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Indicando o futuro

      

Por Felipe Datt

A multinacional 3M, fabricante de itens diversos como materiais de limpeza e itens de escritório, adotou há alguns anos uma estratégia que vem sendo seguida à risca pela filial brasileira: 30% da receita da empresa tem de vir, obrigatoriamente, da venda de produtos desenvolvidos há menos de cinco anos. Por trás do indicador escolhido - que representa quase um terço das vendas da companhia, um número considerado alto - existe uma estratégia evidente: o desenvolvimento contínuo de novos produtos e tecnologias.

Essa adoção de indicadores aparentemente simples não são exclusividade da indústria. Também já fazem parte do dia-a-dia de muitas IES (Instituições de Ensino Superior), que, ao quantificar e analisar os dados colhidos,ÿdão um passo enorme para a profissionalização de suas gestões e têm facilitado o processo de tomada de decisões estratégicas. "Trabalho há anos com grandes e pequenas instituições de ensino e todas têm o mesmo problema em comum: a não-efetividade de suas gestões",ÿcontouÿo coordenador do Grupo de Excelência em Gestão de Instituições de Ensino Superior do Conselho Regional de Administração do Estado de São Paulo, Geraldo Gonçalves Júnior. O especialista participou na tarde de ontem do workshop "Medição do Desempenho das IES: Como Desenvolver, Implementar e Controlar Indicadores de Gestão", parte do V Congresso Brasileiro de Gestão Educacional.

As metodologias expostas pelo coordenador do Conselho de Administração são as adotadas pela FNQ (Fundação Nacional de Qualidade), uma organização que tem como objetivo disseminar os fundamentos da excelência em gestão para o aumento de competitividade das organizaçõesÿde vários segmentos. O objetivo é avaliar o potencial estratégico da utilização de indicadores de gestão na vida das IES. Osÿindicadores, explicou o palestrante, podem ser quaisquerÿdados ou informações númericas que quantificam entradas (de dinheiro em caixa ou de alunos em universidades, por exemplo), saídas (evasão escolar) ou mesmo o desempenho da empresa como um todo (qual o dia do mês em que há mais dinheiro em caixa?).

"Os indicadores podem ser simples, como um índice de inadimplência, ou múltiplo, como o coeficiente de rendimento escolar do aluno. O importante é que devem ser acompanhados mensalmente para facilitar a tomada de decisões por parte da administração do centro de ensino", pontua Gonçalves. Ele cita como exemplo a PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), que adotou um indicador batizado de "média do aluno", que avalia desde o desempenho escolar à sua participação em atividades extra-curriculares.

Conforme o especialista, ao definir seu processo pedagógico e seu sistema de ensino, as instituições têm de definir outros dois indicadores para isso.ÿO primeiro deles versa justamente sobreÿo "cliente" da empresa: o estudante. "Se aÿuniversidade conseguir definir quem entrará na instituição ela dará um enorme passo, pois terá matéria-prima que atenderá seu objetivo pedagógico. ? como as grandes empresas fazem, ao comprar a matéria-prima adequada para seu processo produtivo. Mas, infelizmente,ÿesse indicador não é adotado pelas IES, que preferem adotar seus processos seletivos", critica Gonçalves Júnior. Outro indicador é necessário para avaliar se a própria faculdade está conseguindo direcionar o aluno para o mercado de trabalho.

Prevendo o futuro

O coordenador diz que a questão da profissionalização da gestão é vital para o futuro das instituições. "Existem especialistas que apontaram, há dois anos, o período negro que as universidades passaria em 2006 e 2007. Isso tudo em relação à manutenção dos alunos, à inadimplência, à sua saúde financeira e aos investimentos necessários.ÿO mesmo movimento que aconteceu na indústria décadas atrás vai se repetir com as IES.ÿUm cenário de vendas, fusões e parcerias com investidores de outros segmentos. Este ano só veio para reforçar essa situação", disse, dando um alento: "as escolas que se prepararem estarão à frente das outras quando a crise terminar".ÿÿ

Para ele, é na prática da gestão profissional e nos resultados da empresa que determina-se quais os indicadores serão utilizados. "Um exemplo: qual o dia do mês em que há maior movimento de caixa? Parece uma informação fútil, mas ter isso em mãos permite ao gestor renegociar seus débitos com as prestadoras de serviços, como as de telefonia, escolher as melhores datas do pagamento de contas. Em uma dessas, livra-se de um cheque especial e ganha montante extra para investir", exemplifica. Ele finaliza: "os indicadores têm de ser criados e adequados para cada IE. Não existe um padrão universal", avalia.

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