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A UFABC vai olhar além do umbigo, diz reitor

      
Illenia Negrin

Falta pouco para o reitor da UFABC (Universidade Federal do ABC), Luiz Bevilacqua, se despedir do cargo. Ele não vai concorrer às primeiras eleições para a reitoria, previstas para julho; deixará a instituição depois de oito meses de trabalho. O engenheiro completou em fevereiro 70 anos; no funcionalismo público, a idade é sinônimo de aposentadoria compulsória.

Bevilacqua assumiu o comando da UFABC em dezembro, em meio a crise provocada pela exoneração do reitor Hermano Tavares e da desistência do professor José Fernandes de Lima em permanecer no posto. Na época, o MEC (Ministério da Educação) justificou a saída dizendo que Tavares era alvo e desagradava as autoridades da região, o que poderia prejudicar a implementação da universidade. As críticas davam conta de que a instituição não contemplava as necessidades do Grande ABC.

A mudança de comando, no entanto, não mudou os rumos nem o perfil da UFABC. "Não mudou e não vai mudar. Podem passar 50 reitores pelo cargo, e a universidade vai seguir no mesmo caminho. Não podemos nos restringir à regionalidade." Confira os principais trechos da entrevista de Bevilacqua, concedida ao Diário.

Consolidação - "Em termos de qualidade, diria que a UFABC está totalmente consolidada. Um dos maiores pressupostos de qualidade de uma instituição é a qualificação do próprio docente. E todos os nossos professores são doutores, altamente capacitados. Os docentes que serão contratados daqui para frente terão de ser tão bons ou melhores. Nesse sentido, lançamos uma âncora que vai determinar o futuro da universidade.

Perfil - "A UFABC nasceu para ser um pólo de conhecimento e inovação tecnológica. Esse é o futuro que está se delineando, não só para a região, como também para o Estado e para o País inteiro. Não é uma universidade criada para pensar no próprio umbigo. Vamos além. ? preciso ficar claro que há um leque muito grande de iniciativas em educação superior. Um dos tipos é o foco na profissionalização. Essas instituições atendem a uma demanda enorme, e há muitas de qualidade. Não são menores nem inferiores a UFABC. Simplesmente diferentes. Por haver na região instituições com esse perfil, o MEC determinou que a UFABC tivesse outro viés.

Universidade tem de ter uma perspectiva universal de conhecimento. Isso não significa que não vá atender a região. A instituição vai atender a região de qualquer maneira. A maioria dos nossos alunos é do Grande ABC. São eles quem vão produzir novos conhecimentos e levar a dimensão universal para a região. Não podemos nos reduzir à regionalização. Temos é que dar dimensão universal ao Grande ABC."

Ciclo básico - "Alguns criticam nosso modelo de ensino, que tem o ciclo básico de três anos. A idéia é formar mais do que funcionários. ? formar empreendedores. Os alunos da UFABC ingressam na universidade, não num determinado curso. Desde o início, vão exercitar o poder de escolha para que definam seus próprios caminhos, durante os três primeiros anos. Acreditamos que esse modelo iniba a passividade."

Tavares - "Houve uma turbulência, sem dúvida (referindo-se à saída do reitor Hermano Tavares). As pessoas têm de entender o seguinte: a âncora está lançada. A universidade veio para ficar e trazer para a região o que o Grande ABC merece, que é autonomia de pensamento. ? irreversível. Os professores já estão lá. Pode mudar o reitor, e ainda assim a instituição não vai mudar. Só muda se os professores saírem, se não houver quem trabalhe a interdisciplinaridade.

Conselho - " Conseguimos eleger o Conselho Universitário; são 20 pessoas, entre representantes do corpo docente, dos funcionários e dos alunos. ? o conselho quem vai decidir as regras para a escolha. E, além da eleição para a reitoria, terão de viabilizar o vestibular, o término da construção do campus e a contratação de mais cem professores ainda este ano.

Reforço - "O ensino médio deixa muito a desejar. Tanto o particular quanto o público. Tivemos evasão de alunos que não conseguiram acompanhar o ritmo de estudos. Nosso esforço é no sentido de viabilizar a permanência deles. Aconselhamos a fazer um número menor de matérias por período, porque é melhor demorar um pouco mais para concluir os estudos do que abandonar.

Além disso, vou propor ao Conselho Universitário que sejam criados os cursos de nivelamento, uma espécie de aula de reforço aos que tiverem mais dificuldade. A idéia é que passem um trimestre inteiro nas aulas de apoio, para não seguirem capengando nos estudos.

Mercado - "Nós vamos fazer o mercado. Não o contrário. O mercado não vai nos pautar. Somos uma universidade pública. ? lógico que o intercâmbio com as empresas deve existir, de maneira que seja bom para as duas partes. O professor Carlos Henrique de Brito (ex-reitor da Unicamp e ex-presidente da Fapesp) fez uma palestra na UFABC em janeiro. A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) tem um programa de apoio a empresas, que só financia projetos inovadores. Onde estão as empresas que conseguiram o financiamento? Em São José dos Campos, São Paulo, Campinas, São Carlos. Aqui da região não tem. Aí perguntei ao professor o porquê. A reposta: porque o Grande ABC é um pólo industrial, mas não tem universidade. Todas as empresas que conseguiram financiamento da Fapesp para desenvolver projetos estão em cidades que têm universidade. Porque os alunos dessas universidades foram para essas empresas, formaram uma nova mentalidade, algo inovador. Se a formação e as pessoas são muito passivas, se os nossos formandos forem simplesmente empregados do grupo, a indústria acaba e eles procurarão emprego em outro lugar. O que a gente quer não é isso, é iniciativa.
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