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FAU terá residência em habitação popular

      
áreas mais precárias de São Paulo serão laboratórios para jovens arquitetos atuarem em projetos públicos

Adriana Carranca

O laboratório é a cidade. O desafio, descobrir novas formas de solucionar velhos problemas urbanos. A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Paulo (FAU-USP) instituirá, a partir de 2008, um programa de residência para recém-formados com duração de dois anos. Eles trabalharão nos programas de moradia popular da Secretaria Estadual de Habitação. Com remuneração de R$ 1.950 por mês, o programa funcionará como a residência em Medicina, em que os estudantes trabalham nos últimos dois anos em hospitais públicos.

Como se trata de projeto piloto, não será obrigatório e selecionará, no primeiro ano, 20 formandos. Além de aplicar na prática o que aprenderam em sala de aula e, assim, ganhar experiência, serão um reforço nos quadros da Prefeitura. "Há poucos arquitetos nos órgãos públicos para o tamanho da demanda nas camadas de menor renda, não atendidas pelo mercado imobiliário" diz o arquiteto e urbanista Caio Santo Amore, formado pela FAU e que há dez anos trabalha para a ONG Peabiru, que presta assessoria técnica para movimentos de moradia e para a Prefeitura em habitação popular, como mutirões.

O diretor da FAU, Sylvio Barros Sawaya, diz que, se der certo, serão criadas residências em outras áreas, como saneamento. Para ele, o programa é via de mão dupla. "Recém-formados colocarão os pés no chão da realidade. Ao mesmo tempo, funcionários públicos que lá estão poderão tirar a poeira da mente, com as idéias trazidas pelos residentes", diz.

Ainda não está definido, no entanto, quem arcará com os custos da residência, que está sendo articulada pelo deputado federal (PFL-SP) e secretário estadual de Ensino Superior, José Aristodemo Pinotti. O secretário estadual de Habitação, Lair Kr„henbühl, disse que arcará com um estágio precedente à residência, com bolsas de R$ 600 a R$ 800 para alunos do quinto ano da FAU. "Seria um treinamento pré-residência, remunerado pelo CDHU", garantiu. A residência será gerenciada pela Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap), vinculada à Secretaria de Gestão Pública.

Os residentes serão supervisionados por um professor da FAU e, ao final do programa, terão de submeter à avaliação da universidade um projeto de especialização. Arnaldo Martino, presidente da Seção São Paulo do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-SP) elogiou a iniciativa. "O que forma os arquitetos é a experiência prática." Segundo ele, a residência em arquitetura já é uma realidade nos países europeus e em universidades americanas.

"Ao se formar, muitos estudantes não têm o conhecimento dos problemas urbanos na dimensão que deveriam", diz a socióloga Maria Ruth Amaral de Sampaio, coordenadora do Laboratório de Fundamentos da FAU, que defende a residência há anos. Ela orientou, por exemplo, 20 de seus alunos que durante um semestre de 2002 se transferiram da sala de aula para um cortiço da Rua Solon, no Bom Retiro. O resultado foi um projeto de requalificação entregue aos moradores que, com a ajuda da iniciativa privada e algumas economias, estão reformando o prédio, hoje regularizado.
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