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Rádio e TV: com o bolso cheio de...criatividade

      

Por Lilian Burgardt

Se você perguntar para um aspirante a radialista quanto ele espera ganhar depois de formado e repetir essa pergunta para um universitário e um profissional a resposta dos três pode ser resumida na seguinte frase: a gente ganha pouco, mas se diverte. Os salários de um mercado saturadíssimo e extremamente competitivo, cujas melhores oportunidades estão restritas ao eixo Rio-São Paulo, não são nada atrãntes para quem tem a idéia de ficar rico ou mesmo de ter estabilidade. Do recém-formado ao mega profissional com 20 anos de carreira, os salários são enxutos. Se o orçamento da produção é bom, melhor. Senão, a solução é que o trabalho compense todo o desgaste.

Por isso, se você está pensando em fazer Rádio e TV a primeira mensagem é: esteja preparado para trabalhos emocionantes, vibrantes e até desgastantes, mas para salários pouco recompensadores. Aliás, dizem os especialistas, esta é uma profissão em que o salário quase sempre não será sua recompensa, mas sim, a oportunidade de trabalho que está em suas mãos. Para aqueles que conseguem uma vaga no disputadíssimo mercado, o salário incial está entre R$ 1.000 e R$ 1.500 reais. MAS o que vale mesmo é o que a produtora ou a emissora de rádio e TV têm a oferecer. Vale lembrar: ao mesmo tempo em que há estagiários ganhando cerca de R$ 1.000 em uma grande emissora, jovens recém-formados podem ter este valor descrito no "holerite" trabalhando, e muito, em uma produtora independente.

A fila do desemprego também é grande. Se você começar a bater papo com gente da área, certamente vai encontrar histórias de muitos radialistas que viraram jornalistas, assessores de imprensa e até corretores de seguro. "De fato, muita gente desiste do curso porque não encontra oportunidades. A melhor alternativa para driblar o desemprego e a falta de experiência é estagiar muito e o mais cedo possível nos mais diferentes lugares. A experiência é fundamental para o crescimento nesta profissão", revela o coordenador do curso de Rádio e TV da USJT (Universidade São Judas Tadeu), Augusto Lanzoni.

"Diferente da década de 80, quando comecei, hoje o mercado está muito difícil. Os profissionais disputam pouco espaço e, sabendo disso, as empresas jogam os preços lá embaixo, desvalorizando ainda mais a profissão", lamenta a diretora de montagem, Sandra Conti. Com cerca de 20 anos de experiência, tendo na bagagem trabalhos para grandes emissoras de TV como Globo, Record e SBT - esta última seu atual endereço profissional - Sandra é um exemplo de como o cenário profissional não está nada fácil para os radialistas. Os cargos das produções têm faixas salariais específicas e independente da experiência, um assistente de direção, por exemplo, recebe em torno de R$ 7.000 por mês. Isso serve tanto para quem tem 20 anos de carreira como para quem tem cinco e, claro, um bom contato nas mãos.

O que um radialista pode fazer?

Na universidade, o aluno é preparado para lidar com a parte técnica de um programa de TV, rádio e até cinema. Enfim, toda aquela parafernalia tecnológica que ocupa espaço no switcher (ilha de operações) e no estúdio. Não é à toa é que os colegas jornalistas, aqueles de humor ácido, costumam fazer a famosa piadinha "ô, caboman, chega aí ou, "ah, vai enrolar cabo". Mas não é só isso que os futuros radialistas vão dominar, ao sair da faculdade. Eles também saberão tudo que é preciso para uma produção ir para frente e terão conhecimento para elaborar roteiros. "Em geral, os estudantes aprendem tudo que se refere aos bastidores de uma emissora de TV ou rádio e também a produzir roteiros. No entanto, a maior parte das faculdades costuma preparar os alunos para serem diretores ou assistentes de direção, que são os profissionais responsáveis pela produção de um programa ou um filme, do início ao fim", explica Lanzoni.

Quem procura estágio quase sempre começa com assistente de produção de uma emissora de TV ou de rádio. O trabalho é intenso: é preciso fazer a agenda da produção, correr atrás dos convidados e, se preciso, dar um pitaco até no cenário do programa. Mais do que no rádio, na TV o trabalho da produção fica mais visível para o público. Embora o apresentador, que boa parte das vezes é só uma figura carismática, seja o mais lembrado pelo público, são os produtores que dão formato ao programa. ? a produção que "faz acontecer". "Mais do que na TV, no rádio, é comum que os ouvintes tenham a impressão de que é o locutor quem faz tudo e desconheçam que há um produtor e um diretor que também colocam a mão na massa", lembra.

Segundo Lanzoni, não há segredo para se dar bem nesta área, mas alguns ingredientes como criatividade, persistência e inovação são características que não podem faltar ao profissional de Rádio e TV. "·s vezes, os estudantes ficam desmotivados porque o estágio deles é controlar a platéia em um programa de auditório. Garanto que se ele for criativo nessa função, se estiver antenado às notícias e sempre atento aos novos formatos de programas, tanto nacionais quanto internacionais, em breve seu talento será reconhecido e ele passará a ter novas oportunidades. Quem sabe, poderá até ter uma idéia de programa. Agora, se for acomodado, certamente vai passar muito tempo preso à claquete da platéia", alerta Lanzoni.

Leia as entrevistas abaixo e descubra os motivos que levaram um vestibulando, uma graduanda e um profissional a escolher o curso de Rádio e TV:

Idade: 20 anos

Leandro Tavares Morais

Idade: 23 anos

Onde estuda: Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo
Maria Clara Brand Thomazini

Idade: 48 anos

Profissão: diretora de montagem

Sandra Conti
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?

Durante muito tempo fiquei em dúvida entre Jornalismo e Rádio e TV. Como me considero bastante comunicativo e detesto rotina acho que Rádio e TV me atraiu mais. O profissional que trabalha com isso vive coisas novas o tempo todo e, mais do que no Jornalismo, tem liberdade de criação, além de ficar fora de um ambiente de escritório.

Graduando - Por que escolheu a profissão?

Minha primeira opção na faculdade foi Letras, mas quando entrei no curso percebi que não ia conseguir terminar: O-D-I-E-I. Depois de trancar a matrícula, assisti várias aulas de cursos diferentes, sempre na área de Humanas, até que me encontrei em Rádio e TV, pelo dinamismo da profissão.

Profissional - Por que escolheu a profissão?

Sempre tive grande interesse por Educação. Na época da faculdade eu trabalhava com animação, mas a minha idéia era entrar na TV para fazer programas educativos. Quando surgiu a oportunidade não tive dúvida, agarrei e, hoje, coleciono diversos trabalhos no currículo com foco em educação ou que tenham alguma função social.

Vestibulando - O que espera do curso?

Sei que vou ter aulas teóricas, mas fico só imaginando como serão as aulas práticas. Gostaria de contar com bons laboratórios e de ter muita aula sobre equipamento de som e imagem dentro de uma infra-estrutura de estúdio mesmo. Também queria poder ver de perto e aprender com profissionais de grandes emissoras.

Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?

Está correspondendo sim, mas o estágio está sendo fundamental. Já estagiei na Rádio Capital e agora faço parte da produção de um programa de TV, o que, sem dúvida, complementa o que aprendo na faculdade, além de ser um grande aprendizado por si só.

Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?

Não correspondeu não, mas era um outro momento. Quando me formei, na década de 80, o mercado era muito novo e muito receptivo, o curso também era novo e embora tenha me preparado para algumas situações, creio que foi trabalhando que aprendi a maior parte do que sei.

Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formado?

Sei que a profissão não oferece o salário dos sonhos de ninguém, acho que o salário de recém-formado ainda está em torno de R$ 1.000. Espero que isso melhore até eu me formar, pelo menos R$ 1.500.

Graduando - Quanto espera ganhar depois de formada?

Sou bem realista. Acho que R$1.500 reais é o máximo que vou conseguir, mas não tem problema para mim. Pode ser que o mercado melhore com essa história de TV digital, quem sabe?

Profissional - Quanto ganha?

Infelizmente a experiência de um profissional não é um item muito valorizado nesta área. Existe uma faixa salarial para cada cargo ocupado dentro de uma produção, no meu caso, ela gira em torno de R$7.000. Este valor pode ser pago tanto para um profissional que tem 20 anos de mercado, como para um que tem cinco.

Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?

O melhor, sem dúvida, será não ter rotina. Começar uma produção, terminar e pular para outra. Exercer a criatividade o tempo todo e estar rodeado de pessoas cheias de idéias. Se o trabalho for assim será muito prazeroso, independente da grana.

Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?

Hoje, no estágio, eu convivo com pessoas diferentes o tempo todo. Gente criativa que faz parte da produção, convidados interessantes e até pessoas simples que vem à TV com muita história para contar. Sempre gostei de ter contato com as pessoas. Para mim, isso é o que há de melhor.

Profissional - O que acha de melhor na profissão?

A oportunidade de criar programas interessantes que realmente façam a diferença. Durante muito tempo, enquanto o mercado ainda não estava saturado, tive a oportunidade de fazer diversos trabalhos pelos quais eu realmente me apaixonei, pagassem bem ou não. Agora, está mais difícil, mas ter a chance de fazer bons trabalhos é o que vejo de melhor.

Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?

A competitividade do mercado. Ainda mais se tivermos que ficar disputando espaço com os jornalistas (risos), que sempre pegam as nossas vagas.

Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?

A instabilidade é uma coisa ruim. Agora você pode estar em uma produção muito legal e amanhã, quem sabe, ficar desempregado. No Rádio e na TV, os programas não têm vida longa, então, você está sujeito a ficar sem emprego o tempo todo.

Profissional - O que você acha de pior na profissão?

Não vejo as coisas negativas. Muita gente fala que tem muita disputa de ego, gente puxando o tapete do outro. Sempre que eu via algo do tipo tentava neutralizar e não levar isso adiante para o restante da equipe. O trabalho tem que ser bom, tem que ser desafiante, não para você ficar pensando no que há de ruim e se deixar atingir por isso.

Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?

Acho que o mercado de trabalho está ruim e há programas péssimos na televisão, se eu entrar nesse mundo será para fazer coisas diferentes. Hoje, eu basicamente ligo a TV para assistir jornal, seria legal ter programas com mais qualidade na TV aberta do que as opções atuais.

Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?

O mercado está saturado, por isso, encontrar uma boa vaga não é fácil. ? preciso ter bastante paciência e agarrar as oportunidades que aparecerem.

Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?

O mercado não está convidativo porque há muitos profissionais e pouco campo de trabalho. Diante disso, as empresas desmotivam ao máximo, fazendo com que os profissionais cada vez menos tenham perspectivas de crescimento, afinal, se ele não estiver, colocam outro. Isso é bem ruim. Realmente a desvalorização do profissional de Rádio e TV é muito grande.

Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Rádio e TV e outras áreas?

Acho que não sou a pessoa mais indicada para dar dicas, porque eu mesmo não fiz nada daquilo que as pessoas recomendam, ou seja, conhecer a universidade em que quer estudar, conversar com pessoas sobre a área, etc. A única coisa que sei é que gosto muito desse meio e que para trabalhar com isso é preciso gostar de lidar, a todo momento, com o inesperado. Quem quiser ser um radialista de carteirinha tem que estar preparado para isso.

Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Rádio e TV?

ïPara fazer Rádio e TV tem que gostar de falar e conhecer gente. Tem que ter coragem para enfrentar a instabilidade da carreira e estar disposto a trabalhar com os recursos que você tem. Se a produção tiver mais dinheiro faz mais, senão, faz o que pode, mas com qualidade.

Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nessa profissão?

O estudante tem que saber que a faculdade é um ponto de partida. Não adianta se formar e se acomodar, achando que tem que ficar o resto da vida no primeiro emprego. Aliás, nesta área, quando mais experiência por diferentes veículos, melhor. Aquele que procura estabilidade terá dificuldades para crescer na carreira, enquanto aquele que "mete as caras", tem mais chances de aprender e ser valorizado.

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