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Na crise, oportunidades infinitas

      

Para os chineses, a palavra "Crise" é representada por dois ideogramas: o primeiro significa perigo, o outro oportunidade. Por sua vez, o ideograma da oportunidade é formado por outros dois símbolos: um representa uma árvore (estrutura e organização), o outro o trabalho (ação e realização). Portanto, oportunidade é a realização de um trabalho organizado e estruturado. E a crise é um momento de grande expectativa que prenuncia essa realização. Fácil, não?

Só que a maior parte da humanidade não vê as coisas assim. Por isso, quem obtém sucesso e revela sua visão de oportunidade se destaca e vira modelo para os demais. "O que é dificuldade para alguns, acaba sendo benefício para outros", explica Marcos Hashimoto, professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Ibmec São Paulo. "Existe a conjuntura social, econômica e política que gera turbulências, sim, mas gera, também, oportunidades. Tem gente que ganha muito dinheiro em época de eleições, por exemplo, e tem gente que perde. Então, é preciso entender até que ponto uma determinada situação dificulta ou possibilita o seu negócio. ? o que costumo dizer aos meus alunos".

Essa é uma questão cultural, mesmo. O Brasil não passou por grandes crises e catástrofes, por isso, geralmente perdemos o equilíbrio quando enfrentamos adversidades. Para Hashimoto, o país tem flexibilidade, mas ainda não sabe se entregar e vivenciar as mudanças. Trata-se de uma característica típica do brasileiro, do ponto de vista macro, mas, se quisermos falar de mudanças causadas pelos ambientes externos, esta discussão não terá mais fim. "Há questões peculiares, para as quais há respostas peculiares também, próprias para cada negócio", explica o coordenador. Agora, pensando na empresa unicamente, ele comenta que também é necessário fazer o exercício de identificação de crise e oportunidades. "Quando elaboramos um plano de negócios, é importante pensarmos à frente. Planejar é diretamente proporcional á experiência de cada um e se você não identificar os riscos e as saídas, não poderá se prevenir contra uma crise e acabará remediando. E remediar fica mais caro".

Como os dois outros especialistas entrevistados, Hashimoto destaca o planejamento de risco como o primeiro passo para um empreendedor que quer ser bem sucedido. Ao elaborá-lo, você deve, então, se perguntar:

1. O que pode acontecer? Quais são as chances de meu empreendimento dar errado?
2. Se acontecer algo errado, que prejuízo terei?
3. E quais são as alternativas de ação para resolver a questão?
4. Posso eliminar riscos ou, pelo menos, minimizá-los?
5. Posso eliminar ou minimizar o impacto desses riscos?

"Assim, você fica mais protegido contra os fatores externos", afirma, ressaltando outros pontos que não podem ser esquecidos. Conhecer bem o seu negócio e o seu ramo de atividade. "Quanto mais você conhecer o negócio, menos precisa de planejamento. Você tem que ter faro, que vem da experiência". Mas experiência você adquire com o tempo. E quem está no começo do negócio? Neste caso, um bom plano, minimamente detalhado, é imprescindível para enfrentar os percalços no meio do caminho. E Hashimoto pondera: "Faro é percepção e vem da experiência. Mas você pode ter experiência e não desenvolver a percepção: o faro pode não se manifestar. E ainda pode acontecer o contrário: você pode ter sensibilidade, mas não ter experiência, nem o conhecimento. E aí o negócio não vinga também".

Informação é outro aspecto precioso na trajetória de um bom empreendedor, para a qual o professor chama a atenção: "Até pouco tempo atrás, éramos carentes de informação. Hoje, há excesso: a quantidade não é problema, mas a qualidade sim. Então, é imprescindível saber filtrar a informação, saber distinguir o que é relevante e o que não interessa". E, para fazer bem essa seleção, é preciso ter conhecimento, estudo.

E, por último, Hashimoto destaca o efeito Pigmaleão que significa "a profecia auto-realizável", ou seja, comentários sobre o mercado - geralmente negativos - que se alastram, tornando-se realidade. Ele explica: "O mercado não está fácil, você ouve uma série de previsões pessimistas e acredita nelas sem se informar muito a respeito. Por conta disso, não contrata o gerente de marketing de que tanto precisa porque não quer gastar e prejudica o seu negócio. Tudo realmente fica difícil, como previram". E sentencia: "·s vezes, é importante ignorar certos comentários, ser mais seletivo. Não se deixar influenciar pelo coletivo. As oportunidades também surgem quando você resolve remar em sentido contrário do que todo mundo está fazendo. Quando resolve ser pioneiro, a despeito do resto. Isso faz toda a diferença e coloca o seu negócio em outro patamar. Usar as contrariedades a seu favor e identificar oportunidades onde os outros só vêem desgraça é empreender". Que tal experimentar?

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