negros, mulheres, crianças, portadores de necessidades especiais. Com isso, cresce a necessidade destes grupos de se organizar, o que não requer violência. "O marketing social, por exemplo, fez isso muito bem. Mobilizou a sociedade, as autoridades, personalidades, atletas, e formadores de opinião em prol de campanhas pelas minorias sem precisar exaltar os ânimos", friza Testa. E isso serve tanto para os grupos formados pela sociedade aleatoreamente, como também, os grupos estudantis reinvindicatórios, que às vezes, são prejudicados por atitudes individuais extremadas de seus integrantes. Saiba mais lendo a matéria "Juventude em ação".

Força e discurso dos manifestantes

Mas, até que ponto a palavra pregada por estes movimentos pode ser levada em consideração? Deixando um pouco de lado a luta dos pacifistas e partindo para a ala dos extremistas, vale citar o caso das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Inicialmente, o movimento nasceu para contestar uma situação de marginalização da população, a questão do desemprego e das péssimas condições de vida de um povo. Com o tempo, porém, para vencer o opressor - neste caso, o governo - a estratégia de guerrilha falou mais alto: vamos nos unir ao inimigo mais próximo para vencer um inimigo em comum. Daí a aliança da guerrilha com o narcotráfico em troca de armamentos para sustentar a guerra declarada contra o governo.

Segundo Testa, este tipo de aliança é perigosa. "Quem garante que, ao assumir o poder, a guerrilha vai abandonar o apoio do narcotráfico e devolver o Estado à população para que seja feita a reforma política esperada e, mais do que isso, necessária para o bem comum? Por mais que se queira acreditar neste discurso, a própria história mostra que esta não é a realidade", diz Testa.

O professor defende este argumento uma vez que a grande maioria dos movimentos se estrutura para defender uma causa, mas que, em tese, quando resolvido o problema, ao invés de se dissolver, se institucionaliza e passa a depender da reprodução do problema para se manter no poder. "Aí se vive um paradoxo, um ciclo vicioso. E a história mostra isso. Basta olharmos o caso de Cuba e Fidel Castro", diz.

Contudo, ainda que existam os mais variados conflitos, nítida é a importância de tais movimentos para a sociedade. Eles são alternativas para que os indivíduos que estejam se sentindo oprimidos ou prejudicados possam dar voz a seus direitos. "Considero os movimentos sociais o oxigênio da sociedade, e aqui se encaixam os movimentos de contestação. ? claro que nem sempre as mudanças são fruto de acordos entre ambas as partes, mas são estes movimentos que trazem idéias novas e provocam mudanças. Sem eles, certamente viveríamos uma triste monotonia", acredita o professor da PUCRS.

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