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Professor terá bolsa para dar mais aula

      
Renata Cafardo

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) vai oferecer uma bolsa para professores que se dedicam principalmente ao ensino. A gratificação, inédita no País, deve chegar a R$ 2 mil mensais. A intenção é atacar um problema comum em universidades de excelência brasileiras e do exterior: os professores valorizados são aqueles que fazem pesquisa e publicam artigos em revistas científicas importantes. Como conseqüência, eles acabam deixando a sala de aula.

Não há, no regimento geral da Unifesp, obrigatoriedade de carga horária mínima que deve ser dedicada ao ensino. Na Universidade de São Paulo (USP), há poucos anos, uma determinação da reitoria estabeleceu que professores precisavam dar, pelo menos, oito horas por semana de aula para graduação ou pós.

Além de aumentar o conhecimento e proporcionar atualização na área, a pesquisa e a publicação de trabalhos ajudam também o professor a subir na carreira acadêmica. "Em um concurso, se um candidato tem 200 artigos publicados e quase nenhuma experiência didática e outro tem muita experiência didática e dez artigos, há nove entre dez chances de que o primeiro será aprovado", diz o pró-reitor de Graduação da Unifesp, Luiz Eugênio Mello.

Ele deixa claro, no entanto, que os professores pesquisadores são essenciais para a universidade, mas é preciso equilibrar a valorização dos dois tipos de profissional. Além de ascender na carreira, eles freqüentemente complementam os salários com bolsas de pesquisa. A produção científica da Unifesp - uma das três maiores do País - faz da instituição uma universidade de excelência. Em 2005, foram 9.095 publicações em mais de 400 linhas de pesquisa. A instituição tem cerca de 700 professores.

"O programa de bolsas vai ajudar a melhorar o ensino", diz o pró-reitor. Os candidatos ao benefício serão julgados em avaliações feitas por seus alunos e também por colegas professores que verificarão quanto o estudante aprendeu no curso do ano anterior. Algumas pesquisas - apenas na área de didática - também serão consideradas para a concessão da gratificação.

O novo programa, Bolsa Produtividade Ensino, foi aprovado na semana passada e será coordenado pela ex-pró-reitora de Graduação Helena Nader. Segue os moldes de uma gratificação semelhante aplicada na Universidade Harvard.

RIDICULARIZAۂO

"Alguns colegas até ridicularizam os professores que se dedicam a dar aulas", diz o médico e professor de Clínica Médica da Unifesp, Paulo Olson. Ele conta que muitos mandam seus alunos de pós-graduação para ensinar em seu lugar. Para ele, esse tipo de comportamento tem piorado o nível de ensino na universidade - para o pró-reitor, as avaliações atuais não indicam isso. "O principal objetivo de uma escola de Medicina deveria ser ensinar Medicina", afirma Olson.

"? muito importante que o bom professor dê aulas para o primeiro e segundo ano, mas muitas vezes isso não acontece porque se dedica à pesquisa", diz a diretora da Faculdade de Educação e ex-pró-reitora de Graduação da USP, Sonia Penin. Ela lembra que, além de impulsionar a carreira do professor, a produção científica também é considerada na avaliação dos cursos de pós-graduação pelo governo.

Segundo ela, a USP também está atenta ao problema e iniciou programas de incentivo ao professor que se dedica ao ensino. Durante sua gestão na pró-reitoria, duas horas da carga horária dos profissionais poderiam ser dedicadas à tutoria de alunos da graduação. Isso porque, muitas vezes, os professores pesquisadores se dedicam apenas aos pós-graduandos. A universidade também direcionou verbas para desenvolvimento de materiais didáticos e eventos ligados ao ensino na graduação.

A Unifesp também aprovou na semana passada uma nova categoria de professores, os professores afiliados. Até então, ela só existia para identificar os profissionais que apresentavam um bom projeto de pesquisa, mas não tinham conseguido passar em concursos públicos para integrar o corpo docente da instituição. A partir de agora, isso será possível também para professores que forem notadamente bons em didática e quiserem trabalhar por um período curto na Unifesp.

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