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Assistência estudantil

      
GILSON E. GON€ALVES E SILVA

O estudante é a principal razão da existência de uma instituição de ensino. Por isso, as de nível superior têm bem definidas as políticas pedagógicas para os seus diversos cursos de graduação e de pós-graduação. As universidades públicas necessitam, entretanto, aperfeiçoar aquilo que se denomina, de modo genérico, como assistência estudantil. Deve ser um programa amplo e abrangente, que venha atingir os diversos aspectos da vida estudantil nas universidades. Deve começar desde o momento da primeira matrícula do aluno, acompanhado-o até a conclusão do seu curso de graduação ou de pós-graduação. Uma assistência estudantil adequada tende a diminuir os índices de evasão e retenção, tão prejudiciais à instituição e aos alunos.

Algumas instituições adotam o sistema tutorial, assim entendido como o acompanhamento do aluno por um professor. O tutor é um conselheiro e um orientador para assuntos acadêmicos e pessoais. As que não adotam este modelo o fazem através dos vários setores universitários, responsáveis pelos estudantes.

? importante a existência de um setor psicopedagógico que possa estar disponível a todos. A identificação precoce de problemas na esfera psicossocial torna mais fácil a solução deles. Esse tipo de apoio é fundamental para um jovem que enfrenta uma primeira mudança significativa na sua vida. A saída do ensino médio e o ingresso no ensino superior podem trazer conflitos e dúvidas. Na UFPE, o Cepasm vem dando apoio à saúde mental dos nossos estudantes, mas está necessitando ampliar e melhorar os seus espaços, para cumprir a sua missão com maior eficiência e maior abrangência.

Por vezes, as dificuldades são de ordem econômica, para aqueles que vêm de outras cidades e até mesmo para os que moram próximo ao seu local de estudos. Nesses casos, é imprescindível um programa de bolsas e de moradia que venha de encontro a essas necessidades básicas e fundamentais dos nossos estudantes. As bolsas não devem ter nem uma conotação meramente assistencialista, nem o caráter de bolsa-salário para suprir a falta de servidores técnicos administrativos. Elas devem propiciar o crescimento de cada um como cidadão, com aquisição de conhecimentos necessários à vida futura. A moradia deve ser digna, para permitir um conforto necessário ao tipo de atividade desempenhada e um aprendizado de uma vida em comunidade.

A alimentação, balanceada e de qualidade da comunidade, deve fazer parte das nossas preocupações, por ser necessária ao bom rendimento escolar. Esta premissa induz à necessidade de termos um restaurante universitário. O preço da refeição deve ser acessível a todos, devendo ser gratuitos para alunos comprovadamente carentes, incluindo os que moram nas casas de estudantes. Um restaurante numa universidade deve também ser campo de treinamento e de pesquisa de estudantes e professores das diversas áreas relacionadas às suas funções específicas: nutrição, hotelaria, economia, administração, medicina, entre outras.

Sabemos das dificuldades passadas pelas nossas estudantes, como também pelas nossas servidoras, quando querem conciliar o estudo e o trabalho com as obrigações maternas. Não é raro encontrá-las na universidade amamentando os seus filhos. Muitas não dispõem de condições para deixá-los em local ou com pessoal adequado. Por isso, também uma creche é imperativo, não só para suprir essa necessidade humana, mas também como campo de prática e de pesquisa para diversas áreas do conhecimento.

Mas a assistência estudantil não é só para alunos carentes e há várias outras atividades cuja prática deve ser estimulada na instituição de ensino. Assim, atividades culturais e artísticas, oferecendo espaços para apresentações cênicas e musicais, para estímulo à leitura e à difusão da literatura e também para exposição das artes plásticas.

A inclusão digital abre uma nova perspectiva àqueles que não tiveram acesso ao computador. Cursos básicos e avançados devem ser oferecidos, capacitando o usuário a utilizá-lo, desde a sua matrícula até a preparação dos seus trabalhos didáticos e científicos. O acervo das bibliotecas, tanto em títulos como em número, deve ser adequado às necessidades pedagógicas dos diversos cursos.

Uma atividade esportiva permanente, seja exercida como lazer ou oferecida como competições em jogos internos ou externos, deve fazer parte do cotidiano estudantil. Para isso, necessitamos de mais espaços e de melhor organização. Esse tema merece um maior aprofundamento, pois assistência estudantil não é só isso. Muito mais precisa ser feito.

Gilson Edmar Gonçalves e Silva é vice-reitor da UFPE
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