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Quando você se olha, o que vê?

      

Dizer que toda mulher acha que está acima do peso quando se olha no espelho não é novidade para ninguém, não é? Mas, você sabia que isso também acontece com os homens? Foi o que descobriram pesquisadores do Departamento de Psicologia e Educação da Faculdade de Fiolosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo).

A pesquisa foi realizada em Ribeirão Preto com 106 estudantes universitários. Segundo os pesquisadores, a maioria das mulheres normais ou com sobrepeso superestima seu tamanho corporal. Já as mulheres obesas e os homens subestimam suas silhuetas. Os resultados sugerem existir uma insatisfação geral em relação às silhuetas. Para eles, todos gostariam de ser mais magros.

Os autores do artigo "Relação entre índice de massa corporal e a percepção da auto-imagem em universitários", que será publicado na próxima edição da Revista de Saúde Pública, alertam que os resultados podem provocar, principalmente em mulheres, comportamentos alimentares não saudáveis. Entre as 57 entrevistadas, 87% afirmaram que se sentiam mais gordas do que realmente estavam. Segundo eles, os dados de distorção das imagens podem influenciar negativamente as atitudes alimentares. Se uma mulher, mesmo com peso adequado para a altura, sente-se gorda, essa distorção pode levar a dietas de restrição alimentar.

Para chegar ao quadro detectado pelo estudo - os participantes tiveram que responder questionários e também indicar como se viam a partir de uma escala de silhuetas - é ainda mais preocupante entre mulheres mais novas e adolescentes. Segundo os pesquisadores, a mídia associa um corpo belo com aqueles exibidos pelas modelos de passarela, mas a busca por esse biotipo pode levar até mesmo ao desenvolvimento de distúrbios alimentares como bulimia e anorexia.

Os resultados obtidos entre os homens - a maioria dos 49 entrevistados afirmou ser menos obesa do que realmente era - também indicam que a distorção na auto-imagem pode causar problemas nutricionais. Os especialistas acreditam que os números sugerem haver maior dificuldade dos homens em atentar aos cuidados necessários com o estado nutricional, o que dificulta ações preventivas para as doenças relacionadas ao excesso de peso.

Quando foram convidados a dizer qual silhueta agrada mais, homens e mulheres apontaram formas menores do que tinham. Para os pesquisadores, a exaltação da magreza na sociedade contemporânea, com corpos tão esguios quanto inatingíveis pela maioria da população, configura situação de permanente insatisfação pessoal. Apesar de o estudo evidenciar apenas a situação entre universitários, pesquisa em andamento com outras faixas etárias da população aponta cenário similar, uma vez que, entre crianças e adolescentes os resultados seguem a mesma direção.

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