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Informática usada para facilitar a vida de cegos e surdos

      
Desde 1992, quando conheceu o caso da filha de um amigo que, por ser surda, tinha dificuldades em falar de forma inteligível, o professor Antonio Edison Urban vem desenvolvendo na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em parceria com o Centro de Reabilitação Sylvino Antonio, da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), projetos para tornar a informática uma ferramenta para auxiliar portadores de deficiências nos sentidos a diminuírem suas dificuldades no dia-a-dia.

"Em relação aos portadores de deficiência auditiva estamos pesquisando formas de representar sons visualmente para gerar elementos de comparação entre a oralização de um ouvinte e de um surdo, oferecendo a este último um retorno de que não dispõe dada a sua condição", explicou o professor, alegando que o surdo não consegue falar de forma inteligível por não possuir o feedback de ouvir o que está pronunciando. A intenção do projeto é que cada fonema emitido tenha uma representação gráfica. Assim, o surdo poderia pegar as representações do discurso de um ouvinte e treinar sua fala para que ficasse o mais próximo possível desse modelo.

"Inicialmente fizemos representações simples, para verificar se o projeto tinha aplicação e viabilidade para o objetivo. Atualmente estamos estudando os componentes do som oralizado para isolar aqueles que contribuem para a formação dos fonemas daqueles que dependem da estrutura do aparelho fonador do emissor, buscando maior utilidade do gráfico resultante", explicou, dizendo que, no futuro, pretende introduzir a inteligência artificial para, através de comparação de dados, o computador ser capaz de orientar o usuário sobre o que pode ser feito para que o som emitido se aproxime do ideal.

Para isso, os alunos da UFPR estão desenvolvendo, sob sua orientação, um sintetizador de voz compatível com o português e que roda em software livre, tornando-o acessível a qualquer usuário. "Alguns desdobramentos já estão previstos: ter o serviço disponível para uso na web e uso de reconhecimento de padrões para apoio ao surdo na correção de sua oralização", disse o professor.

Como outro desdobramento para esse projeto surgiu uma nova iniciativa, desta vez para beneficiar deficientes visuais. Aproveitando o mesmo sintetizador de voz e os padrões de áudio criados para dar assistência aos surdos, o professor Urban quer criar um sistema para auxiliar cegos a terem acesso a textos, com CDs de áudio. "Isso já existe na Biblioteca Pública do Paraná, mas se o usuário não entender uma palavra, acaba tendo sua 'leitura' prejudicada. Nossa intenção é criar um dicionário sonoro'. A idéia do professor é, com o recurso da informática, disponibilizar um dicionário digital vinculado aos cds com textos. "Um texto literário tem cerca de mil palavras diferentes, um livro técnico, um pouco mais. Podemos fazer um CD com o texto e o dicionário apenas com os verbetes contidos nele", explicou. Com o projeto que está sendo desenvolvido, o cego "leitor", no momento de uma dúvida, poderá parar o áudio, ouvir novamente a última frase reproduzida e selecionar a palavra que não compreendeu para ouvir sua definição segundo o dicionário.
 
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