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Mercado em construção

      

Por Felipe Datt

Responsável direto por quase 3% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, um montante estimado em aproximadamente R$ 60 bilhões, o mercado imobiliário não pára de crescer. A relativa calmaria na economia brasileira nos último anos, a taxa de juro em queda - que facilita e torna mais barato qualquer financiamento - e uma maior oferta de linhas de crédito que possibilitam a concretização do sonho da casa própria pela classe média explicam o bom momento desse segmento que, segundo especialistas, ainda nem de perto mostrou seu potencial.

O mercado imobiliário está em franco crescimento e a tendência é de explosão em vendas e lançamentos para os próximos anos, um cenário propício para quem busca oportunidade de carreira nesse segmento. Engana-se quem pensa que o profissional está ligado a uma corretora imobiliária. Existem oportunidades para arquitetos, engenheiros, decoradores, vendedores, advogados, administradores, consultores, bancários (para quem trabalha com crédito imobiliário). "O mercado imobiliário vendeu muito em 2006, mais até do que foi produzido, já que ainda existem muitos estoques. Estamos em um momento de boom imobiliário, sobretudo de casas e apartamentos para a classe média. Mas o mercado vai explodir ainda mais, já que o grosso do déficit habitacional está na baixa renda", contou o diretor superintendente do Secovi-SP, José Tadeu Semple.

Os números do Sindicato da Habitação dão um bom panorama de como está esse segmento. Tomando como base São Paulo, mostram que o número de imóveis lançados passou de 22,5 mil, em 2004, para 29,6 mil, no ano passado. A previsão para este ano é de um crescimento de 6% sobre esta base. Conforme a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), o segmento imobiliário gera 1.4 milhão de empregos diretos na economia e 4 milhões indiretos. No mais, a entidade estima m 62.991 o número de empresas ligadas às Edificações (residenciais, comerciais, industriais e de serviços). Aproximadamente 94% são micro e pequenas empresas, que empregam até 49 trabalhadores.

"Há um crescimento contínuo desse segmento e a expectativa é de um verdadeiro boom. Quando uma economia está em crise, o mercado de imóveis é o primeiro afetado. Quando ela começa a entrar nos eixos, casas e apartamentos são, via de regra, a última coisa que uma pessoa irá comprar. Mas chegou a hora do crescimento", comentou Lãrte José Tadeu Temple, diretor-superintendente da Universidade Secovi, uma faculdade corporativa criada há seis anos pelo Secovi-SP (Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo). "A universidade surgiu da constatação de que as instituições de ensino não formam para o mercado de trabalho na área imobiliária", disse Temple.

Na realidade, não formavam. Com o crescente desempenho do setor no País, em especial na última década, o segmento imobiliário chamou a atenção de faculdades e universidades brasileiras, que desenharam especializações e pós-graduações especialmente voltadas para os profissionais interessados em trabalhar nesse meio. Pela importância do tema, entrou na lista do Universia no especial "Especializações Inovadoras", que começou em janeiro com a televisão digital e no último mês abordou o ramo varejista.

A Universidade Secovi nasceu inspirada nas primeiras universidades corporativas surgidas ainda na década de 1960, nos Estados Unidos. Caso da GE (General Electric) que, ao não encontrar mão-de-obra especializada para sua linha de produção, resolveu contratar professores de áreas como Engenharia e ensinar seus próprios funcionários. "Empresas como a Accor e o Metrô têm suas próprias universidades. O Secovi não é uma empresa, mas como a maioria de suas filiadas não teria condições de criar uma instituição de ensino própria, nós montamos uma", contou o diretor-superintendente do sindicato.

No geral, a universidade oferece programas de curta e média duração que não constam no mercado convencional. Um desses cursos é a "Pós-graduação em Negócios Imobiliários", um lato sensu ministrado por professores da FAAP (Fundação Armando álvares Penteado). "As universidades formam engenheiros, arquitetos e especialistas em edificação. Mas falta o profissional com olhar para o empreendimento imobiliário, que enxergue no terreno um futuro negócio, um condomínio para classe média ou um prédio comercial", conta Temple.

Conforme o especialista, o perfil dos mais de 1000 profissionais que já passaram pelo curso varia muito: vai de empresários do ramo imobiliário, profissionais de consultorias do setor, advogados especializados no segmento. "Os bancos geralmente enviam funcionários por causa do crescimento das linhas de crédito. Até mesmo o McDonaldïs já passou por lá, já que trabalha com aluguel e incorporação de imóveis", diz. Conforme ele, o objetivo é criar a figura do profissional experiente em mercado imobiliário. Para tanto, é necessária certificação. "Canalizaremos sua esperiência de forma que ela possa falar que entende desta ou daquela área", conclui.

Universidades e imóveis

A Poli/USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), através do Pece (Programa de Educação Continuada), iniciou no começo do mês a nova turma do "MBA Real Estate - Economia Setorial e Mercados". A expressão real estate, em inglês, significa o negócio que envolve a venda de imóveis e terrenos. O curso surgiu nos anos 80 e tratava, entre outros temas, de gestão de processos e negócios imobiliários, foi tomando forma e hoje abrange o planejamento financeiro de empreendimentos, mercado residencial para venda e locação, instrumentos de investimento e economia de empreendimento. Lato sensu com 420 horas de aula, exige do aluno, ao final do curso, um trabalho acadêmico com teor profissional.

A coordenadora do curso, Eliane Monetti, explica que o grosso dos alunos são egressos de consultorias imobiliárias, empresários do setor ("com o objetivo de aprimorar os instrumentos que utilizarão no dia-a-dia"), engenheiros de campo ("identificando oportunidades de carreira mais estratégicas nas empresas em que trabalham") e advogados da área imobiliária. "Um dos nossos pré-requisitos é que o profissional seja egresso dessa área", diz Eliane.

Na FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), de São Paulo, o foco é em uma área específica do segmento imobiliário, que também passa por um momento de profissionalização: os condomínios. Com um total de 42 horas, o curso de especialização "Administração de Condomínios" tem como objetivo esclarecer dúvidas básicas na administração desse tipo de empreendimento, explicou a coordenadora do curso e autora do livro "Revolucionando o Condomínio" (Editora Saraiva), Rosely Schwartz. Entre os temas discutidos estão segurança (patrimonial, contra tragédias naturais, etc), gerenciamento de assembléias, inadimplência, redução de custos diversos, papel do síndico, terceirização dos serviços, etc. "O condomínio, cada vez mais, se assemelha a uma empresa e não cabe mais uma administração residencial. Dependendo do tamanho do condomínio, inclusive, é necessário um profissional full-time", opina.

Ainda na FMU, outra opção de especialização é o curso "Administração Imobiliária", que proporciona aos profissionais que atuam ou desejam atuar no mercado imobiliário o aprimoramento dos seus conhecimentos técnicos, administrativos e jurídicos, agregando valor à sua formação profissional. As disciplinas envolvem assuntos como administração do empreendimento, interpretações arquitetônicas, marketing imobiliário, meio ambiente, segurança no trabalho e qualidade, metodologia da pesquisa e didática do ensino superior, métodos de avaliação imobiliária, planejamento urbano e incorporações e teoria do direito registral.

Outras informações sobre os cursos, bem como datas de inícios das novas turmas podem ser obtidas nos sites das universidades: Universidade Secovi (https://www.secovi.com.br/universidade/index/index.php), Poli/USP (https://www.poli.usp.br) e FMU (https://www.fmu.br/)

Além de cursos, as universidades também tentam contribuir com o segmento através de pesquisas. Uma nova forma para tornar a construção de habitações populares economicamente atrativa para a iniciativa privada e, assim, incentivar a sua produção, será apresentada hoje, durante o I Seminário de Pesquisas em Real Estate, promovido pelo Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (NRE/Poli-USP). A proposta é resultado de uma tese de doutorado que está sendo desenvolvida pela engenheira civil Ana Beatriz Poli Veronezi, no Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli, com o objetivo de contribuir para a redução do déficit habitacional brasileiro. Em sua defesa de doutorado, a pesquisadora irá propor a securitização das prestações que os compradores de imóveis populares devem ao construtor, transformando esse crédito em títulos de investimento, de modo que alguns deles possam ser usados para abatimento de tributos.

Tradicionalmente, a securitização converte ativos em títulos mobiliários, passíveis de serem absorvidos pelo mercado investidor. Na proposta em questão, os títulos ficariam vinculados ao direito de receber as parcelas do preço da habitação popular, a serem pagas pelos compradores da moradia. A inovação consiste na possibilidade de usar alguns dos títulos para abatimento de tributos. "Com isso, a construção de habitações populares se tornaria um negócio atrativo para a iniciativa privada, o que contribuiria para reduzir o déficit habitacional", afirma a pesquisadora. Para a concretização desta proposta, seria necessária uma mudança na legislação permitindo o uso desse tipo de título para pagamentos de tributos. "A mudança na lei também teria um impacto positivo nos cofres públicos, pois haveria aumento na arrecadação de tributos por causa do crescimento da atividade econômica decorrente da construção de novas moradias", conclui.

Serviço: O I Seminário de Pesquisas em Real Estate da Poli será realizado nesta quarta-feira, das 8h00 às 18h00, na sala S 7 do prédio da Engenharia Civil da Escola Politécnica (Av. Prof. Luciano Gualberto, nº 380, travessa 3, Cidade Universitária, São Paulo). Na ocasião, serão apresentadas 32 trabalhos de doutorado e mestrado, divididos em quatro painéis: "Comportamento de Mercados e Economia Setorial", "Administração de Empresas e Empreendimentos", "Planejamento de Formatação de Produtos" e "Instrumentos de Investimento em Real Estate". Informações e inscrições: carolina.gregorio@poli.usp.br. Veja a programação completa do evento no site www.realestate.br.

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