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Intimidade com a web

      

Por Silvia Angerami

Desde a década passada, vivemos mergulhados na era da Internet. Não é mais possível ignorar as ferramentas da tecnologia colocadas à disposição de todos, inclusive dos docentes. Ao contrário, quanto mais intimidade o professor tiver com os recursos da tecnologia e da Internet, mais facilidade terá para desenvolver o conteúdo didático junto aos alunos. Os jovens são grandes usuários da rede mundial de computadores, ainda que seja basicamente para diversão. Cabe aos professores destacar o outro lado: mostrar aos alunos como a Internet pode ser útil para a aprendizagem.

Para Ariovaldo Folino Júnior, diretor do departamento de Educação a Distância da Uninove (Centro Universitário Nove de Julho), o uso da Internet na relação docente-aluno aproxima, exige participação responsável e propiciou a quebra de fronteiras. A um professor que ainda não faz uso desse tipo de ferramenta, o professor Ariovaldo recomenda que a primeira coisa que ele deve fazer é se tornar aluno de um curso baseado na Internet. "Dessa forma, ele vai perceber como pode usar isso", afirma. "Logo que a Internet surgiu, muitos professores começaram a criar a sua home page, a trocar e-mails com os alunos, em ambiente aberto", relembra. Segundo ele, esse cenário foi evoluindo e hoje os alunos conquistaram mais interatividade, ao trocarem mais informações entre eles, em fóruns de debates acadêmicos ou em outras instâncias.

Ele destaca que o que se observa hoje é que, ao contrário do que se costumava dizer na década passada, na Internet tem muita coisa boa. "Ao contrário do que alguns pessimistas quiseram prever, ao invés de diminuir o papel do professor, a Internet exige muito mais dele: ao responder e-mails, participar de fóruns, de salas de bate-papo, o professor acaba congregando não só alunos da sua própria instituição de ensino, como de outras instituições e de outros estados brasileiros. Essa troca de experiências entre alunos de diferentes locais enriquece o aprendizado", analisa.

"Teorias tem várias", afirma, "mas o melhor mesmo é sentir de perto essa mudança de paradigma. Ao participar de uma palestra virtual, sala de bate-papo, o docente vai sentir necessidade de postar uma mensagem. Isso vai tocá-lo a ponto de fazê-lo perceber que essas ferramentas podem enriquecer a aula dele também", discorre. O professor acredita que o ideal é que a atividade docente seja presencial e virtual ao mesmo tempo.

Dessa forma, o professor consegue manter a sua aula ativa não apenas uma vez por semana, mas durante toda a semana, já que as discussões podem acontecer no espaço virtual. O professor Ariovaldo atua há cinco anos com EAD. No princípio, ele relata que a idéia ganhou força na área tecnológica. Mas ao longo do tempo foi comprovando que as demais também estavam aptas a usar essas ferramentas. "Qual é o mercado profissional que não troca e-mails hoje em dia?", questiona. "O jovem já vem alfabetizado desde o mundo dos games. Conversar com alguém do outro lado do mundo na rede mundial de computadores é algo que não assusta mais o aluno", analisa. Na Uninove, de acordo com ele, desde que começou o EAD, os tutores nas salas de aula foram sensibilizados a empregar essas comunicações nas aulas presenciais. "Diversos cursos, tanto na graduação quanto na pós-graduação, adotam EAD na Uninove", explica.

Veio para ficar

A tese de doutorado do professor Fernando Modesto, do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo), partiu do princípio de que a Internet veio para ficar nas universidades e bibliotecas. O professor Modesto analisou o ambiente acadêmico paulista na UNESP, UNICAMP e USP, quanto às mudanças geradas pelo uso da Internet e, conseqüentemente, influindo em novos comportamentos e desempenhos de bibliotecários e docentes/pesquisadores. "Particularmente, acredito que a Internet é uma ferramenta que facilita muito o trabalho do docente, na graduação, na pós e na pesquisa. Tenho meu site da disciplina, deixo ali à disposição dos alunos os programas, as apostilas, as bibliografias e o material de apoio, sempre atualizados ", relata.

"Outro recurso interessante é o blog", aponta. Professor Modesto destaca que a ferramenta pode ser usada como uma forma de integração com os alunos. "Apliquei em uma disciplina. · medida em que eles iam produzindo seus trabalhos, cada um ia marcando suas experiências no blog coletivo, colocando as suas opiniões. E eu podia acompanhar o desenvolvimento de todo o grupo, a participação, a integração, o trabalho cooperativo e a formação de redes sociais", comenta. Os alunos identificaram os interesses comuns, e os trabalhos que tinham algum elo iam naturalmente se integrando.

O recurso de VoIP (voz sobre IP - Internet Protocol -, o mesmo sistema usado em softwares como o Skype, por exemplo), também é apontado pelo professor como útil, principalmente nos casos de orientação de TCC ou de dissertações de pós-graduação. "Quem tem computador, sem gastar muito, pode usar esses programas de comunicação, aliados a uma webcam. Isso facilita o aluno a manter um contato muito mais próximo com o professor, promove uma interatividade interessante. A comunicação a distância ajuda a construir os seus saberes", diz.

A tecnologia, na opinião do professor Modesto, dá condições interessantes para que os docentes possam desenvolver sua prática de ensino e de pesquisa. "? um processo que vem crescendo, mas muitos professores são resistentes à tecnologia por não saberem operar, por não terem tempo para esse aprendizado", analisa. "Na própria pesquisa, detectei que os docentes da área de Exatas e Biológicas são mais abertos ao uso dessas ferramentas, por conta da formação e do foco de interesse. Os de Humanas não encontram tanto conforto nessa prática", aponta.

Mais flexibilidade

Um outro tipo de serviço que tem se popularizado entre docentes é o que possibilita a criação de Salas de Aulas Virtuais. Atualmente, o Universia disponibiliza um serviço desta natureza, o Salas Virtuais (www.universia.com.br/salasvirtuais), desenvolvido pelo TelEduc, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Uma das vantagens da Sala Virtual é sua facilidade de uso. Não é preciso ter conhecimentos de tecnologia para criar uma Sala Virtual. Segundo Guilherme Zillig, analista de programa de formação da Faculdade IBTA e usuário das salas virtuais do Universia desde 2005, o ambiente é seguro e intuitivo. "No início, usávamos a sala para fazer um link com o nosso ambiente de estudo a distância. O aluno se cadastrava e podia acessar materiais complementares indicados pelo professor. Agora, na sala virtual é muito mais fácil subir conteúdo, dá mais flexibilidade para o aluno se inteirar com a turma", elogia. Guilherme é responsável pelo design instrucional, ou seja, ele modela como vai ser uma aula no ambiente EAD.

A Faculdade IBTA aprovou tanto esse modelo, que até mesmo as reuniões de professores passaram para o ambiente virtual. "Basta copiar tudo o que foi discutido no chat e a ata é gerada automaticamente", completa Zillig. O material de apoio fica disponível on-line e os coordenadores de curso e professores podem ser convidados. A reunião tem horário para começar e acabar e costuma ser muito produtiva e objetiva.

A Sala de Aula Virtual, por ser um ambiente, fechado, protegido, também conta com um perfil de professores e alunos, que Guilherme chama de "miniorkut". "Os alunos gostam muito, eles passam a conhecer colegas nas disciplinas comuns em cursos diferentes. Dessa forma, evitamos o maior mal do estudo a distância, que é a solidão", relata. Hoje, todos os 270 professores da graduação da IBTA, além dos cerca de 50 da pós-graduação podem participar das Salas Virtuais e são estimulados a isso. Eles hospedam o conteúdo das aulas em pastas e o aluno pode baixar as apostilas, exercícios e gabaritos diretamente da web. "Na minha opinião, a integração e a facilidade de acesso ao material de apoio são as maiores vantagens desse sistema", diz.

Retrato do discurso coletivo

Outra possibilidade é o uso de softwares específicos, desenvolvidos para uso de pesquisadores e docentes, como o QualiQuantiSoft. Em pesquisas de opinião pública, a fim de se obter um retrato do discurso coletivo, existem várias maneiras de agrupar as respostas dos entrevistados. Mas a hesitação dos pesquisadores diante de uma variedade de respostas e sobre qual ação tomar levou os professores Fernando Lefevre e Ana Maria Cavalcanti Lefevre, da FSP/USP (Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo), a desenvolverem o software. Lançada há quase três anos, a ferramenta sistematiza as opiniões obtidas em pesquisas do DSC (discurso do sujeito coletivo). O software também pode ser usado para obter o grau de satisfação dos alunos com um determinado curso.

"O software, junto com essa metodologia, tem sido usado para fazer avaliação docente, ele é muito útil para isso, ele dá uma percepção muito detalhada dos alunos, um feedback importante", informa o professor Lefevre. Ele acrescenta que o software tem grande aplicabilidade nas áreas de Educação, Treinamento e Capacitação. "Embora tenha sido desenvolvido na área de Saúde Pública, é um método bem amplo", classifica. O software foi desenvolvido pela USP em parceria com uma empresa privada, que comercializa o produto em várias versões, com preços que variam de R$ 300,00 a R$ 2.200,00.

A conclusão é que a tecnologia abre infinitas possibilidades ao ensino. Cabe ao professor escolher uma com a qual ele se adapte melhor. Ainda não se sabe aonde esse processo vai chegar. O que se sabe, porém, é que desde já o ensino e a pesquisa estão muito mais motivantes e interativos.

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