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Notícias

Invasão da reitoria desafia Unicamp

      
Ocupação realizada por grupo de alunos já dura dois dias, apesar de a Justiça já ter determinado a reintegração do prédio


Estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desafiaram a instituição, a Polícia Militar (PM) e a Justiça e decidiram manter a invasão do prédio da reitoria pela segunda noite seguida. Uma reintegração de posse concedia pelo juiz Mauro Iuji Fukumoto, da 1 Vara da Fazenda Pública, havia determinado a saída dos alunos até as 17h15 de anteontem, o que não foi cumprido. A Justiça tentou ontem um acordo entre as partes, mas não obteve sucesso. Um novo encontro está marcado para hoje, às 10h, na Cidade Judiciária.

A invasão é um protesto contra as condições em que se encontra a Moradia Estudantil. O bloco B do conjunto foi interditado há uma semana e deixou 48 moradores desalojados. Os manifestantes discordam das medidas emergenciais adotadas pela Unicamp, que chegou ontem a cogitar a possibilidade de locar, em nome da instituição, casas e pagar as despesas - contas de água, luz e manutenção e o transporte - para aqueles que pleitearem o benefício. A princípio, a universidade ofereceu R$ 200,00 por morador desalojado, proposta recusada pelos estudantes.

O entrave das negociações está centralizado basicamente em dois outros pontos: ampliação de cerca de 500 vagas na Moradia e a substituição da administração do conjunto. A universidade informou, por meio de nota oficial, que os dois assuntos não serão discutidos enquanto não houver a desocupação da reitoria.

Influência política


A resistência dos estudantes conta com o apoio da vereadora Marcela Moreira (PSOL), que tem comparecido à invasão. "A luta dos estudantes é legítima. Condeno a atitude da reitoria, que não senta com os estudantes, mas senta com o comandante da PM" , disse a parlamentar, que afirmou ainda pedir para que outros movimentos sociais apoiem a manifestação estudantil.

Os manifestantes utilizam o discurso de desocupar o prédio apenas quando tiverem as suas reivindicações atendidas e estão dispostos a resistir a uma possível ação policial para cumprimento da ordem de reintegração de posse. Mas depois de serem convidados, na tarde de ontem, para uma reunião de conciliação com a mediação do juiz da 1 Vara da Fazenda, eles decidiram não eleger uma comissão para comparecer ao encontro.

Uma das porta-vozes dos manifestantes, identificada apenas como Mariana, comunicou, por volta das 17h, que não seria eleita uma comissão dos estudantes para levar as reivindicações à reunião de conciliação. "Isso é uma deliberação da nossa assembléia. Tudo que é motivo legal, o nosso advogado resolve. Tudo o que for político, nós resolvemos" , disse.

Os estudantes foram representados pelo advogado Vinicius Casconi, que prometeu levar na manhã de hoje uma comissão para participar das negociações diante do juiz.

Na manhã de ontem, a equipe da limpeza, escalada pelos estudantes, retirou o lixo acumulado na reitoria, que totalizou cinco sacos plásticos médios.

Repasse do governo para pesquisas está ameaçado

Recursos federais de R$ 12 milhões para aplicação em pesquisas e desenvolvimento de projetos, poderão deixar de ser utilizados pela Unicamp, caso a ocupação dos estudantes continue na reitoria. Edgar de Decca, pró-reitor de Graduação, e Teresa Atvars, pró-reitora de Pós-Graduação da universidade, alertaram ontem que este é um dos prejuízos que a comunidade universitária e a população poderão sofrer.

Teresa explicou que a ocupação dos estudantes impossibilita a Unicamp de participar do edital de Infra-Estrutura da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do governo federal, que estabelece o prazo máximo para apresentação de formulários nesta quinta-feira. "Os documentos para preencher os formulários estão trancados nos armários da vice-reitoria, que continua bloqueada pelos estudantes" , explicou a pró-reitora de Pós-Graduação.

Os recursos federais só poderão vir para a Unicamp se houver acesso aos documentos e houver tempo hábil para a entrega dos formulários no tempo estabelecido. "Não tem como adiar a data do edital" , finalizou. "Tem que haver bom senso dos estudantes da ocupação, pois até eles poderão ter prejuízos" , avaliou Teresa. (GR/AAN)

Invasores se revezam para comer e tomar banho

Mesmo com a possibilidade da chegada de policiais militares para cumprir o mandado de reintegração de posse expedido pela Justiça, a madrugada foi tranqüila ontem na Reitoria da Unicamp. Aproximadamente 120 estudantes revezaram-se nos corredores e salas da reitoria, regados a muito café, água e pão. Dois policiais militares acompanharam de longe, em uma viatura da PM, o movimento pacífico dos manifestantes. "Estamos só de prontidão para evitar possíveis depredações ao patrimônio público" , explicou um dos policiais.

Aproximadamente 15 manifestantes fizeram uma vigília em frente ao prédio da reitoria, sentados em cadeiras e até na calçada e nas sarjetas. Falantes e com muitas piadas para passar o tempo, eles colocavam panos para tampar o nariz e a boca para evitar possíveis retaliações no futuro.

Dentro da reitoria, grupos de manifestantes dormiam no chão com sacos-de-dormir e travesseiros. Outros namoravam escondidos no escuro, enquanto alguns se entupiam de café. Uma barraca, na laje da reitoria, abrigou uns quatro estudantes, que dormiram a noite toda sem transtornos.

Na área externa, próxima à reitoria, manifestantes dormiram dentro de veículos estacionados nas proximidades. Geraldo Witeze Junior, que faz pós-graduação de Teoria Literária, dormiu em um dos bancos de cimento, na Praça das Bandeiras, em frente à reitoria. "Estava muito calor dentro das salas e resolvi dormir ao ar livre" , contou ao amanhecer do dia.

Sem a ação da polícia, os estudantes começaram a ocupar a laje do prédio e iniciaram um pagode. Por volta das 8h, um corneteiro subiu na laje e acabou de despertar o restante do estudantes. Grupos saíram para tomar o café da manhã, aos poucos. Outros saíram para um banho.

O major Benedito Pereira Costa Júnior, comandante do 8 Batalhão da PM de Campinas, chegou com um grupo de policiais às 9h30, para averiguar possíveis depredações no patrimônio público. "Não houve depredação, nem vandalismo dos estudantes. Apenas as cadeiras e mesas impedem a passagem nas escadas principais" , disse o major. "Existe o mandado de reintegração de posse e a polícia vai agir assim que a reitoria der o sinal" , explicou.
 
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