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Em crise, segurança no Rio inspira pós-graduação e MBA

      
Para coordenador do curso da Estácio de Sá (RJ), os problemas de segurança escapam à estrutura policial

No Rio, cada vez mais policiais passam pelas salas de aula para unir suas experiências ao método acadêmico. A Universidade Estácio de Sá está instruindo 50 policiais - militares, civis e federais, agentes penitenciários e guardas municipais - na pós-graduação em Políticas e Gestão em Segurança Pública. A Universidade Cândido Mendes abre inscrições para um MBA em Segurança Pública. A Universidade Federal Fluminense (UFF) possui o primeiro curso de pós-graduação nessa área do Rio. Já a Universidade do Estado do Rio (Uerj) mantém, desde o fim dos anos 90, um curso em Gestão de Segurança Pública.

Para o historiador Marcos Bretas, coordenador de um dos módulos do curso da Estácio, a busca de soluções para a polícia revela a falência da política de enfrentamento da criminalidade. "A segurança pública não está dando respostas", diz. "A polícia agiu durante muito tempo de uma forma única. O que está visível é que não está dando certo." A primeira turma da Estácio conta com bolsas da Secretaria Nacional de Segurança Pública, mas o sucesso levou à abertura de três novas turmas. "O que a gente faz é chamar a atenção para o fato de que os problemas que na ponta são relacionados à segurança escapam da estrutura policial. Hoje, quem trata de segurança precisa ir além disso."

O curso de Especialização em Políticas Públicas de Justiça Criminal e Segurança Pública da UFF virou referência na área e se tornou parte obrigatória para a conclusão do curso superior de polícia para oficiais da PM. Desde 2000, cerca de 500 policiais passaram pelas aulas. Delegados também participam.

O antropólogo Roberto Kant de Lima, coordenador do curso da UFF, lembra que a chegada dos policiais foi vista com desconfiança. Professores e alunos de outros centros não gostaram de dividir espaço com uma categoria identificada com o autoritarismo. Mas Kant fez dos policiais, alunos. E criou regras como a proibição do uso de farda. "Aqui são todos alunos. Uma sociedade democrática precisa de uma polícia, e boa. Ditadura não precisa de polícia", diz o antropólogo. Apesar dos resultados, Kant não abriu inscrições para a turma deste ano. O governo do Estado não renovou contrato com a instituição para instrução dos PMs.

O mesmo ocorreu com o curso de Gestão em Segurança Pública e Justiça Criminal, que formou duas turmas em 2006, misturando juízes, promotores, policiais e guardas municipais. O curso, financiado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, foi cortado do orçamento. "Disseram que não é prioridade. Se formar policiais não é prioridade nesse País, não sei o que é", reclama Kant, que conseguiu juntar recursos para uma terceira turma. "Temos até desembargadores matriculados".
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