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Valorização do autor nacional

      
Ellen Cristie

A leitura dos livros exigidos nos vestibulares sempre demanda um tempo maior dos estudantes, porque, além da compreensão da narrativa, os jovens precisam se aprofundar em questões como estilo literário, contexto histórico da obra e características dos personagens. A menos de seis meses das provas da UFMG, muitos alunos do ensino médio e de cursinhos pré-vestibulares já começaram a se preparar para enfrentar a maratona de testes.

No início do mês, a Comissão Permanente do Vestibular (Copeve) reuniu professores de várias disciplinas para debater os critérios de escolha das obras e a elaboração das questões. Entre as resoluções, a Copeve anunciou a retirada do livro A menina sem estrela, de Nelson Rodrigues, da lista do concurso, porque a obra não está à venda nas livrarias. Quem ficou satisfeito foram os candidatos, que agora terão que ler quatro em vez de cinco obras até o fim do ano.

De acordo com Alzira da Conceição Marques Reis, professora de literatura do 3º ano do ensino médio do Colégio Pitágoras, unidade Cidade Jardim, suas turmas devem terminar a leitura dos livros em setembro. "Resolvi começar por Senhora, de José de Alencar, porque a leitura é rápida e simples, e os meninos gostam do tema por tratar de sentimento. Embora o vocabulário seja um pouco complexo no início, depois que eles se acostumam com o estilo, a leitura flui."

O segundo livro que Alzira vai trabalhar com os alunos é História do Brasil, do poeta mineiro Murilo Mendes. "A idéia é que eles façam uma conexão com o estudo regular do ano, já que estão tendo aulas de poesia modernista", explica. Julho e agosto serão destinados a Quincas Borba e, por último, nos dois meses seguintes, será a vez da obra de Cecília Meireles.

Alzira ressalta que este ano não há uma característica única que envolva todas as obras, mas uma tentativa da UFMG de sempre valorizar livros de autores brasileiros. "O que podemos dizer é que História do Brasil é uma obra debochada e tem um facilitador, porque conta a história do país com linguagem coloquial. Os poemas de Murilo Mendes, de certa forma, têm uma seqüência cronológica, iniciada antes mesmo de 1500 e vai até a década de 30. O que não ocorre com os poemas de Cecília Meireles, que são intimistas e falam mais do ser humano", argumenta. Quanto a Quincas Borba, ela aponta a ironia de Machado de Assis: "Apesar de o romantismo ser a primeira noção que se tem de Brasil, o livro mostra uma visão de país europeizada".

Para que os alunos fixem as histórias e os conteúdos, Alzira aplica provas que incluem questões dos livros, tanto discursivas quanto de múltipla escolha. Ela garante que a maioria dos estudantes lê os livros, mas também recorre aos estudos das obras. "Essa questão de não ler os livros pode até garantir alguns pontos na primeira etapa, mas com certeza o bicho pega na segunda etapa", brinca. "Nada substitui a leitura da obra, mesmo porque, na reta final, a prova de português e literatura é a que desempata."

PONTOS

Foi o que ocorreu com Júlia Machado Khoury, de 18 anos, ex-aluna do Colégio Pitágoras, aprovada em medicina na UFMG para o segundo semestre. Embora a área de ciências humanas não seja necessariamente o seu forte, Júlia foi tão bem nas provas de português e literatura - fez 84 pontos em 100 - que, ao somar os pontos, percebeu que a leitura e compreensão dos livros foi o que a salvou. "O mais natural é que eu fosse melhor em química e biologia, mas acabei passando por causa do português."

A estudante confessa que sempre adorou ler, mas admite certa dificuldade com Grande Sertão: veredas, o romance de Guimarães Rosa que está fazendo 50 anos. "Esse eu acabei lendo nas férias, porque era maior e mais complexo. Sempre que tinha dúvidas, consultava o dicionário, perguntava à professora e discutia em sala de aula", comenta.

Júlia aconselha aos vestibulandos terem controle emocional na hora da prova, especialmente na segunda etapa. "Muitos dos exercícios que fazemos em sala são parecidos com as questões da UFMG e geralmente são até mais difíceis", ressalta. "O mais importante é interpretar, analisar as histórias e não decorar."

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