text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

UnB: Ameaça às pesquisas

      
Defeito em transformador deixa laboratórios no escuro durante sete horas. Experimentos de genética e de medicina foram prejudicados

Talita Cavalcante

Pesquisas perdidas, investimento desperdiçado, tempo gasto. Esses são alguns dos prejuízos causados pelas sete horas sem energia elétrica, ontem, na Universidade de Brasília (UnB). O fornecimento foi interrompido em todo o Instituto Central de Ciências (ICC) às 10h20 e só às 17h20 voltou ao normal. Alunos e professores contabilizam as perdas, como Neda Sadeghiani, 38 anos, doutoranda em genética, que perdeu toda sua pesquisa devido à falta de energia. Ela testa em camundongos, há dois anos, novas drogas contra o câncer, no Laboratório de Genética. "Não pude analisar as células dos órgãos infectados, que retirei das cobaias, no microscópio. Nem foi possível utilizar a centrífuga. Perdi todo experimento", conta a pesquisadora.

Outra aluna que sofreu os efeitos do apagão na universidade foi Ellen Rangel, 29 anos, doutoranda da medicina. Ela foi à UnB para realizar um teste, que faz parte de sua tese de mestrado sobre a cura de Leishmaniose com o uso de plantas medicinais do cerrado. "Tinha que aplicar uma injeção em um camundongo. O teste foi adiado e minha pesquisa, atrasada", reclama. A pesquisadora explica que o Biotério ? local onde ficam as cobaias ? não foi higienizado ontem e mais de 300 animais do setor ficaram agitados, devido à falta de iluminação. "Eles estão acostumados a receber luz artificial 12 horas por dia".

De acordo com a Companhia Energética de Brasília (CEB), houve um problema no transformador de corrente (TC) da universidade. "Esse equipamento faz parte da rede de distribuição interna da UnB. Trabalhamos apenas como suporte aos eletricistas do câmpus", afirma o diretor de distribuição da CEB, Antônio de Pádua. De acordo com ele, a causa do transtorno pode ter sido alguma peça quebrada na rede ou pelo próprio tempo de uso do equipamento.

Com a interrupção da energia em parte da universidade, muitos alunos ficaram sem aula e praticamente todos os laboratórios da Faculdade de Saúde estavam fechados. A reitoria da UnB afirmou que o transformador faz mesmo parte do sistema interno de distribuição de energia, porém, está numa área restrita ao acesso da CEB. A direção afirma que o TC foi consertado em caráter de urgência e será substituído futuramente. De acordo com a universidade as causas das falhas ainda são desconhecidas.

Gerador de energia
No Laboratório de Genética, o gerador está encostado embaixo de uma bancada há dois anos aguardando a instalação pela UnB. O equipamento foi obtido por meio de um convênio com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

De acordo com o professor responsável pelo laboratório, César Koppe Grisólia, o único ônus da universidade seria com a ligação do equipamento. "Já emiti várias ordens de serviço à prefeitura do câmpus, mas até agora nada", conta. Segundo o professor, o gerador custa cerca de R$ 20 mil e poderia evitar muitos prejuízos com perda de pesquisas e materiais. "Temos enzimas e reagentes importados e caríssimos em nossos congeladores", completa o professor.

A assessoria de comunicação da UnB, porém, afirma que a instalação do gerador requer um projeto específico, que inclua até dados sobre funcionamento do laboratório. Segundo a assessoria, esse trabalho já está sendo feito.


Bancadas no escuro

Essa não é a primeira vez que pesquisadores e estudantes da Universidade de Brasília (UnB) ficam no escuro. Só no último ano, pelo menos dois grandes apagões causaram transtornos em salas de aula e laboratórios. Além de atividades canceladas, alunos e cientistas tiveram que arcar com prejuízos até mesmo de ordem financeira.

A falta de luz mais recente ocorreu há dois meses, em 21 de janeiro, e deixou o câmpus sem energia elétrica por pelo menos por 30 horas, devido a uma falha na distribuição. Nos departamentos de Biologia, Bioquímica, Farmácia, Medicina e Medicina Veterinária, entre outros, funcionários tiveram que remover, às pressas, amostras de pesquisa, reagentes, enzimas e outros materiais que ficaram comprometidos com a falta de refrigeração. Algumas substâncias são importadas e caras. A maioria dos laboratórios funciona sem gerador e trabalhos foram perdidos.

Em 9 de maio de 2006, o semestre estava apenas começando quando as aulas foram interrompidas pela falta de energia. Dessa vez, o problema foi causado pela falta de pagamento. A UnB mantinha uma dívida de mais de R$ 3 milhões com a Companhia Energética de Brasília (CEB), que determinou o corte do fornecimento. Os alunos passaram seis horas sem luz, o que mais uma vez atrapalhou a rotina da instituição. (TC)


Ceilândia cobra câmpus

As 300 pessoas que se reuniram ontem, num terreno ainda vazio de Ceilândia, no Setor P Sul, dia de mais um ano de vida da cidade, cobraram um presente especial: o câmpus da Universidade de Brasília (UnB), prometido para ser erguido no terreno de 20 hectares, onde, desde março do ano passado, apenas uma placa indica que ali haverá uma extensão da UnB. Líderes do movimento pediram, num abaixo assinado com 2.800 nomes, o início imediato do cursos em salas de aulas vazias e ociosas de escolas públicas de Ceilândia.

No fim da manhã, os manifestantes ouviram de representantes da UnB ao menos uma boa notícia: está previsto para agosto deste ano o início das obras do primeiro prédio do câmpus. A verba para a construção, R$ 4,58 milhões, foi liberada pelo Ministério da Educação em 19 de março. E a estimativa é de que em fevereiro de 2008 ocorra o início oficial das aulas. Outra boa perspectiva: em 19 de abril, representantes do Movimento Pró Universidade Pública (Mopuc) de Ceilândia vão se reunir com representantes da UnB para discutir a possibilidade de as aulas começarem ainda este ano.

Enquanto aguardam o momento, alunos de ensino médio, professores, representantes estudantis e da UnB, ao lado do Mopuc, não cruzam os braços. Ontem, saíram às 9h do Centro de Ensino Fundamental 4, na Guariroba, e seguiram em caminhada até o terreno destinado ao câmpus da universidade, ao lado do Pró-DF, no P-Sul.

"Em Ceilândia há 400 mil habitantes. ? uma cidade sedenta de conhecimento. Existe criminalidade porque falta atenção aos alunos", desabafou Sandra Cordeiro, pedagoga e uma das coordenadoras do Mopuc, durante a manifestação. Na definição do capitão Machado, do 8º Batalhão da PM, foram duas horas de um movimento pacífico e respeitador.

A representante da UnB, a decana de extensão, Leila Chalub, afirmou que a instituição é parceira da população de Ceilândia há 36 anos. "Quanto ao câmpus a ser erguido aqui, a comunidade irá participar inclusive da escolha dos cursos. A previsão para o começo das obras é em agosto. E, em fevereiro de 2008, começam as aulas", garantiu Leila. De início, o câmpus deve comportar 80% dos 6 mil alunos de Ceilândia e redondezas. "Depois virão as bibliotecas, laboratórios e salas técnicas", acrescentou.
 
  • Fonte:

Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.