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UnB: Um ato de intolerância

      
Em fevereiro, paredes da Casa do Estudante já haviam sido pichadas com a frase "Morte aos estrangeiros". Bolsistas dizem que ataque de ontem faz parte de uma escalada de preconceito

Elisa Tecles

Para as vítimas do incêndio criminoso de ontem na Universidade de Brasília (UnB), a motivação do ataque é clara: preconceito. Dizem sofrer, por serem africanos, com a xenofobia e o racismo (leia Para saber mais). "Sabemos que algumas pessoas daqui não gostam de nós. Mas ninguém esperava que chegasse a tanto", avalia Maria Graciette Silva, 27 anos, de Guiné Bissau. Os alunos estrangeiros atribuem o ataque a outros moradores da Casa do Estudante Universitário (CEU).

Não é a primeira vez que os africanos sofrem ameaças. No início de fevereiro, paredes da CEU amanheceram pichadas com a frase "Morte aos estrangeiros". Cruzes feitas com tinta marcavam as portas das moradias dos alunos de outro continente. "Eles não querem a nossa presença porque dizem que roubamos vagas na CEU", explica a senegalense Racky Sy, 30 anos, aluna de letras. "Agora estamos assustadas, sem saber o que mais pode nos acontecer aqui", desabafa Racky. A UnB e a Polícia Federal ainda não trabalham com a hipótese de ataque movido por racismo ou xenofobia. O caso é investigado como um incêndio criminoso.

As 14 vítimas do crime são intercambistas e vieram estudar no Brasil por conta de acordos firmados entre a UnB e instituições estrangeiras. ? uma relação de mão-dupla: enquanto jovens de outros países vêm fazer parte do curso superior em Brasília, faculdades do exterior oferecem bolsas de estudo para os matriculados na UnB. A universidade acolhe hoje 400 estudantes de fora, sendo que 23 deles moram na CEU (5% do total de vagas no alojamento).

Protesto
Cerca de 300 estudantes se solidarizaram com a situação dos africanos e fizeram uma manifestação na tarde de ontem. O grupo saiu da ala norte do Instituto Central de Ciências e percorreu o câmpus em protesto contra o incêndio. Os alunos ocuparam o auditório da reitoria. "A UnB foi uma das primeiras instituições brasileiras a adotar o sistema de cotas. Não podemos aceitar que aconteça uma coisa como essa", afirma Nídia Gonçalves, 23 anos, estudante de Cabo Verde.

Os estudantes exigiram mais segurança para a CEU, criação de um centro de convívio para integrar brasileiros e estrangeiros, além de inclusão de matérias sobre a história e o pensamento africanos. A UnB anunciou a criação do Programa de Combate ao Racismo e Xenofobia Institucional. "A função será conscientizar a comunidade acadêmica em torno do fim do racismo. A indignação agora é maior que o medo", explica a decana de extensão da UnB, Leila Chalub.

No início da noite de ontem, o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota afirmando ter tomado conhecimento "com indignação" do ataque aos estudantes africanos. O Itamaraty comprometeu-se ainda a acompanhar "com atenção" as apurações policial e administrativa do caso.
 
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