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PF intima estudantes e porteiros da UnB

      
A fuzarca cedeu lugar a um desconforto generalizado na Casa do Estudante da Universidade de Brasília (UnB). Os corredores antes tomados por universitários tocando violão e conversando agora estão silenciosos. As paredes, enegrecidas pelo incêndio criminoso provocado para atingir 10 estudantes africanos na madrugada de quarta-feira, ainda exalam um odor de queimado.

O ambiente ficou ainda mais pesado ontem à tarde, quando agentes da Polícia Federal percorreram o local para intimar seis estudantes e dois porteiros.

- Eles serão ouvidos como testemunhas, mas podem se tornar suspeitos. Não há nenhuma conclusão sobre o caso, mas para mim não foi vandalismo, e sim preconceito - afirma um agente da PF.

O ataque ocorreu por volta das 4h. Toalhas embebidas em combustível foram colocadas nas portas de três apartamentos do bloco B, todos ocupados por africanos que participam de um programa de intercâmbio.

Reitor classificou ação como "ato terrorista"

O estudante de Sociologia Nivaldo Gomes, de Guiné Bissau, acordou com o barulho da madeira estalando. Com o quarto tomado pela fumaça, saltou pela janela do primeiro andar, retornou ao prédio e, com um extintor, conseguiu apagar o fogo que consumia as portas de dois apartamentos. Correu ao segundo andar para extinguir as chamas que consumiam o apartamento de duas colegas. Ninguém ficou ferido, embora não houvesse saída de emergência, e parte dos extintores estivessem vazios.

- Todo mundo entrou em pânico. Era gente correndo, gritando e uma fumaça preta que ninguém conseguia enxergar nada - conta o acadêmico de Administração de Empresas Rodrigo Coppi.

Assustados com o ato de terrorismo, conforme classificou o reitor Timothy Mulholland, residentes estão se mudando. Os africanos foram transferidos pela direção da UnB e pensam em trocar de moradia.

- Entre o direito de estudar em outro país e a minha vida, fico com a minha vida. Estou com medo - disse Nivaldo a um colega brasileiro.

Não é a primeira vez que africanos são alvo de racismo e xenofobia na UnB. Mês passado, paredes do prédio foram pichadas com a frase "morte aos estrangeiros". Também houve brigas por conta de festas organizadas pelos africanos. Cerca de 400 de outros países estudam na UnB - 23 deles morando na Casa do Estudante.
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